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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Estrada de Ferro Guararense


Abaixo transcrevemos um pouco da interessante História da Estrada de Ferro Guararense, que o tempo lentamente vai se encarregando de apagar da memória dos antigos e dos registros históricos…

A idéia de construção da Estrada de Ferro Guararense surgiu na gestão do Agente Executivo Dr. Antero Dutra de Moraes em 1893. Seu objetivo inicial era ligar a Vila do Espírito Santo do Guarará a Estação Ferroviária de Bicas. Os projetos e trâmites para sua execução iniciaram no 2º semestre de 1893. Em alguns pontos por onde ia passar (Chácara, Areal e Rua do Bonde) foi necessário fazer desapropriações, algo que não agradou a todos na ocasião e que gerou paralisações nas obras. Atrasos nas indenizações e ações judiciais decorrentes do percurso da linha ferroviária contribuíram para o desgaste e prejuízo no caixa da obra. A falta de conhecimento técnico apropriado por parte de seus gestores e idealizadores também veio a retardar a finalização da pequena ferrovia de 5 km com bitola de 0,60.

A empresa que forneceu o maquinário e outros itens de tráfego foi a empresa Lidgerwood Manufacturing Co., Limited sediada nos EUA. As aquisições de materiais rodantes e peças iniciaram no final de 1894 vindas de sua unidade em Londres. Coube ao Agente Executivo Cel. Antônio Ribeiro de Oliveira e Silva finalizar as obras da Estrada de Ferro Guararense, que sofreu vários atrasos técnicos até sua inauguração em 23/07/1896.

Devido a diversos problemas entre eles a locomotiva não apropriada para o tipo de operação/trajeto, a Estrada de Ferro foi acumulando sérios problemas estruturais e prejuízos ao longo de 1896 até culminar na extinção do tráfego em 1897. Entre 1897 e 1898 foram feitas variadas tentativas de retomar a linha, mas essas ações terminaram sem sucesso e tornaram-se muito dispendiosas para os cofres da municipalidade aumentando as dívidas. Assim, encerrava-se de vez o curto período de funcionamento da Estrada de Ferro Guararense. O ideal teria sido a aquisição de uma locomotiva de maior capacidade de carga, já que o percurso era constituído de ladeiras e poucos trechos em linha reta, algo inviável de ser realizado por equipamentos menores na época.

Os trilhos foram reaproveitados para a abertura da futura linha de Bondes o qual veio ligar Guarará a Bicas entre 1899 a 1923. O material rodante da extinta Estrada de Ferro Guararense (locomotiva, vagão, girador e outras peças) foram leiloados após aprovação do Projeto de Lei nº 29 de 26/09/1900 ocorrido na gestão do Agente Executivo Cel. Álvaro Fernandes Dias. Atualmente, existem em torno de 200 documentos no Arquivo Municipal de Guarará que conta um pouco da curta história dessa pequena ferrovia. Num dos documentos vindos da sede da empresa que forneceu as peças e o maquinário é informado que foi enviado no final de 1894 um álbum contendo fotos da locomotiva, vagões e outros itens. Seu paradelo permanece um mistério. Infelizmente não sabemos se esse álbum chegou ao destino ou que fim veio a ter...

Com essa publicação buscamos resgatar um pouco do nosso passado com suas particularidades e assim, manter ativa nossa memória histórico-cultural na atualidade. Os fatos históricos precisam ser divulgados para que a maior quantidade possível de pessoas possa ter o conhecimento de sua existência. Um pouco mais sobre o tema pode ser pesquisado nos seguintes blogs do nosso amigo e colaborador Amarildo J. Mayrink:

http://guararahistoria.blogspot.com/2017/06/a-historia-da-estrada-de-ferro.html




A seguir listamos alguns documentos referentes a Estrada de Ferro Guararense:


Envelope padronizado datado de 1896.


Pedido de trilhos e locomotiva em 1893.


Orçamento para construção da Estação de Guarará em1894.


Balancete das obras  em 1895.


