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terça-feira, 5 de maio de 2026

Rodovia Vital Brazil - BR 267

 

Com o crescimento cada vez maior em relação à rapidez proporcionada pelo crescente uso de veículos automotores, vem à tona a necessidade da abertura de estradas direcionadas a rodagem desses veículos por toda a região, além da adaptação de antigos leitos destinados aos veículos de tração animal para a nova finalidade.

Os primeiros trâmites sobre o assunto começaram no decorrer de 1911, mas foi a partir de 1912 que a ideia saiu do papel. A estrada partiria de Bicas, próximo à divisa com Juiz de Fora, passando por Guarará até chegar a Maripá, na divisa com o distrito de Rio Pardo (hoje Argirita), na Fazenda Santana, pertencente à Leopoldina.

O financiamento da nova estrada ficou a cargo da Diretoria de Viação, Obras Públicas e Indústria do Governo de Minas. Com o tempo, devido aos custos e dificuldades, a Câmara Municipal da Villa do Espírito Santo do Guarará contribuiu financeiramente com a obra, já que o benefício para o município era incalculável em termos de caminho seguro e agilidade para o deslocamento de gêneros agrícolas, em especial o café, até a sede dos distritos e daí para a Estação Ferroviária. Essa rodovia seria estadual.

A execução da obra coube ao município, que executava o pagamento dos funcionários e prestava contas ao governo estadual. O início da construção da estrada foi autorizado pela Resolução nº 126 de 22/06/1912. Os trabalhadores responsáveis pela abertura de novos trechos a se interligarem com os já existentes, em sua maioria, residem no Distrito de Maripá, em razão da localização geográfica ser mais próxima aos pontos que iniciariam as obras. (ilustrar com folha de pagamento)

Havia 2 turmas de funcionários: uma a cargo de Joaquim Manoel Corrêa e a outra tinha como responsável Antônio Ferreira Martins, substituído no decorrer do ano por Sebastião Nascentes de Azevedo. Ambas tinham sua frequência controlada pelo fiscal da Câmara Vicente da Costa Milagres. Havia um rigor por parte do Estado para que só liberasse o dinheiro se todos os trabalhadores tivessem seus benefícios em dia, como as férias, por exemplo. (ilustrar com ofício)

Alguns trechos dispersos de estrada já existiam, mas sem interligação com o trajeto proposto. Foi necessário fazer a ligação que não existia para tirar a tal sonhada rodovia do papel. Havia muitas dificuldades de logística devido ao grande adensamento florestal existente entre Maripá e Rio Pardo, além de animais ferozes, peçonhentos e falta de pontes, algo que levou a constantes atrasos. As fortes chuvas e a distância das sedes dos distritos para levar e trazer os trabalhadores e materiais era outra barreira que exigia persistência.

As obras fluíram no decorrer de 1912 em ritmo lento e nos anos seguintes com interrupções ocasionais que levaram ao atraso de certos trechos. Em 1915, a empreitada ainda não havia sido finalizada. Devido a diversas situações, a ligação completa que pretendia fazer entre Juiz de Fora e Leopoldina ficou com alguns pontos inacabados. Estes foram sendo realizados aleatoriamente no decorrer dos anos seguintes.

A realização desta importante obra rodoviária trouxe mudanças de visões no município. Em 29/05/1913, o Cap. José Vieira Camões fez a proposta para a construção da 1ª estrada de rodagem municipal para automóveis, abrangendo inicialmente o percurso entre Guarará e Bicas e estendendo até Maripá na sequência. Por motivos orçamentários, tal proposta não foi adiante, mas já abriu horizontes favoráveis ao progresso que seria trazido pelo automóvel. Outra importante iniciativa veio da Câmara Municipal através da Resolução nº 141, de 29/09/1914, que estabelecia o trânsito livre para a estrada de rodagem municipal entre Guarará e Bicas, passando pela localidade do “Areal” cujas terras pertenciam ao Cap. Jeronymo Dias Mendes.

                Apesar de todos os esforços diante das mais variadas dificuldades que foram superadas, a nova estrada não conseguiu unir em definitivo os pontos já existentes na rota planejada pelo governo estadual e os municípios. Vários ajustes foram sendo feitos na construção da rodovia ao longo do final da década de 1910 e principalmente na década de 1920, quando a rodovia finalmente ganhou contornos mais próximos dos que seriam vistos entre as décadas de 1930 a 1950, recebendo grande fluxo de automóveis, caminhões e ônibus. Neste período, a rodovia passou por dentro das localidades de Maripá, Guarará e Bicas. Com as obras de expansão, o contorno foi alterado para passar fora das cidades e assim aumentar a segurança e agilidade das viagens.

