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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Filme O Alvorecer das Taboas - Bicas

 Como forma de incentivar a produção histórica em nossa região, que por sinal carece de iniciativas, apresentamos no blog a 1ª parte do Filme de Bicas intitulado “O Alvorecer das Taboas & os Trilhos do Progresso”. A parte em questão é composta pelo texto e o link contendo o vídeo. A produção foi feita em homenagem aos 100 anos de emancipação da cidade de Bicas e apresenta uma bela produção visual trazendo informações relevantes para o contexto histórico local e regional. Esperamos que outras cidades sigam o exemplo e possam elaborar materiais visando divulgar seu legado cultural.


 *****LINK DO FILME: https://www.youtube.com/watch?v=uRcWh7vwI8o

 

No período Colonial, a Capitania de Minas Gerais viveu o auge do Ciclo do ouro e das pedras preciosas.

        A região da mineração centralizada em Vila Rica, hoje Ouro Preto, era ligada ao Rio de Janeiro pelo pioneiro caminho chamado de Caminho Velho.  Esse caminho descia por Baependi e Passa Quatro, alcançava o vale do Paraíba em Guaratinguetá, no estado de São Paulo e daí descia a Serra do Mar por onde os tropeiros chegavam a Parati, no litoral fluminense. Dali, o Rio de Janeiro era alcançado por pequenas embarcações marítimas frequentemente assediadas por piratas franceses e corsários ingleses.

Querendo evitar o assédio da pirataria e ao mesmo tempo encurtar a ligação da corte com a região de Minas Gerais, o governador da Capitania do Rio de Janeiro, Artur de Sá, em 1698, iniciou a abertura de uma picada que, em pouco tempo, permitia a passagem de pedestres. Era o início do Caminho Novo que das proximidades de Borda do Campo, hoje Barbacena, descia pelo vale do Paraibuna, passava por Paraíba do Sul , atravessava o Paraíba e a serra do Couto , onde hoje vicejam as cidades de Paty de Alferes e Miguel Pereira, para terminar no porto Estrela, no rio Iguaçu. Dali os tropeiros desciam o rio em pequenas embarcações, alcançavam a Baía de Guanabara e chegavam ao Rio de Janeiro.

A região a leste do Vale do Paraibuna denominada “das matas” era considerada área proibida ao desbravamento e povoamento. Naqueles sertões só havia a mata, montanhas, índios, poucos rios e nenhuma riqueza mineral. Próxima ao litoral, aqueles sertões de matas quase indevassáveis se tornaram em áreas proibidas por determinação do governador da Capitania, a fim de servirem de defesa contra possíveis aventureiros fluminenses e contra quem pretendesse fugir do fisco e entregar-se ao contrabando de riquezas.

Durante muito tempo, o vale do Paraibuna foi a principal porta onde a história de Minas Gerais se fez. Assim, a região das matas, a leste do Paraibuna ficou preservada ao longo de quase três séculos como “áreas proibidas” de matas densas difíceis de penetração.

A decadência da mineração foi o fator determinante para que a região das Matas Proibidas fosse liberada ao desbravamento e povoação. Muitos mineralistas abandonaram a região central da capitania e se dirigiram para outras áreas situadas ao norte e ao sul das matas proibidas na busca de terras  para agricultura . Aos poucos foram se multiplicando os caminhos, trilhas e picadões dentro das matas, terras para cultivo começaram a se r procuradas. A sobrevivência era importante e a cultura do café foi oportuna. Com isso, acelerou-se a penetração de desbravadores e povoadores nas terras ainda inexploradas.

Como as Capitanias Hereditárias eram áreas muito grandes, era difícil que os donatários sozinhos conseguissem vigiar e explorar o imenso território. Assim, era comum que elas fossem divididas em espaço de terra menores chamados de Sesmaria.

Sesmaria era um lote de terra distribuído a um beneficiário, em nome do rei de Portugal, com objetivo de cultivar terras virgens e se comprometiam a colonizá-lo dentro de um prazo previamente estabelecido..

Sesmeiros foram se fixando em diferentes pontos onde erguiam abrigos, ranchos, cruzeiros que dariam origem a muitos povoados. Onde o homem pousava, a marca do cristianismo era ali instalada, ganhando o local o nome do santo do dia ou da devoção dos elementos mais importantes do grupo. Homens valentes, ambiciosos e determinados que desconheciam qualquer plano de colonização, sem disciplina e sem planejamento, deram origem a muitos povoados que se constituíram em células de várias cidades.

Em 1814, Domingos Ferreira Marques e sua esposa Feliciana Francisca Dias solicitaram ao donatário da Capitania de Minas Gerais parte das terras disponíveis em nossa região. Essas terras, outrora pertencentes á área proibida agora estavam disponíveis e desabitadas.  Em 1816, obtiveram aprovação da doação e em 1818 tomaram posse. Foram mais de uma sesmarias, sendo a principal a Sesmaria Bonsucesso. 

Domingos Ferreira Marques inspirado pela esposa Feliciana Francisca Dias, devota do Divino Espírito Santo, doara em 1828 quarenta alqueires de terras para a criação de um Curato que se chamou Divino Espírito Santo ( atualmente Guarará  ).  O termo curato, usado na época, era a denominação dada às terras entregues à administração de um padre. Inicialmente, criava-se uma capela e com o tempo ao seu redor surgiam, pouco a pouco, pequenas casas que terminavam formando uma irmandade.   A construção da primeira igreja no curato ocorreu em 1930, tempos depois em 1942, iniciou a construção de uma igreja no estilo barroco, permanecendo no mesmo estilo até os dias de hoje. 