Recibo da prestação de serviços.


Edital de venda da  Estrada de Ferro 1896.


Publicação sobre Estradas de Ferro com Bitola 0,60 de 1892.


Comunicado de venda do material rodante da Estrada de Ferro em 1900.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Documentos Históricos

 

Apresentamos um breve levantamento cronológico acerca dos fatos históricos mais relevantes ao longo da evolução e desenvolvimento do Distrito do Espírito Santo até chegar à Vila do Guarará.

Essas informações contemplam leis e decretos que passaram a reger os destinos desta terra e de seus habitantes ao longo dos tempos. É através da criação de leis, decretos e portarias por parte dos legisladores e autoridades constituídas, que a administração de uma cidade é formalizada, obtendo legitimidade perante a sociedade local e regional, além do governo estadual, federal e dos municípios circunvizinhos.

Este levantamento contempla os documentos abaixo que estão disponíveis no Arquivo Público Mineiro e Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que tem sido valiosas plataformas na difusão de material histórico a respeito das localidades mineiras. Infelizmente algumas leis não foram localizadas e permanecemos a sua procura.


A Lei nº 1466 citada acima elevou o Curato do Espírito Santo a categoria de Paróquia em 01/01/1868. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


A Lei nº 2034 de 01/12/1873 formaliza a criação do Distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


Decreto nº 42 de 16/04/1890 elevando  o povoado de Córrego do Meio a categoria de Distrito de Paz com o nome de Maripá. Fonte: ALMG. 


Decreto n° 190 de 19/09/1890 elevando o Arraial das Taboas a Categoria de Distrito de Paz com a denominação de Bicas. Fonte: Câmara Municipal de Guarará.


Decreto nº 278 de 5/12/1890 elevando o Distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha a categoria de Vila. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


Decreto n° 343 de 22/01/1891 mudando a denominação da recém criada Vila do Espírito Santo para Vila Guarará. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


Lei nº 84 de 06/06/1894 alterado a denominação da Vila do Guarará para Vila do Espírito Santo do Guarará. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


Decreto n° 4.748 de 17/04/1917 instalando o Termo Judiciário da Vila do Espírito Santo do Guarará. Fonte: Arquivo Público Mineiro.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Obelisco


No início de 1922 surgiu à ideia por parte da Câmara Municipal da Vila do Guarará, da construção de um Monumento ao Centenário de Independência do Brasil a ser comemorado em 07/09/1922. O local escolhido foi à entrada próxima a Praça do Divino Espírito Santo, bem em frente ao Grupo Escolar Ferreira Marques, que ainda funcionava num sobrado antigo. As obras foram iniciadas no final do 1º semestre, sendo concluídas em período próximo a data comemorativa do 1º Centenário de independência do Brasil.

Em 2022 o popular “Obelisco” irá comemorar seus 100 anos na Praça do Divino como um dos mais belos cartões postais da cidade. Ao longo de todo esse tempo o monumento presenciou diversos acontecimentos marcantes em nosso município e é peça fundamental na História e Memória de nossa terra.

Nas linhas seguintes apresentamos o relato da solenidade que levou a inauguração do Monumento ao 1º Centenário da Independência do Brasil em 07/09/1922. O texto pertence ao Jornal O Guarará – Ano VI, nº 164, com data de 10/09/1922, editado na Vila do Guarará. O mesmo foi transcrito pelo Sr Francisco Tânio de Oliveira que edita o Blog O Guararense.

 

Iº CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM GUARARÁ

A GRANDIOSA DATA DO 1º SÉCULO DE NOSSA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

 Iniciaram se, aqui, no dia 7, os festejos com uma salva de 21 tiros, á 1 hora, no alto de uma das colunas que circundam a nossa pitoresca Vila, anunciando a alvorada da tradicional e gloriosa data.

Às 5 horas, alvorada pela banda musical “Espiritosantense”, que percorreu a nossa “urbst”, ao estrugir de fogos, etc.