Entre as décadas de 1940 e 1950, havia uma linha regular de ônibus saindo de Leopoldina com destino a Juiz de Fora, passando pelos lugares que margeavam a estrada. A viagem era longa devido aos desvios, pontes improvisadas e estreitas com condições precárias, principalmente na época de chuvas que deixava o trecho com muitos buracos e valas, além de inundações.

Foi somente a partir da década de 1960 que foi pensada uma expansão e a prioridade no asfaltamento completo da rodovia entre Leopoldina e Juiz de Fora, a fim de facilitar o trânsito e a ligação entre outras partes da região com a rodovia Rio Bahia em Leopoldina (BR-116).

Em 1965, a rodovia passou a ser denominada de BR-267, recebendo o nome de Vital Brazil. A empresa responsável pelos serviços de terraplanagem e asfaltamento no trecho de Guarará foi a Cruza, que montou sua sede temporária na Praça do Divino num galpão que era usado para bailes carnavalescos. 

Imagem 01: Mapa completo da BR 267. Fonte Wikipédia.

Imagem 02: Ofício da Diretoria de Viação, Obras Públicas e Indústria sobre o financiamento 
das obras da rodovia no trecho entre a Fazenda Santana (Argirita) até Bicas.

Imagem 03: Documento da Câmara de Guarará informando o início das obras.

Imagem 04: Resolução n° 126 de 28/6/1912 autorizando a municipalidade a realizar as obras 
na estrada partindo de Bicas até Rio pardo (Argirita).

Imagem 05: Folha de férias dos empregados do trecho entre Rio Pardo e Maripá em 1912.


Imagem 06 e 07:  Lei nº  136 de 25/09/1916 autorizando a Câmara de Guarará a contratar com o Governo do Estado a estrada de rodagem nos termos acima.




terça-feira, 17 de março de 2026

José Duarte de Souza Marques

 

Esse cidadão português, natural da Vila do Valongo, desembarcou nas terras do Distrito do Espírito Santo provavelmente na década de 1880 e deixou sua marca na vida da localidade ainda quando era distrito e principalmente após a emancipação. Sua contribuição esteve em todos os setores da vida política e social da Vila do Espírito Santo do Guarará.

Era um hábil comerciante. Na Praça do Divino, fundou um diversificado armazém de secos e molhados que levava seu nome, sendo uma casa comercial de referência para a localidade e região próxima até seu falecimento em 1917. Com o tempo, conseguiu dotar seu comércio com os mais variados e refinados produtos para a época. Era um lugar onde se encontrava de tudo para o cotidiano de uma casa e até mesmo para os afazeres de fazendas e sítios.

Sempre esteve atento às necessidades e aos movimentos que surgiam em prol da localidade. Neste instinto de sempre colaborar, participou do movimento em prol da emancipação do Distrito do Espírito Santo em 1890, deixando seu nome em um abaixo-assinado que contou com mais de 300 assinaturas de pessoas de todos os segmentos e profissões. A partir daí, passou a se destacar na vida política e social da nova vila que surgia a partir de sua instalação em 01/02/1891.

Em 1895, esteve na presidência da corporação musical Lyra Espírito Santense, ao que se diga, esta foi a primeira banda de música da localidade. Entre 1895 e 1897 exerceu o cargo de Presidente do Conselho Distrital de Guarará, o equivalente à função de subprefeito na atualidade.

Após o falecimento em 1898 do padre Manoel José Corrêa, que ocupava o cargo de vereador e exercia a vice-presidência da Câmara nos momentos de ausência do presidente, coube a José Duarte de Souza Marques fazer o referido comunicado de padecimento à Diocese de Mariana por meio de telegrama.

Esteve à frente de comissões e da presidência de diversas obras e festas religiosas ocorridas na Vila do Guarará, em especial as festas do padroeiro, São Sebastião, Rosário e eventos esporádicos do meio religioso. Nas discussões para a criação da caixa escolar do Grupo Escolar de Guarará em 1914, foi eleito o presidente da Caixa Escolar do referido estabelecimento escolar, mantendo-se no cargo até seu falecimento. Esta mesma instituição mais tarde receberia o nome de Grupo Escolar Ferreira Marques. 