A dois quilômetros do curato do Divino Espírito Santo, havia um povoado conhecido como Arraial das Taboas, assim denominado pela presença abundante de uma vegetação conhecida como taboa. Por entre pequenas grotas brotavam nascentes de águas límpidas que desciam por todo vale.

      Em 1855, foi fundada a Irmandade do Divino Espírito Santo com mais de 260 membros. Essa irmandade administrava o pequeno povoado da época e a partir de 1868 foi elevado á categoria de Paróquia.

      Com o decorrer do tempo, fazendas e pequenas propriedades foram surgindo a partir das vendas das terras da Sesmaria Bonsucesso, uma delas era a fazenda Saracura produtora de café. Naquela época, o café era o produto mais lucrativo e o principal produto de exportação. Sua produção e comércio geravam riquezas contribuindo para o crescimento das cidades e regiões em que eram plantados.                                           

    O braço escravo era a única mão de obra disponível até o dia em que foram libertados pela histórica Lei Áurea assinada pela princesa Isabel. Trabalhando de sol a sol, sem descanso, sem remuneração, sofrendo maus-tratos, vivendo de forma desumana, homens e mulheres foram por muito tempo a força que movimentava a economia. O trabalho servil era utilizado em todas as atividades braçais, inclusive na construção de instalações rurais, na abertura de caminhos, no transporte de cargas e nos afazeres domésticos e urbanos.

    Para comercializar os produtos eram necessários centenas de muares, conduzidos por tropeiros. O trabalho que realizavam os tornaram imprescindíveis para o comércio da época. Levavam café com outros produtos para Corte Imperial, na cidade do Rio de Janeiro e no retorno traziam produtos refinados e importados de outros países além do sal vindo do Rio Grande do Norte por meio de navios.

       Seu trabalho exigia um homem disposto, forte e honesto. Era árduo; exigia-se seriedade e confiança, porque sob suas responsabilidades estava a guarda do dinheiro dos agricultores e comerciantes. Isso acontecia em jornadas cansativas duravam meses. Eles cavalgavam durante o dia e, à noite, paravam para pernoitar em determinados pontos e descansar os animais.  Um dos locais de parada era o Rancho das Bicas situado na serra das Bicas, dali partiam em sentido a fazenda Saracura no Arraial das Taboas. Os tropeiros foram os iniciadores da atividade econômica, sendo eles, no início, os únicos elos de ligação entre os moradores dos pequenos povoados existentes. 

    De fazenda em fazenda, os primitivos caminhos permitiam aos tropeiros e viajantes chegar a um lugar qualquer, principalmente nas barrancas dos rios fronteiriços já sabendo que na outra margem não encontraria melhor situação.  Mas era por eles que a produção de café tinha de chegar ao porto de Piedade, no fundo da baía de Guanabara, ou no porto da vila de Cava, no rio Iguaçu.

     Entre eles podemos citar Antônio José Gomes Bastos que tempos depois receberia o título de “Barão de Catas Altas” que levou a vida de tropeiro durante alguns anos, até casar-se. Quando deixou esse serviço investiu suas economias em terras, dedicou-se ao cultivo do café e da cana.

     Impulsionada pela produção de café, a região do curato do Divino Espírito Santo de Mar de Espanha que atualmente, compreenderia as terras de Guarará, Bicas e Maripá, crescia de forma expressiva na década de 1870. O censo realizado em 1872 registrou 6197 habitantes no curato, que na época era apenas um povoado. Para melhor compreendermos o tamanho desse crescimento populacional, vamos comparar com a população de Mar de Espanha, uma das maiores produtoras de café da região, que segundo esse mesmo censo registrava uma população de 12864 habitantes. Dos 6197 habitantes, eram livres 2177 homens e 1898 mulheres. Eram escravos 1255 homens e 867 mulheres.

      Em 1º de dezembro de 1873, o curato passa a categoria de freguesia de Mar de Espanha, equivalente a um distrito. A partir daí, o povoado passa a ser administrado pela Câmara de Mar de Espanha.

      A produção de café cresce cada vez mais. Toda a região da cidade de Mar de Espanha, Sarandi e o Espírito Santo de Mar de Espanha que atualmente corresponde toda a região de Guarará, Bicas e Maripá, produziam 250.000 arroubas de café, ou seja, 3. 750.000 kg . Todo esse café era transportado no lombo de burros.

     A dificuldade do transporte de café fez com que fazendeiros da região se reunissem na estação de Serraria, por onde já passava a ferrovia de D. Pedro II. Ali discutiram em assembleia a criação de uma ferrovia que ligaria Serraria a Mar de Espanha. Fundaram, então, a Companhia da Estrada de Ferro União Mineira. Essa proposta fora feita pelo fazendeiro e desembargador Pedro Alcântara de Cerqueira Leite, pelo engenheiro Pedro Betim Paes Leme e pelo comendador Francisco Ferreira Assis Fonseca.

          Para isso ser possível, era necessária uma lei que concedesse o direito de exploração da ferrovia. Utilizando de muita influência política, os cafeicultores conseguiram a promulgação da lei de nº 2224 em 13 de junho de 1876, publicada no Livro da Lei Mineira, que dava concessão da construção da estrada de ferro a Francisco Ferreira Assis Fonseca e Pedro Betim Paes Leme que ligaria Serraria a Mar de Espanha e a São João Nepomuceno.