Às 11 horas, na Matriz, foi celebrada missa solene pelo Revdmo. Cônego Ângelo Rezende, em homenagem ao grande acontecimento.

Às 13 horas, a Câmara Municipal deu início a sessão comemorativa com o hasteamento da Bandeira, ouvindo se o Hino Nacional, falando eloquentemente o sr. cap. Aristides Leite, na qualidade de paraninfo do ato de Juramento á Bandeira, que fizeram os alunos do grupo escolar “Ferreira Marques”, formados em frente ao edifício municipal. O juramento proferiu-o, com garbo, a inteligente quartanista Serafina Rabelo. Os alunos entoaram, após, o Hino à Bandeira, no que foram auxiliados por diversas senhoritas da nossa sociedade.

Seguiu-se a sessão especial da nossa edilidade, no salão nobre das reuniões, que foi hábil e distintamente ornamentado, em cores nacionais pelo inteligente jovem Newton Gribel.

Repleto o recinto do que de mais seleto tem a sociedade guararense, assumiu a presidência da sessão no caráter de presidente da Câmara, em exercício, o coronel Francisco de Paula Retto Júnior, a quem devemos a iniciativa das festividades a que se procediam, proferindo s. s. substancioso discurso sobre as solenidades e convidando para tomarem assento á mesa os senhores vereadores capitães Emídio Braz dos Santos, Luís Fabris, Cônego Ângelo Resende, cel. Vitor Belfort de Arantes e cap. José Vieira Camões.

Reunida assim a Câmara, o sr. Presidente declarou aberta a sessão especial, em comemoração à nossa Independência e transformou-a após em sessão cívica. Convidou para tomarem parte na mesa os seguintes senhores: o nosso redator-chefe, cap. Afonso Leite, na qualidade de chefe político deste município, de real e incontestável prestigio; cap. Antônio José da Costa Júnior, como juiz municipal, em exercício, do Termo; Dr. Carlos de Ouro Preto Pereira e professor Luís de Freitas Santos, como oradores oficiais das festividades: tte. Pedro Leite, como diretor desta folha; cap. Antero Soares e Afonso Bressane de Araújo, como tabeliães deste Termo: cap. Laudelino Rabelo de Vasconcelos, como tesoureiro da Câmara: Hermann Gribel, como secretário da Câmara; dr. Vicente Bianco, como inspetor Escolar Municipal; cap. Gustavo André Marcelino de Paula, como representante das industrias: cap. Apolinário Camões, como representante do comercio; cap. José Alfredo Garcia, Juiz de Paz, em exercício; major José Álvares de Oliveira Júnior, na qualidade de escrivão de Paz, da Vila; tte. Luís Maroco, como representante da agricultura; José Domingos Ferreira, como representante do operariado, cap. Josino Ribeiro da Silva, adjunto do Promotor; cel. Arlindo Ribeiro, coletor federal, cap. Aristides Leite, como delegado de Polícia: Felix Neira, como representante da “Gazeta Municipal”, e as exmas sras. d. d. Maria de Matos Camões, como representante da mulher brasileira, e Gabriela Alves Prado, como diretora do grupo escolar “Ferreira Marques”.

Organizada a mesa, o sr. cel. Retto Júnior convidou para dirigir os trabalhos ao prestigiosíssimo e querido chefe do P. R. M. de Guarará, cap. Afonso Leite, que, ao assumir a presidência, foi saudado por demoradas vibrantes e acaloradas palmas da grande assistência, a cuja fidalguia o homenageado agradeceu sensibilizado concedendo a palavra ao orador oficial, dr. Carlos de Ouro Preto. O discurso deste brilhante intelectual, que é incontestavelmente um dos mais belos talentos da atual geração de professores mineiros, foi uma página eloquente, onde, através de um estilo elevado, ao alcance de bem poucos, se (...) um histórico completo de todos os acontecimentos políticos do Brasil desde o seu descobrimento até aos nossos dias. Carlos de Ouro Preto, com uma fecundidade inexcedível de imaginação e vocabulário, de idéias e civismo, soube manter-se numa altura, digna da admiração e do apreço de que goza no meio intelectual de Minas o seu nome de escritor emérito e orador vibrante.