Na política, atuou como vereador por 3 legislaturas seguidas, sendo a primeira (1908-1911) eleito com 174 votos e nos pleitos seguintes atuou como vereador suplente. Faleceu em 07 de setembro de 1917 no exercício do cargo de vereador, para o qual foi empossado em 1916. A primeira eleição que disputou foi para vereador especial em 31/01/1892, obtendo 13 votos. 

Era casado com Maria Augusta Padilha Duarte, que faleceu em 1908 e não deixou herdeiros diretos no país, apenas em Portugal, segundo consta em seu inventário, que não foi localizado posteriormente.  O ramo de trabalho lucrativo para a época possibilitou a aquisição de muitos bens e posses em Guarará, entre casas, ponto comercial e um armazém de depósito.

Seu vasto espólio, composto pelos bens imóveis e móveis (ouro, prata, jóias e objetos de valor), créditos a receber e as mercadorias do armazém, foi liquidado para pagar as dívidas com credores e outros débitos, inclusive as altas custas judiciais que eram comuns à época. O andamento do inventário chegou a ser questionado pelo cônsul-geral de Portugal em Belo Horizonte, mas sem êxito. 

Sua passagem pela Vila do Espírito Santo do Guarará deixou marcas positivas na vida da localidade naquela época e seu nome entrou para a história desta terra.


Imagem 01: Recibo de sua casa comercial em 1895 para a Câmara Municipal de Guarará.

Imagem 02: Recibo de sua casa comercial em 1896 para a Estrada de Ferro Guararense.

Imagem 03: Assinatura de José Duarte de Souza Marques em documento do Conselho Distrital de Guarará em 1897.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Ginásio Comercial Castro Alves

Na busca constante pelo resgate da história e memória que envolve a cidade de Guarará, apresentamos o pequeno livro intitulado “Ginásio Comercial Castro Alves”. As páginas desta obra buscam mostrar aos leitores um pouco da trajetória da primeira instituição de ensino a ofertar o 1° grau em Guarará, a partir de 1968. O livro traz o que foi possível de se resgatar na documentação disponível, que não é extensa.

O colégio foi obra do saudoso professor Irineu Guimarães, juntamente com o professor Antônio Carlos da Rocha e um grupo de amigos, que uniram forças e buscaram suprir uma grande lacuna que existia no ensino local, que ofertava apenas até o 4º ano. Devido à perseguição da ditadura, o professor Irineu Guimarães teve que se afastar da direção do referido estabelecimento escolar, para que o mesmo não fosse fechado pelos militares.

Muito ainda permanece desconhecido a respeito da trajetória do Ginásio Comercial Castro Alves ao longo de sua existência, que foi de 1968 até por volta de 1984, quando cessou suas atividades. Em 1985, o ginásio passou a ser ofertado pela E. E. Ferreira Marques, num novo anexo construído para esta finalidade numa parceria da Prefeitura Municipal e Governo de Minas Gerais.

Esperamos que no futuro possamos encontrar novos documentos para subsidiar mais levantamentos sobre esta que foi uma instituição educacional pioneira na cidade, mas que ainda tem parte de sua história desconhecida pelas novas gerações.

O livro encontra-se disponível para retirada gratuita na Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio Histórico de 2ª a 6ª feira entre 8:00 e 12:00 h e 13:00 às 17:00 h. Quem desejar pode solicitar uma cópia em PDF através do e-mail esportecultura@guarara.mg.gov.br.





segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Documentário Maripá de Minas Anos 70 e 80.

Apresentamos o documentário "Maripá de Minas: Anos 70 & 80" que busca resgatar memórias e marcos históricos da cidade nestas décadas.

A produção promete emocionar moradores, ex-moradores da cidade e amantes da história ao revisitar momentos marcantes entre os anos de 1970 e 1988, período de intensas transformações sociais, culturais e políticas em Maripá de Minas.

Um documentário bem elaborado, rico em informações, que traz um importante legado histórico para as gerações atuais no quesito de história e memória. Este resgate abre caminhos ao aproximar o passado do presente numa busca contínua pela valorização cultural da sociedade maripaense rumo ao futuro.


Link de acesso ao documentário: https://www.youtube.com/watch?v=fev0B11CirY 


     Imagem 01: Convite do lançamento do Documentário Maripá de Minas Anos 70 e 80.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

História dos Logradouros Urbanos e Rurais de Guarará

 Através da 10ª Jornada do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, que aborda a temática "paisagem Cultural e Patrimônio Toponímico" trazemos um pouco da "História dos Logradouros Urbanos e Rurais de Guarará" buscando expandir o conhecimento acerca de nossa valiosa memória histórica para todas as gerações.