          A construção do primeiro trecho durou, precisamente três anos mesmo vencendo duas difíceis serras numa época em que não existiam tratores e outros equipamentos além de enxadões, picaretas, enxadas, pás, esteiras de couro de boi e dinamite para explodir pedreiras.

       Acresce-se à importância dessa obra, o fato de não ser permitido o braço escravo  conforme a recomendação do Imperador D. Pedro II. A mão de obra era composta na maioria de ex - escravos e imigrantes europeus recrutados no cais do Rio de Janeiro, a fim de executarem atividades específicas, já que o país não dispunha de mão de obra qualificada.

     Pedro Betim Paes Leme, engenheiro responsável pela construção da ferrovia era descendente do bandeirante Fernão Dias Paes Leme, o caçador de esmeraldas, e de seu filho Garcia Rodrigues Paes responsável pela abertura do Caminho Novo em 1704, entre a região do garimpo de Minas Gerais e a cidade do Rio de Janeiro.

         As grandes dificuldades na construção da Estrada de Ferro União Mineira fez com que o engenheiro topógrafo Pedro Betim mudasse o trajeto traçado. Inicialmente, conforme fora previsto, passaria por Silveira Lobo e Sossego, inauguradas em 13/05/1879, mas não foi possível passar por Mar de Espanha pela dificuldade topográfica. O trajeto passou por Pequeri, localidade próxima a Sarandi de um lado, a apenas 8 km e Mar de Espanha do outro a apenas 14km, assegurando a construção da estação inaugurada em 07/07/1879  que daria origem ao povoado de Pequeri.  Em seguida, veio a inauguração de estação de Santa Helena também em 07/07/1879  e de Bicas (ainda Arraial das Taboas) em 09/09/1879.

           É interessante observar que o relatório de Pedro Betim não havia nenhuma referência a Bicas, o que fortalece a tese de que a nossa cidade não existia até aquela época.

 “(...) Já se acham designados os lugares das estações, trata-se agora de organizar os respectivos projetos para se por em hasta pública as sua construções. Tudo será feito a tempo de maneira a não haver atraso na obra. A estação terminal desta primeira seção, cujas obras já se acham adjudicadas, não pode ser colocada mesmo no arraial do Espírito Santo, como era de nossa intenção e mais ardente desejo. As dificuldades deste primeiro traçado por um lado e as condições de um fácil prolongamento para São João, a que tínhamos de atender, por outro demoveram-nos do primeiro intento, obrigando a designar para esta estação o lugar denominado Taboas a cerca de dois quilômetros do Arraial do Espírito Santo.

            Primeiro documento histórico da origem de Bicas!

     O topônimo de Bicas foi sugerido pelo engenheiro Pedro Betim Paes Leme ao dar o nome de Bicas, a estação ferroviária aqui construída por se achar localizada no alto da serra conhecida por ”Serra das Bicas”. Nesta serra, naquela época, havia um rancho de tropeiros de propriedade de Joaquim José Teixeira. Os tropeiros quando queriam se referir a este rancho referiam sempre ao rancho das bicas pela sua localização. Esse rancho, posteriormente, mudou de proprietário para Antônio Gonçalves de Souza Junior e, com a morte deste, para sua viúva D. Ana. Os dois eram conhecidos como “Antônio das bicas” e “Ana” das bicas”. E assim foi dado o nome à estação e a povoação que se formava em torno da estação de Bicas, que pertencia ao Distrito do Espirito Santo até a sua emancipação que só ocorreu em 1923.    

     A oficina de Bicas nasceu com a estrada de ferro para atender a manutenção dos trens. Pequena no início, contava com operários europeus, notadamente belgas, franceses e italianos. O Brasil era carente de recursos humanos qualificados.

    Em 1881, D. Pedro II viaja pela Ferrovia União Mineira e desce em Bicas, fato narrado em seu diário. Documento de valor histórico e cultural da Estação Ferroviária e da própria ferrovia para Bicas é o trecho do Diário de Dom Pedro II, vl. 25, de 28 de abril de 1881.

“Segui depois do almoço às 11h 50’. Antes do Assis parei na estação de Bicas, que é quase um arraial formado há 2 anos. As oficinas em ponto pequeno agradaram-me. Também visitei um engenho de preparar café da vizinhança, na razão de 800 arrobas por dia feito por fulano Melo. Enfim a digressão da estrada de ferro União Mineira 82 km e não 84 agradou-me muitíssimo. Querem levar a estrada até o rio Pomba.”


Arte ilustrando tropeiros se deslocando próximo a Serras das Bicas.


Extra! extra! extra! O jornal Atualidade de Ouro Preto noticiou em 20/09/1879 a inauguração da estação de BICAS!

terça-feira, 26 de setembro de 2023

1ª Linha de Bondes

 

Até início de setembro perante a documentação histórica conhecida, tínhamos apenas a Linha de Bondes Ferro Carril Guararense, inaugurada em 1899 e desativada em 1923 como único meio de transporte do gênero na região.

A realidade até então conhecida mudou drasticamente em poucos dias. Com base em novos documentos que foram encontrados nos arquivos antigos da Prefeitura de Guarará, veio à tona a existência de outra linha de bondes mais antiga ligando a Praça do Divino, em Guarará, a plataforma da Estação da Leopoldina, no Distrito de Bicas. Os primeiros registros descobertos eram referentes ao ano de 1891. Tais papéis eram relativos a guias de arrecadação e licenças para construção de imóveis nas laterais de onde passava os trilhos dos bondes, na localidade conhecida como Chácara.