Depois de 50 minutos, entrou o orador na peroração, erguendo um hino de fé e amor á grandeza do Brasil.

Uma demorada salva de palmas o aplaudiu entusiasticamente.

Em seguida, pediu a palavra o sr. presidente da Câmara em exercício cel. Retto Júnior, que pediu fosse consignado em ata um voto de louvor e agradecimento à comissão dos festejos, composta dos srs. caps. Afonso Leite, José Vieira Camões e Pedro Leite, pelo modo galhardo com que deu desempenho à sua missão. Falou, depois, o nosso talentoso diretor, cap. Pedro Leite, que solicitou fosse também consignado um voto de agradecimentos ao jovem Newton Gribel, que muito auxiliou à comissão.

Fala, novamente, o sr. cel. Retto Júnior, que pediu escusas pela omissão involuntária que cometera corrigindo esse lapso com grande satisfação. E continuando com a palavra propôs se estendesse também um voto de aplausos a um grupo de cavalheiros de Bicas que promoviam naquele distrito, tocantes festividades em comemoração à data. O sr. presidente da sessão, cap. Afonso Leite, submeteu á apreciação da assembléia esse pedido, que foi aprovado com uma salva de palmas. Falou, após, o sr. dr. Vicente Bianco que, alegando-se membro da comissão promotora dos festejos cívicos de Bicas, convidava os membros da mesa e as pessoas presentes para assistirem às solenidades, e pedia à Câmara, ali reunida, desse, na ocasião oportuna, á praça, onde ia ser erguido o obelisco, o nome de praça do “Centenário, ou 7 de Setembro”, ou da “Independência”.

O sr. presidente, da mesa agradeceu a gentileza do convite do dr. Bianco.

Falaram, a seguir, o Revmo. Cônego Resende e a menina Eunice de Oliveira, que pronunciaram mimosas palavras em saudação à nossa independência, sendo muito aplaudidos.

Ninguém mais usando da palavra, Afonso Leite encerrou aquela sessão solene com formoso discurso alusivo ao grande acontecimento do dia. A sua palavra, que é ouvida sempre com emoção e aplausos, arrebatou a assistência, empolgando-a mesmo por sua eloquência, entusiasmo, gesticulação sóbria e perfeita, dicção clara e correta. Não constituiu nenhuma surpresa o seu discurso incisivo, mas brilhante, porque Afonso já é conhecido em nossa roda intelectual como orador vibrante e jornalista emérito, possuidor de um estilo corrente e breve, duma linguagem fluente, emotiva e ao alcance de todas as inteligências, Terminou o orador a sua alocução, fazendo o elogio da educação popular, nesta hora em que o século de nação livre, e que se torna necessária a campanha pela cultura do povo.

Terminou propondo um voto de louvor ao exmo. sr. cel. Retto Júnior, a quem se devia a iniciativa das festividades, e convidando a todos para assistirem, no jardim publico, á inauguração oficial do “Obelisco do Centenário”, que iria ali se levantar, graças ao ilustrado presidente da Câmara em exercício. As suas palavras foram delirante e longamente festejadas com palmas estrepitosas.

Tocou no salão a banda musical “Espiritosantense, que deu um cunho de extraordinário esplendor ás solenidades.

Terminada esta parte do programa oficial, seguiu-se á inauguração do OBELISCO.

Reunido o povo no jardim, o sr. presidente da Câmara, ladeado dos srs. vereadores e autoridades do município, procedeu á solenidade da inauguração, entre palmas da assistência. A seguir foram depositadas, pelas pessoas presentes, objetos e preciosidades na urna do obelisco. Para falar sobre o ato, o cap. Afonso Leite, presidente da sessão, concedeu a palavra ao orador oficial, nosso companheiro professor Luiz de Freitas Santos, que discorreu cerca de 45 minutos sobre aquela homenagem histórica e secular. O orador foi muito felicitado, cantando, após, um grupo: de senhoritas da nossa sociedade o “Hino da Independência”.