O vídeo a seguir traz um levantamento histórico feito a partir de documentos antigos que temos em formato digital. Foi uma pesquisa demorada, mas valiosa, que trouxe descobertas significativas quanto à origem e à menção aos lugares citados. Na verdade, uma volta ao passado para mostrar o quanto nossa história é rica e antiga.

Esse vídeo é a primeira parte de um trabalho extenso que seguirá pelos próximos meses a fim de apresentar a história de outros lugares da área urbana e rural de Guarará. Para esta tarefa, contamos com o apoio de toda a comunidade no envio de fotos antigas e mais recentes do meio urbano e rural de Guarará através do e-mail guararacultura@gmail.com ou pelo Facebook Guarará Patrimônio Histórico. 


Abaixo o link de acesso ao vídeo:

https://www.guarara.mg.gov.br/wp/10a-jornada-do-patrimonio-cultural-de-minas-gerais/ 






segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Visita de Tancredo Neves a Guarará

O ano de 1982 foi especial para a vida política de Guarará e região. Esta data ficou marcada pela presença de figuras notáveis da política mineira e nacional em Guarará. Isso ocorreu baseado nos movimentos democráticos que começavam a tomar conta e se espalhar pelos rincões do país.

Essa mudança de rumos e novas ideias deixaram marcas profundas na sociedade guararense, regional e no restante do país dali para frente. Em julho de 1982 a cidade recebeu a visita de notáveis políticos mineiros, entre eles, Itamar Franco, Tancredo Neves, Sebastião Helvécio, Silvio de Abreu, Jair Nascimento, dentre outros, que não conseguimos identificar até o momento. A presença ajudou na virada da política local nas eleições daquele ano.

Na ocasião todos eles abraçavam a bandeira do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) que estava em grande ascensão. Na cidade os políticos visitantes participaram de eventos políticos e sociais que atraíram atenção e curiosidade de muitos populares daqui e da região. O acontecimento único até o momento proporcionou ascensão de diversos cidadãos locais nas eleições daquela década.

A recepção ao ilustre grupo de políticos ocorreu na residência do Sr. Antônio Carlos da Rocha. No decorrer da visita aconteceu um comício improvisado em frente à casa do Sr. Gerson Elias, na Praça do Divino, com grande acompanhamento popular ao lado de lideranças da cidade e região.

Houve ainda a inauguração da sede da Escola de Samba Grêmio Recreativo Unidos da Praça, na Rua Joaquim Manoel Corrêa, no Bairro do Rosário. Na solenidade, discursou o presidente da agremiação, Francisco Antônio Guarnieri Moreira, alguns políticos locais, Tancredo Neves, além de outros visitantes. O local, com o tempo, passaria a ser conhecido por Rua da Quadra.  

***Abaixo apresentamos imagens da visita de Tancredo Neves e demais lideranças políticas. As fotos pertencem ao arquivo da Família de Antônio Carlos da Rocha (1946-2025).









terça-feira, 3 de junho de 2025

116 Anos Escola M. Ferreira Marques

Homenagem aos 116 anos de fundação da Escola Municipal Ferreira Marques, comemorados no último dia 30 de maio com agradáveis solenidades. A obra foi feita na semana do aniversário da instituição por um renomado artista guararense, que mais uma vez demonstrou seu talento para representar a joia arquitetônica que é o prédio secular da Escola Ferreira Marques.

Em 03/05/2025, o seu imóvel comemorou cem anos de construção, preservando os mesmos traços externos da época da inauguração, uma verdadeira joia que encanta as pessoas que passam pela cidade. No interior, recebeu diversas alterações e adaptações conforme as legislações pediam para tornar o local seguro e acessível nas últimas décadas.

Essas duas comemorações mostram a importância da Escola Municipal Ferreira Marques como berço de formação de nossas crianças e jovens ao longo destes 116 anos de excelentes serviços prestados em prol da educação local e regional.  O cenário atual é desafiador, mas a persistência em trilhar e buscar bons caminhos para uma educação bem alicerçada diminuirá as barreiras posteriores para nossos estudantes. O Ferreira Marques é um exemplo primordial para a região onde uma instituição escolar está enraizada, abraçada e fortemente apoiada pela comunidade e pelo poder público municipal.   


Imagem 01: Foto Rogério Belizario, em 30/05/2025.