Como no decorrer da história felizmente nada que foi documentado fica escondido eternamente, bastaram algumas pesquisas nos ofícios e requerimentos de 1892 para corroborar os achados de 1891. Novos pedidos de construções nas margens dos leitos da linha de bondes vieram a comprovar mais uma vez a existência deste meio de transporte entre as duas localidades antes da instalação da Estrada de Ferro ligando Guarará e Bicas. Ressaltamos que as primeiras deliberações em prol da Estrada de Ferro iniciaram-se ainda no primeiro semestre de 1893.

Com mais algumas semanas revirando papéis e arquivos digitais oriundos do Espaço Cultural Falabella de Mar de Espanha, que faz um excelente trabalho de preservação da memória local e regional, conseguimos identificar um contrato de construção da futura linha de bondes. O acordo foi assinado em 04/05/1889 e está registrado no livro nº 50 de Notas e Escrituras do Distrito do Espírito Santo.

A empresa chamava-se Companhia de Bondes Ferro Carril Espírito Santense. Seu presidente era Francisco Joaquim da Silva Noronha (Comendador Noronha) e os demais membros, José Pinto Soares e Adolpho Alvares de Oliveira. O responsável pela preparação do terreno para assentamento dos trilhos foi João Leite Guimarães que seguiria as orientações do engenheiro responsável pelo projeto. O prazo de conclusão era previsto ser dois meses. Embora não tenhamos localizado outros papéis relativos à sua implantação, acredita-se que tenha iniciado a operação ainda em 1889.

É provável que a Companhia de Bondes Ferro Carril Espírito Santense tenha funcionado até início de 1893. Informações sobre sua extinção ainda não foram localizadas no acervo pesquisado e esperamos obter novos achados com o tempo. A Resolução nº 04 de 15/06/1893 assinada pelo Agente Executivo, Dr. Antero Dutra de Moraes, traça as primeiras iniciativas para a construção da linha férrea ligando a Vila do Guarará ao Distrito de São José de Bicas. O conteúdo dessa resolução leva a supor que a Linha de Bondes já estava paralisada na ocasião.

Analisando os primeiros passos da implantação da Estrada de Ferro Guararense, é aceitável que a mesma possa ter sido projetada com base em parte da estrutura da extinta Linha de Bondes, onde se aproveitou a bitola estreita. Essa suposta reciclagem iria comprometer o desempenho da pequena ferrovia, pois não seria possível usar locomotiva potente e vagões maiores numa topografia íngreme sentido Bicas. Sendo assim, pouco tempo depois por força do destino o trecho voltaria a abrigar novamente outra Linha de Bondes, dessa vez a Ferro Carril Guararense que funcionou até 1923.

Com base nas novas documentações tivemos 02 Linhas de Bondes operando entre Guarará e Bicas: a Companhia de Bondes Ferro Carril Espírito Santense e a Ferro Carril Guararense. Vamos aguardar para ver se surgem novas informações quanto à existência delas ou quem sabe novos fatos históricos relevante ainda desconhecido.


Abaixo segue o contrato de construção da 1ª Linha de Bondes entre Guarará e Bicas.





 Abaixo temos alguns documentos que atestam sua existência.






sexta-feira, 21 de julho de 2023

1º Campo de Futebol de Guarará

 

A paixão pelo futebol em nossas terras começa nos primeiros anos do século XX com o surgimento de pequenos times informais para partidas em fins de semana. Os locais usados para as famosas peladas, termo que seria popularmente difundido tempos depois, permanece uma incógnita.

A partir da década de 1910, com a popularização do futebol em Guarará e na redondeza, surge-se a necessidade de ter um local específico para que os adeptos desta prática esportiva que vai se consolidando possam se descontrair sem os perrengues de buscar um local plano adequado.

Antes do surgimento do 1º campo era comum que os times se juntassem dias antes a fim de encontrar um local e fazer a limpeza do mesmo para que ficasse apto a receber as partidas de futebol no final de semana. Era um trabalho árduo, pois a maioria dos desportistas tinha suas tarefas diárias e precisavam tirar um tempo extra, algo que prejudicava a preparação dos mesmos.

Buscando um lugar apropriado para a construção de um campo de futebol, um grupo de cidadãos encabeçado por Antônio Silveira Carvalho, Vespasiano de Moraes e o saudoso maestro Octávio de Carvalho (grande incentivador do futebol e da música em nossa cidade) encaminha um ofício endereçado ao Cel. Joaquim José de Souza, Presidente da Câmara Municipal de Guarará, em 15/12/1917, pedindo autorização para construir o que seria o 1º campo esportivo da cidade.

O local solicitado no ofício seria entre a capela de São Sebastião e as proximidades do antigo quartel de Polícia, que ficava na Rua Comendador Noronha, popular Rua do Campo. A autorização foi concedida no mesmo ano e a Resolução nº 179 de 18/02/1918 da Câmara Municipal concedia uma subvenção para auxiliar os idealizadores na finalização das obras do campo de futebol.

A partir de 1918 o espaço abrigaria em definitivo as atividades desportivas do município. Com o passar do tempo, o lugar foi recebendo melhorias para acolher os jogadores locais e visitantes, além dos torcedores. Na gestão do saudoso Prefeito Antero Dias da Rocha, entre 1983/88, o velho campo recebeu grandes melhorias de infraestrutura, que o levou a denominação de Estádio da Colina, rebatizado através da lei municipal n°540/92 de Estádio Prefeito Antero Rocha, algo que permanece até o momento.