Pelos alunos do grupo escolar foram plantadas duas “Arvores da Independência”: no jardim e no pátio do grupo escolar sendo, por essa ocasião, entoado “Hino da Árvore”.

E, assim foi condignamente comemorado nesta Vila o primeiro centenário da Independência do Brasil. Também em Bicas e Maripá houve imponentes festejos, que oportunamente noticiaremos”.

Abaixo apresentamos algumas imagens referentes ao Monumento da Independência, o popular Obelisco: 

Registro do Obelisco na década de 1940


Vista do Obelisco após reforma da Praça do Divino em 1990


Documento de construção do Obelisco em 1922


Imagem do Obelisco em 2021


quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Paço Municipal de Guarará - Câmara

 

O terreno do imóvel sede da Câmara Municipal de Guarará foi adquirido de Paulo Roque e sua esposa Zumira Camões Roque (1889-1948), José Vieira Camões (1865-1935) e Maria de Mattos Camões, pela Câmara Municipal de Guarará, em 27/12/1917, por um conto de réis (1:000$000), conforme escritura pública de compra e venda feita em 27/12/1917, pelo tabelião Capitão Antero Soares de Almeida (1869-1959) e registrada no Cartório do 1º Ofício de Notas de Guarará.

A construção do atual imóvel se deu graças à verba destinada por Lei pelo Capitão José Vieira Camões, Presidente da Câmara e Agente Executivo entre 1923-1926.  A obra foi concluída em 1924 e foi solenemente inaugurada em 07/08/1925.

O imponente imóvel construído em área nobre na Praça do Divino possui uma arquitetura inovadora para a época e se destaca na paisagem pitoresca dos arredores da área central de Guarará. Desde a sua inauguração abrigou a sede do poder publico municipal. Com o passar do tempo tornou-se também sede em conjunto do poder executivo e legislativo.

Com o passar de décadas veio a apresentar uma série de problemas e danos estruturais que necessitavam de uma rápida intervenção por parte de seus responsáveis. Na metade da década de 1980, na gestão do Prefeito Antero Dias da Rocha, o imóvel teve de ser desocupado e as atividades transferidas para o prédio do antigo fórum Cel. Affonso Leite, na rua Capitão Gervásio. A partir daí o imóvel ficou fechado servindo de depósito, enquanto seus problemas pioravam com o passar do tempo.

As obras de restauração só iniciaram - se no ano 2000, na gestão do prefeito Antônio Carlos da Rocha, estendendo até 2003 quando o imóvel foi reinaugurado restaurado, em 07/09/2003. A partir daí passou a abrigar a sede do poder legislativo municipal. Posteriormente, passou por pequenas reformas em 2009, 2018 (pintura interna) e 2019 (pintura externa) sem perder as características originais.

O imóvel é um exemplar arquitetônico de uma fase da história do município, de maiores avanços políticos e econômicos. Além de fazer alusão à independência política de Guarará, por ter sediado o município pela primeira vez e por muitas décadas, o imóvel foi construído por grandes nomes da política local, entre eles, o Capitão José Vieira Camões e Affonso Leite.

O salão nobre do imóvel foi também importante centro cultural e social do município nas duas primeiras décadas, quando não contava o município com o Teatro Municipal construído entre 1939 e 1940, quando serviu também então de auditório e cinema. Alguns aspectos de sua história são bastante marcantes na memória da população antiga de nossa cidade.

O prédio do Paço Municipal foi reconhecido como um dos mais imponentes imóveis históricos de Guarará sendo tombado através do Decreto Municipal n° 1300/2003.


Fotografia da inauguração do Paço Municipal em 1925. O cidadão com o chapéu branco na mão no centro da multidão era o Cap. José Vieira Camões responsável pela execução da obra.


Na foto abaixo podemos observar o início das obras de restauração do Paço Municipal em 2000. Foto pertencente a Jânio Ferreira.


Imagem do Paço Municipal em 2019. Neste local funciona a sede do Poder Legislativo de Guarará


OBS: Texto adaptado do Livro Paço Municipal de Guarará organizado pelo Historiador e Pesquisador Rodrigo Machado Alves, em Janeiro de 2021.













quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

História de Maripá - III

                               

Com a terceira parte finalizamos o levantamento histórico sobre Maripá.

No dia 04/03/1893, foi criada a primeira escola do Distrito. Durante muitos anos funcionou em casas particulares, até que, em 1915, então sob a administração do Presidente da Câmara, Cel. Joaquim José de Souza, foi inaugurado o atual edifício escolar. Além de outras professoras que exercera a sublime profissão de educadora, encontra-se no registro escolar, as seguintes: D. Luíza Dias Fernandes, Maria Elysia Coelho, Natalina Mynssen de Mendonça, Maria Philomena da Conceição Vianna, sendo que, esta, ocupou a cadeira no período de 1911-1927, quando foi removida e pedido para Sant Ánna de José Pedro, hoje, Ipanema, em Manhuassu. Em seguida, foi a cadeira ocupada por D. Luiza de Carvalho Breyer. Em 1928, foi à escola desdobrada em duas cadeiras mistas, ocupando a primeira D. Luiza de Carvalho Breyer e a segunda, pela senhorita Esbelta Mattos, e com a remoção desta, para o Grupo de Guarará, foi substituída pela efetiva, senhorita Myrthes Ladeira. Atualmente, regem as duas escolas da sede, as professoras, D. Amélia Pereira da Silveira e senhorita, Laura Alvim Tostes.

Foram também em 1928, criadas as escolas das Fazendas da Cachoeira, propriedade do Sr. Manoel Raposo Teixeira, e da Serra, de propriedade do Cap. Quintino da Costa Mattos, e estão a cargo das professoras, DD. Maria Rosa Gotelipe e Liberalina Barbosa. O ensino no Distrito de Maripá vem sendo ministrado com muita competência, zelo e dedicação pelas atuais educadoras e tem nos últimos anos apresentando largo desenvolvimento, graças aos novos métodos adotados pelos nossos dirigentes.  Depois de várias transformações políticas na vida do distrito e conseqüentes sucessões dos diretores do P.R.M. de Guarará acham-se confiado os seus destinos políticos aos ilustres senhores: Cel. Affonso Leite, respeitável Chefe de onde irradiam todas as ilustrações precisas para o desenvolvimento progressista coletivo, e o Cel. Bertholdo Garcia Machado, atual Presidente da Câmara, que ao lado de seus companheiros camaristas, Cap. Quintino da Costa Mattos e José Ferreira de Souza, vereadores geral e especial pelo distrito respectivamente, vem pugnando com real proveito e destemido patriotismo pelo progresso visível e sempre crescente do florescente Distrito de Maripá.

Dentre os vários melhoramentos que se tem verificado nos últimos tempos, um se destaca entre eles, que é a instalação de Força e Luz, inaugurada em 03/05/1924, no mandato do então Presidente da Câmara, Cap. José Vieira Camões. Além deste, também digno de nota temos a citar a remodelação da drenagem de água potável que abastece a população da sede distrital de um modo satisfatório. Ainda como útil e indispensável benfeitoria, encontra-se o Cemitério Público, que vem sendo convenientemente zelado pela municipalidade. O Cemitério já existe desde a época pré-distrital, e foi remodelado na gestão Retto Júnior em 1907.

A população do Distrito é calculada, conforme o último recenseamento, em 4.271 habitantes. A religião é Católica Apostólica Romana; é sede de um curato pertencente ao Bispado de Juiz de Fora. Está colocado a 579 metros acima do nível do mar. A produção principal é o café, que constitui a sua principal fonte de rendas.