De 1918 a 2023, são mais de 105 anos dedicados ao esporte, em especial ao futebol. O local guarda sua nostalgia, história e memória ao ser palco das atividades esportivas e convívio social de diversas gerações ao longo de mais de um século.


Imagem do Campo em data desconhecida. Fonte: Jânio Ferreira.


Imagem do Campo em data desconhecida. Fonte: Jânio Ferreira.


Imagem de torcedores no Campo em data desconhecida. Fonte: Redes Socais.


Imagem da Inauguração do Estádio Municipal em 1988. Fonte: Antônio Carlos da Rocha.

Documento de 15/12/1917 pedindo autorização para a construção do Campo de futebol de Guarará.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Instituto Dona Selva - 50 Anos

 Sonho e Realização do Professor Irineu Guimarães - 1973-2023

Apresentamos uma pequena biografia adaptada do livro “Um olhar sobre o passado” de Carlos Augusto Machado Veiga, sobre o Professor Irineu Guimarães que tanto contribuiu com a educação e o bem estar de jovens e diversas famílias carentes de nossa cidade e região através de sua obra assistencial no Instituto Dona Selva que em 17/06/2023 completa seus 50 anos de existência.

“O professor Irineu Guimarães nasceu numa propriedade rural localizada na região chamada Forquilha, em 07 de abril de 1900, filho de João Velho Guimarães e Cecília de Andrade Guimarães. Começou a trabalhar cedo em virtude de sua origem humilde. Em 1916, a convite do tio Heitor Menegale que trabalhava na administração do Colégio Grambery, em Juiz de Fora, ali matriculou-se, terminou o primário e concluiu o Ginásio em 1920.

Irineu, em 1921, ganhou uma bolsa de estudos para aperfeiçoamento de inglês nos Estados Unidos, escolhido entre os melhores alunos. Como não tinha dinheiro para custear a viagem de navio, embarcou como auxiliar de cozinha, descascando batatas por 14 dias.

Chegando ao Brasil, em 1/05/1923, foi contratado como professor do Colégio Grambery pelo reitor Mister W. H. Moore, pessoa que influiu muito em sua vida. Nesta escola trabalhou até 26 de março de 1958, quando o demitiram por perseguição política.

Em 1924, aos 24 anos, casou-se com Selva Muniz Guimarães com quem teve seis filhos: Vera Augusta, Reginaldo, João Guilherme (Joca), Rosália, Heloísa e José Carlos.

Elegeu-se para vereador em Juiz de Fora para o mandato de 1947-1951. Defendeu várias causas sociais e de expressão nacional, como a campanha o petróleo é nosso. Acreditou na importância da Educação e da Cultura como formas de libertação do cidadão. Durante toda a vida, esteve servindo aos pobres, sobretudo as crianças desamparadas.

Após sua aposentadoria, transferiu-se para a cidade de Guarará. Útil como sempre, viu a necessidade de instalar em Guarará, um curso de 2º grau. Trabalhou em torno da ideia e conseguiu criar o Ginásio Comercial Castro Alves em 1968, que tempos depois se transformou em E. M. Professor Irineu Guimarães de nível médio ofertando o curso de contabilidade até o início do século XXI.  

De tanto ver as crianças na sua porta pedindo sobras de comida, fez o que pouca gente faz: alugou uma casa e acolheu os primeiros meninos carentes. Estava ali nascendo uma nova instituição assistencial. Seguindo com determinação seu ideal, fundou o Instituto Dona Selva, em Guarará, em 17 de junho de 1973. A finalidade era ajudar por todos os meios ao seu alcance, o menor abandonado de Guarará.

Com o passar do tempo, o professor deparou-se com outro problema; o que fazer com os meninos de mais de 14 anos? Apelou às instituições alemãs e conseguiu obter ajuda para comprar um sítio de 30 hectares. Instalou no local a Escola Profissional Unidade B-1 Rural em Guarará, embrião de uma escola agrícola. Criou em Bicas, em 1979, a Creche Biquense D. Cecília, para atender os filhos de mães que trabalhavam fora de casa, principalmente domésticas.

Em 09/09/1984 durante homenagem que recebeu no Colégio Grambery proferiu as seguintes palavras: “Não me leveis, senhor, sem que eu veja primeiro O Brasil de amanhã, como o desejo ver: todo ele num pomar, ele todo num jardim. Tão feliz seja o povo, que, para cada ninho em que gorjeie o amor de um passarinho, exista um lar feliz, a lareira acesa e a despensa cheia. Não me leveis, Senhor, sem que eu veja, primeiro, o Brasil de amanhã como desejo ver: na face das crianças e a cor deste meu sonho; nos meus cabelos brancos, a paz dos corações. Sem que, primeiro, eu veja o Brasil de amanhã como o desejo ver, não me leveis, Senhor!”

Já debilitado fisicamente, viúvo, pois Dona Selva já havia falecido em 07/11/1960, o Prof. Irineu Guimarães morreu em Juiz de Fora, aos 84 anos, no dia 28/11/1984. O sonho humanista do Irineu Guimarães não morreu com ele. Vive nos corações de seus amigos, familiares, do contingente de ex-alunos do Grambery e dos jovens por ele ajudados através do Instituto Dona Selva.

Este homem fez muito pelas crianças e jovens desamparados da nossa região. Ele as retirou das ruas, deu lhes atenção, abrigo, alimentação, estudo e profissão. Deu-lhes possibilidades futuras e novas oportunidades. Todos aqueles a quem estendeu as mãos e socorreu, passaram a sonhar com dias melhores.