O solo é geralmente montanhoso, encontrando se nele algumas planícies e vales fertíssimos. A parte montanhosa é ocupada na sua quase totalidade pela lavoura cafeeira, existindo, porém, uma grande parte em matas, capoeiras e algum mato virgem. Existe algum trecho incultivável, que se encontra na parte culminante das montanhas limítrofes e centrais. Em resumo: o solo é bem acidentado, e o clima é excessivamente frio e úmido no inverno, quente na estação chuvosa, temperado e agradável no verão.

Abaixo temos a fotografia da antiga Escola Estadual de Maripá e na continuidade algumas imagens da Fazenda Monte Cristo, ambas publicadas no livro O Município de Guarará, de Roberto Capri em 1916. 






quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

História de Maripá - II


 Na sequência apresentamos a segunda parte acerca dos relatos históricos de Maripá.

O Cartório de Paz de Maripá foi iniciado em 04/09/1890. Os livros primeiros dos registros de nascimento, casamentos e óbitos, tem os seus termos de aberturas, lavrados na mesma data, pelo Juiz de Paz, Cel. Antônio Francisco de Souza e nessa mesma data, foi aberto o primeiro registro de nascimento de uma criança de nome Manoel do Nascimento, filho legítimo de José Alves Ribeiro e D. Idalina Ribeiro Guimarães, sendo escrivão interino, Antônio Theodoro de Mendonça Neto. Por uma fatalidade, o primeiro registro de óbito foi aberto ainda na mesma data e é referente ao mesmo Manoel do Nascimento que faleceu uma hora depois de registrado o seu nascimento.

No dia 11/12/1890, á uma hora da tarde, celebrou o primeiro ato de casamento civil, sob a presidência do Juiz de Paz Cel. Antônio Francisco de Souza e o Escrivão Mendonça; eram nubentes, o Sr Antônio Pacheco Calháu e a Senhorita Adelaide Hermenegildo (esta residente em São João Nepomuceno). Assinaram como testemunhas, os Srs Manoel João Giestal, negociante naquela época, e que hoje exerce a profissão de pedreiro, e Braz Cassela, falecido em 1924. Seguiram-se as assinaturas dos homens em evidência: Martinho de Campos Guimarães, João Furtado de Souza, João Carmo Teixeira, Delphino da Costa carvalho, Lucas Abílio de Souza, Rodolpho Furtado, Archangelo Baesso, (ferreiro), e o padre Antônio de Paula Dias. O livro numero um de notas foi aberto pelo Presidente da Intendência de Mar de Espanha, Pedro R. de Magalhães.

No dia 06/09/1890, foi passada a primeira escritura, que constou do arrendamento de um sítio denominado Cachoeirinha, feito por Antônio Bento Fernandes a João Bolimão, pelo prazo de 6 anos e o valor de Réis 8:400$000. Os talões foram extraídos na Coletoria e São João Nepomuceno, em 20/08/1890. Era coletor A. Bastos e Escrivão Rabello. Na mesma data, foi passada a primeira procuração.

A primeira escritura de Compra e Venda, foi passada, em 13/09/1890; vendedores, o Sr João Furtado de Souza e sua mulher D. Thereza Furtado de Souza, e comprador, o Comendador Domiciano Monteiro de Resende, a venda constava da Fazenda denominada Bom Sucesso, com a área de 103 alqueires de terras, grande quantidade de móveis, semoventes e diversas benfeitorias, pelo preço de Dezenove Contos de Réis (19:000$000), os talões foram extraídos da Coletoria de Mar de Espanha, sendo Coletor Carlos Benício de Mattos e o Escrivão J. P. de Figueiredo. Em 07/12/1890, assumiu interinamente o cargo de Escrivão, o Sr Lino Ribeiro de Magalhães e exerceu até o dia 03/07/1897, data em que, reassumiu o efetivo Cap. Antônio Theodoro de Mendonça Neto, que manteve-se no respectivo cargo até  o dia 07/08/1923, quando foi substituído pelo atual efetivo, José Caetano de Oliveira.