“A felicidade que consiste, para tanta gente,

em fluir da vida, o que a vida pode oferecer,

é, para mim, muito ao contrário,

dar, da minha vida, o que puder, para o bem do próximo.” 

IRINEU GUIMARÃES -1954

Umas das últimas imagens do Professor Irineu Guimarães em 1984. 

Antiga Sede do Instituto Dona Selva em Guarará. Imagem sem data.

Foto recente do Instituto Dona Selva em Guarará. Fonte: Eloíza.

Foto recente do Instituto Dona Selva em Guarará. Fonte: Eloíza.

Foto recente do Instituto Dona Selva em GuararáFonte: Eloíza.



quarta-feira, 5 de abril de 2023

Casa Paroquial

No decorrer de quase dois séculos de devoção ao Divino Espírito Santo nesta abençoada terra, diversas casas no arraial, passando por distrito e finalmente cidade, vieram abrigar o lar dos padres que serviram nossa Igreja. 

Entre 1840, até por volta do final da década de 1890, os sacerdotes que atendiam nossa comunidade alugava ou comprava um imóvel para residir enquanto permanecessem a serviço do Curato e depois Paróquia do Divino Espírito Santo, a partir de 1868. Quando eles eram transferidos para outros lugares, colocava o imóvel a venda e com esse dinheiro adquiriam bens na nova localidade de destino. Tal fato pode parecer estranho, mas foram encontradas algumas transações registradas nos livros de notas do cartório do Distrito do Espírito Santo (fonte digital) entre as décadas de 1860 a 1880 cujas datas eram próximas à chegada e partida de alguns sacerdotes.

A maioria dos sacerdotes fixava residência nos arredores da Igreja ou em alguns sítios nas proximidades da área urbana. O Cura (Padre Guerra), termo usado para designar os padres naqueles tempos, morou por certo tempo na região da Extrema, onde possuía algumas pequenas propriedades rurais a partir de 1849. Há indícios que o Cura Manoel Antônio da Câmara Barreto tenha morado nas imediações da matriz com familiares durante boa parte de sua permanência na Paróquia. O Cura José Violin de origem francesa tinha residência na Rua do Pito (atual Getúlio Vargas), sendo essa adquirida em 10/06/1879 e outra em 1882. Alguns anos depois de sair da Paróquia ele vende o imóvel para Francisco Carneiro em 19/02/1886.

 O Cura Antônio Rodrigues de Almeida comprou um sítio em 05/11/1871 na localidade conhecida como Cachoeira, no caminho para a Forquilha. Nos anos seguintes vem a adquirir a Fazenda do Desengano, que ficará em herança para sua irmã, Dona Maria Rodrigues de Almeida Monteiro, após seu falecimento em 1881. Na década seguinte em 02/11/1885 o Cura Manoel José Corrêa adquiriu uma propriedade nessas proximidades. No decorrer de 1892 ele passa a ocupar o cargo de Cura na Paróquia do Divino Espírito Santo e a partir daí vem a residir na cidade até seu falecimento em 1898.

É somente no início do século XX que a Paróquia passa a ser dotada de uma Casa Paroquial localizada na famosa Rua Direita (Capitão Gervásio) destinada à morada de seus sacerdotes. Na época distrital o local era conhecido como Rua do Vaza. Com a chegada do Padre Oscar de Oliveira em 1936, começa-se a discussão para construção de uma nova Casa Paroquial. O local escolhido foi na mesma rua onde existia um grande casarão de dois andares em estado precário de conservação, sendo adquirido e demolido para abrigar o novo imóvel a partir de 1938.

Com a transferência do Padre Oscar de Oliveira em 1942, a recém-construída Casa Paroquial passar abrigar os sacerdotes que viriam para a Paróquia dali em diante. No final da década de 1980, o imóvel passa apresentar diversos problemas estruturais nos dois pavimentos que ameaçavam a sobrevivência do imóvel. Com o agravamento dos problemas, a parte superior que funcionava como Casa Paroquial ficou desativa por alguns anos. A parte inferior era composta por duas moradias que funcionaram até iniciar a reforma em 1998.

Em 1996 com a posse do Padre Gil Condé da Silva, foi iniciado o pontapé inicial uma série de obras nas igrejas do município e posteriormente na Casa Paroquial, sendo reformada em 1998, mas preservando seus traços arquitetônicos externos originais. A maior mudança foi à supressão das duas moradias no pavimento inferior para alocar outras funcionalidades relativas à Paróquia.

Atualmente o casarão histórico que presenciou muitos fatos da história local permanece como Casa Paroquial no século XXI acolhendo os sacerdotes, visitantes e seminaristas que servem a Paróquia do Divino Espírito Santo. A parte inferior funciona como escritório paroquial e arquivo.


A 1ª Casa Paroquial que temos notícia ficava na Rua Direita (imóvel ainda existe). Imagem de 1916.


Casa Paroquial em 1938.


Casa Paroquial em 2014.

sexta-feira, 3 de março de 2023

História de Logradouros entre Guarará e Bicas

 

A história do Bairro Areal, São Paulo e Cutieira em Guarará, juntamente com o Bairro São Pedro, a Rua da Caixa e do Bonde, virando para o lado do Bairro Edgard Moreira em Bicas, é antiga, interessante e raramente conhecida diante dos olhos das comunidades destas duas cidades, que quase nada conhece sobre os primórdios desta vasta área povoada na atualidade, que num passado distante era uma só propriedade no Distrito do Espírito Santo.