 Apresentamos a fotografia acima da região central de Maripá que foi publicada no livro, O Município de Guarará, de Roberto Capri em 1916.


A imagem acima ilustra parte do centro de Maripá no início da década de 1940.

 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

131 Anos de Emancipação


Em 05/12/2021, Guarará comemora seus 131 anos de Emancipação Política. Deixamos aqui os PARABÉNS a esta terra que sempre foi e é hospitaleira, desde os primórdios acolhendo a todos que aqui se instalaram em busca de uma vida melhor e assim, com o passar do tempo, contribuíram para o crescimento e desenvolvimento de nossa cidade, consagrada ao Divino Espírito Santo. Como homenagem, apresentamos um breve histórico de nossas origens.

 

Domingos Ferreira Marques e sua esposa eram titulares de sesmarias as quais receberam por concessão em 16/10/1818. Os requerimentos de ambas as sesmarias foram feitos em 23/05/1814 e aprovados pelo Governo da Capitania de Minas Gerais em 27/01/1816.

O sesmeiro Domingos Ferreira Marques, inspirado pela esposa Feliciana Francisca Dias, devota ao Divino Espírito Santo, doou 40 alqueires de terra para o Patrimônio de uma Capela de Aplicação, conforme escritura lavrada em 20/07/1828. Formou-se um curato e a construção de uma capela-mor foi iniciada pouco depois. A primeira Capela surgiu por volta de 1830. Posteriormente, essa Capela deu lugar a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, construída a partir de 1842 e finalizada em 1857.

Muitos ranchos para tropas foram levantados na pequena povoação e nas suas imediações. O primeiro rancho que deu abrigo a milhares de tropeiros e viajantes que vinham do campo para o Rio de Janeiro foi o de José Antônio, no lugar onde se denomina Extrema. O segundo foi construído no Largo da Igreja, hoje Praça do Divino. O arraial servia de parada para os deslocamentos entre o Rio e Minas. O local foi denominado Curato do Espírito Santo, que décadas depois receberia o nome de Guarará.

Em 01/01/1868, através da Lei nº 1.466, o Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha é elevado à categoria de Paróquia, observando as mesmas divisas. Mais adiante pela Lei nº 2034 de 01/12/1873 é criada a Freguesia do Espírito Santo do Mar de Espanha. O café constituía a principal fonte de riqueza de nossas terras e tempos depois, cedeu espaço a pecuária e cana-de-açúcar.

O Distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha foi emancipado através do Decreto nº 278 em 05/12/1890. Sua instalação administrativa ocorreu somente no ano seguinte em 01/02/1891 na casa do 2º Barão de Catas Altas (Antônio José Bastos Gomes) na Praça do Divino. Neste local atualmente funciona a Escola Municipal Ferreira Marques. Em 22/01/1891, pelo Decreto Estadual nº 343, a Vila do Espírito Santo passou a denominar-se, simplesmente, Vila do Guarará. Segundo a Lei nº 84 de 06/06/1894 a Vila do Guarará passou a denominação de Vila do Espírito Santo do Guarará, acatada pelo Estado de Minas por sugestão do Vereador Padre Manoel José Corrêa. Essa denominação permaneceu até o final da década de 1920. A partir daí, passou a adotar novamente o termo Vila do Guarará, até meados da década de 1940, quando usou somente o vocábulo Guarará.

Conta à tradição que, o 2º Barão de Catas Altas, logo após o decreto de emancipação tinha que escolher um nome para a nova Vila. Sem tempo hábil para consultar os moradores e correligionários, veio à ideia de homenagear onde sua esposa nascera na região da Vila de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), porque, em sua terra de origem, havia um riacho com o nome de 'Guarará', na Fazenda Guarará, talvez por saudosismo, resolveu denominar o local recém-emancipado de 'Vila do Guarará', em substituição à Espírito Santo do Mar de Espanha.

 


 Largo do Divino no início da década de 1940

                               

Região Central em 1995