Toda a extensão das localidades mencionadas e um pouco mais adiante pertencia no século XIX à área da tradicional Fazenda Boa Vista, que fazia divisa com a Fazenda Três Barras e outras. O local era pertencente ao casal Jeronimo Dias Mendes, falecido em 07/09/1868 e Joaquina Roza do Espírito Santo, falecida em 1892, filha de Ana Roza do Espírito Santo e José Antônio de Oliveira, falecido em 1871.

Parte de suas terras confrontava-se com o Patrimônio do Divino Espírito Santo por vários lados e outros proprietários como Dona Laudelina Leopoldina Tostes, Honório José de Andrade, João Maria Evangelista, Capitão Antônio Ribeiro de Oliveira e os espólios de Francisco Gonçalves de Souza, Cap. José Antônio de Oliveira, Dona Anna Reginalda do Espírito Santo (neta de Domingos Ferreira Marques e mãe do Cel. Souza), dentre outros. Seu limite por uma face era com os marcos (cruzes de pedra bruta com extremidades abertas) existentes naqueles tempos nos morros da Sesmaria da Saracura, que pertenceu a herdeiros imediatos da família Ferreira Marques por mais de um século.

A propriedade destacava-se no cultivo do café, assim como os outros imóveis em volta. Tinha uma área destinada à pastagem para gado de leite e sustento dos animais de serviço. Assim como a maioria das fazendas da região, era dotada de mão de obra escrava para as tarefas do campo e do entorno da sede.

Uma curiosidade que chama atenção quanto às terras da fazenda é a presença da extração de “areia” desde a década de 1880 em algumas partes mais altas, que era abundante na superfície local, sem precisar fazer grandes escavações no entorno. Aliás, essa areia era comercializada na Vila do Guarará e no Distrito de Bicas. O produto extraído era transportado por carroças e carros de boi até o destino final conforme vários relatos verificados no arquivo antigo da Prefeitura de Guarará referente à década de 1890.

A areia era usada na manutenção de estradas da propriedade, nas vias de ligação entre Guarará e Bicas, nos canteiros de jardins e em diversas obras particulares e públicas na região próxima. O local de extração era conhecido como “Areial” nas citações presentes em documentos antigos. Com o passar de inúmeras décadas a área em volta continuou a ser conhecida por Areal e o local veio a ser nomeado como Bairro Areal no século XX pela Prefeitura de Guarará.

Após o falecimento de Dona Joaquina do Espírito Santo ocorrido em 04/03/1892 à área da Fazenda Boa Vista começou a ser desmembrada em favor dos herdeiros Jeronymo Dias Mendes, Joaquim Dias Mendes, Jeronymo de Oliveira Mendes, Marcelino, Dona Messias Maria Roza, Dona Francisca Rosa do Espírito Santo, Dona Joaquina, Dona Anna Rosa de Jesus, Dona Maria Antônia, Dona Maria Joana e com isso veio a se fragmentar em propriedades menores no decorrer da década de 1890 e início do século XX.

Alguns herdeiros com o passar dos anos venderam suas posses para compradores que não tinham vínculos com a família. Os novos donos foram fracionando suas terras em lotes menores, que com o passar do tempo foi abrindo espaço para a expansão da povoação daquela área próxima, que viria a ser primeiramente a Rua do Bonde por onde passaria os trilhos da Estrada de Ferro Guararense em 1896 e a Linha de Bondes Ferro Carril até 1923. Tempos depois com nova fragmentação destas áreas surgiu a Rua da Caixa e posteriormente o Bairro Edgar Moreira e adjacências.

Um dado curioso e desconhecido é que boa parte da extensão das terras da Fazenda Boa Vista, entre o Areal até parte da Rua do Bonde, seria cortada de uma extremidade a outra pela linha férrea do trem que ligaria a sede da Vila do Espírito Santo do Guarará ao Distrito de São José de Bicas. As obras nesse sentido iniciaram-se por volta de 1894. Uma fração dos herdeiros discordava de tal iniciativa alegando que o trajeto da linha férrea cortando as melhores terras da propriedade ia desvalorizar o imóvel com o tempo e prejudicar o trânsito de animais e a colheita do café. O principal oponente foi Jeronymo Dias Mendes, que era o herdeiro caçula.

No decorrer dos anos seguintes houve tentativas de acordo entre o s.r. Jeronymo e a Câmara Municipal em busca de um valor para a indenização. O reclamante julgou ser pequeno o valor ofertado e nas idas e vindas em questionamentos junto ao legislativo, o caso acabou indo para a justiça e o solicitante ganhando a causa no valor desejado. Esgotado os recursos, a Câmara aprovou a indenização a ser paga em 14 apólices através da Lei n° 01 de 18/01/1898 pelo uso do trecho que passava a linha férrea. Em 1901 o s. r. Jeronymo arremata em hasta pública todo material rodante (locomotiva, vagão de passageiro e girador) da extinta estrada de ferro guararense.

A parte mais questionada pela passagem da linha férrea era o trecho que atualmente compreende toda extensão do Bairro Areal em Guarará e parte da Rua do Bonde em Bicas, que por sinal na ocasião ficava o cafezal e as melhores terras da propriedade. Inclusive era nesse local que era feita a extração de areia e cascalho, que gerava uma boa renda para a Fazenda Boa Vista.

Desde as últimas décadas do século XX que o local não tem extração de areia nas clareiras que ficaram abertas como marcas da atividade humana extrativista de um tempo passado. Atualmente pode ser observada a presença de duas grandes clareiras em meio às encostas do entorno. No morro ao fundo do Bairro São Paulo, temos uma área remanescente da exploração e próximo ao 1º trevo de acesso a cidade de Bicas encontramos outro local. No século XIX ambos os locais pertenciam a Fazenda Boa Vista.



Imagens atuais do Bairro São Paulo a direita em Guarará e São Pedro a esquerda em Bicas.
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Imagens atuais das paisagens do Bairro São Paulo a direita em Guarará e São Pedro a esquerda em Bicas.

Vista a partir do Bairro São Paulo em Guarará. Ao fundo temos umas das clareiras deixadas pela exploração de saibro no passado.

Parecer da Câmara de Guarará autorizando o pagamento da indenização  a Jeronymo Mendes.

Lei n° 01 de 18/01/1898 sancionando o pagamento da indenização. O Agente executivo na ocasião era Álvaro Fernandes Dias.

Lei n° 01 de 18/01/1898 sancionando o pagamento da indenização. O Agente executivo na ocasião era Álvaro Fernandes Dias.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Cruzeiros em Guarará

 

É comum chegarmos a algumas pequenas cidades das Minas Gerais e nos depararmos com cruzeiros em locais altos das cidades, que ficam voltados geralmente para a maior parte de sua área urbana. Ao olharmos atentamente podemos observar que esses símbolos da fé cristã estão direcionados muitas vezes para o lugar onde se encontra uma Igreja Matriz ou Capela. Em boa parte dos cemitérios também é possível encontrar a presença de Cruzeiros.

No passado os Cruzeiros eram erguidos como ponto de demarcação para construção de Igrejas e marco para início da povoação de um território. Muitas cidades não só em Minas Gerais, mas no Brasil em si, surgiram a partir da instalação de um Cruzeiro e uma pequena Igreja.

Nas terras que viriam a ser o Arraial e Distrito do Espírito Santo se desconhece o local onde foi erigido o 1º Cruzeiro.  Na última década de século XIX surgem relatos que havia um grande Cruzeiro na área central da Vila do Guarará. Com base em algumas poucas imagens e nos relatos orais que atravessaram o tempo, este local seria o morro localizado acima do atual Destacamento Policial da cidade, que dá uma vista privilegiada do centro de Guarará.

A área do Cruzeiro era acessada por um pequeno caminho íngreme até a década de 1970 segundo informações de alguns moradores. Depois este trilho foi tomado pela vegetação de pastagem. No final da 1ª metade da década de 1990 o antigo Cruzeiro foi transferido para um ponto mais alto da cidade, onde se encontra até hoje, e pode ser visto de diversas partes da cidade. O local escolhido foi o Morro da Torre, acessado através da Rua Feliciana Francisca Dias. Sua estrutura permanece sendo de madeira.

O 2º Cruzeiro mais antigo que se tem notícias é o de frente a Capela de Nª Sª do Rosário. Sua data de instalação é um grande mistério a ser solucionado. Acredita-se que possa ter sido nos anos ou décadas seguinte à inauguração da Capela, ocorrida em 1890. Informações recentes apontam que o antigo Cruzeiro já deteriorado pela ação do vento, sol e chuva no alto da colina, foi substituído pelo atual na década de 1940. A iniciativa se deu por um grupo de moradores do entorno.

Ainda na década de 1940, logo nos primeiros anos, foi erguido um Cruzeiro no interior do Cemitério Municipal, em sua parte mais alta. O pedido para tal ação partiu do Pároco Padre Oscar de Oliveira via ofício para o Prefeito Bertholdo Garcia Machado, que acatou tempo depois. Não temos informações se o Cruzeiro existente é o mesmo daquela época, ou se foi substituído por outro material.

O Cruzeiro mais recente é composto por duas vigas de concreto e está localizado logo atrás da Ermida (Capelinha) de São Sebastião, localizada no trevo de acesso ao Bairro Mundo Novo via BR-267. A inauguração da Capelinha ocorreu no final de 1980, mas o Cruzeiro foi colocado posteriormente em data desconhecida.

Na área rural em frente à extinta Capela de São Joaquim, antes do muro, havia um Cruzeiro de madeira e o mesmo veio a sucumbir junto com a pequena Capela em data desconhecida. Na localidade do Desengano diante à Capela de Nª Sª do Rosário demolida algumas décadas atrás, havia um cruzeiro confeccionado em madeira.

O único Cruzeiro preservado na zona rural que temos notícias está localizado em frente à Capela de Nª Sª Aparecida na fazenda Vargem Grande, no alto de uma colina há várias décadas. Sua estrutura é em madeira.

No retrospecto de nossa história, esses são os Cruzeiros identificados em nosso município. Pode ter ocorrido a existência de Cruzeiros em outras partes da cidade, tanto na área urbana, como na rural, que não sobreviveram e nem deixaram vestígios de sua existência nas localidades onde estavam situados. Havendo outras informações atualizaremos a matéria.


Cruzeiro localizado no antigo local logo acima da Escola Ferreira Marques em 1938.

O Cruzeiro em seu novo lugar no Morro da Torre.

Vista parcial do Centro e Bairro do Rosário a partir da nova localização do Cruzeiro no Morro da Torre.

Cruzeiro em frente a Capela de Nª Sª do Rosário.

Atrás da Ermida de São Sebastião (Capelinha) está localizado seu Cruzeiro.

Em frente a Capela de Nª Sª Aparecida na Fazenda Vargem Grande temos um Cruzeiro preservado.