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quarta-feira, 30 de março de 2022

Fundação da Imprensa em Guarará

 

A 15 de maio de 1892, inaugurou-se sob os melhores auspícios, a imprensa neste município. Fundado por Ladislau Rabello de Vasconcellos, José Octaviano Padilha e Theodolindo de Assis, o jornal O Guarará foi o primeiro periódico a ser editado em nossas terras. Foi o impresso que mais tempo circulou em nossa cidade até finalizar suas atividades por motivo desconhecido em 1941.

Tempos depois os fundadores passaram o controle do jornal O Guarará para Joaquim Fróes Vieira Pisco, que manteve as edições semanais do periódico seguindo a mesma linha de divulgação dos gestores anteriores. Com o passar do tempo o jornal foi transferido para a gestão de outras pessoas. Em 1914 o Cel. Afonso Leite juntamente com seu irmão o Tenente Pedro Leite adquire o jornal O Guarará do editor e redator Professor Irineu Cândido de Souza.

No ano de 1916, mais precisamente em 11 de abril, as edições do periódico O Guarará são paralisadas voltando somente a partir de 14/07/1919. A partir desta data não houve novas interrupções e o jornal manteve-se nas mãos do Cel. Afonso Leite até sua desativação. A contribuição de O Guarará para a memória e história de nossa cidade foi imensa em todo seu período de existência. Infelizmente até o momento desconhecemos os motivos que levaram a paralisação das publicações do Jornal O Guarará e qual foi a sua última edição.

Após 1892 outros jornais passaram a ser editados em Guarará. O número exato destes exemplares é desconhecido. È lastimável que grande parte deles não sobreviveu ao tempo para que chegasse ao nosso conhecimento para difusão. Algumas coleções foram perdidas em incêndios residenciais ao longo de décadas passadas para o desespero da História. Outras se deterioram em traças e cupins ao ponto de serem perdidas totalmente conforme relatos obtidos.

Os jornais existentes em Guarará eram publicados em maior parte na Tipografia de O Guarará e na do Jornal A Gazeta de Guarará, pertencente ao jornalista Francisco de Sequeiros Teixeira. Com o passar das décadas outros impressos que foram surgindo eram confeccionados em diversas tipografias que foram se tornando populares na região.

De acordo com informações coletadas em diversos meios tivemos com edição em Guarará ao longo do tempo os seguintes jornais: O Guarará, O Autonomista em 1893, O Diabinho, A Semana, A Gazeta de Guarará, A Bússola, O Amaryllis, O Lírio, O Gavião, A Abelha, O Juvenil e Vozes Infantis do Grupo Escolar Ferreira Marques, O Poste do saudoso Olivan Abrahin e por fim a Voz de Guarará criado em 2010 e que permanece apenas na versão digital atualmente.

Durante mais de meio século os jornais impressos foram à forma mais rápida e eficiente de fazer a informação chegar a diversos locais, em especial nas pequenas cidades em menor intervalo de tempo. Na maioria das ocasiões os jornais eram transportados em malotes no interior dos vagões de carga dos trens que cortavam as serras da região chegando rápido ao seu destino.

Com o passar de décadas e com a presença cada vez mais popular do rádio e da TV nos lares da região, os jornais impressos foram perdendo espaço. Aos poucos os jornais existentes foram sumindo das bancas e a fonte de noticiais foi transferindo para outros meios. Uma época de glamour e belos escritos chegara ao fim. A cultura e a memória de nossa cidade e de municípios da região saindo perdendo de goleada com este duro golpe que ceifou um dos meios mais antigos de comunicação.

É possível e benéfico para nossa História que após a divulgação desta matéria venham a surgir novos nomes e informações de jornais que foram editados em Guarará em tempos remotos. Muitos recortes do passado podem estar no fundo do baú de famílias tradicionais que viveram por várias gerações em Guarará á muitas décadas atrás e que no decorrer do tempo migraram para outras cidades e regiões do país em busca de melhores condições de vida.

Fonte: Criação da Imprensa - Jornal O Guarará de 14/07/1930 (adaptado)


Abaixo citamos alguns exemplos de Jornais publicados em Guarará, Maripá e Bicas:


Jornal O Guarará de 26/10/1892.


Jornal O Diabinho, uma raridade. Esta imagem foi obtida numa casa de leilões em 2018.


Jornal O Guarará de 11/04/1895.


Jornal A Gazeta de Guarará editado em 15/05/1898.


Jornal A Semana em 09/02/1899.


Jornal O Gavião de 17/06/1928.


Jornal A Abelha em 29/11/1931.


Jornal O Maripaense com data de 18/03/1900. Até o momento não encontramos informações sobre este raro jornal.


Jornal A Bússola editado em Bicas - 28/04/1901.


Jornal O Município editado em Bicas - 24/06/1923.


Bicas Jornal em 26/07/1925.


Jornal O Biquense editado em 11/11/1951.


sexta-feira, 18 de março de 2022

Futebol no Passado

 

A presença do futebol em terra guararense é antiga, mas carece de informações precisas. Por volta de 1922 estava em atividade o Ipiranga Football Club, cujo presidente era Mário de Andrade. Em 1930, o Cruzeiro Futebol Clube já existia em pleno funcionamento. Posteriormente, em agosto de 1935 houve a fundação do Guararense Futebol Clube, segundo reportagem do jornal O Guarará. Entre as décadas de 1930 a 1940 encontramos atuação frequente dos times do Cruzeiro, do Guararense e de combinados locais em partidas amistosas e oficiais, tanto no município, quanto na região.

Ao longo dos anos seguintes surgiram outros pequenos times de várzea que tentaram rivalizar com os já tradicionais clubes do Cruzeiro e Guararense, mas sem obter o merecido prestígio. O time que conseguiu maior destaque entre os pequenos foi o da Congregação Mariana Futebol Clube criado em 1940. O futebol no passado estava ligado a eventos cívicos, festividades políticas, sociais e religiosas em Guarará, conforme apuramos em diversas edições do Jornal O Guarará. Aliás, O Jornal O Guarará, era a principal fonte de informações de divulgação das atividades desportivas em nossa cidade, em especial o futebol.

Naqueles tempos não havia campeonatos municipais nos moldes contemporâneos. As disputas não levavam a competições internas pelo que foi apurado. O sentido das partidas era interativo e social. A Prefeitura Municipal apoiava os clubes nas partidas quando elas eram festivas ou quando levavam os interesses de promoção do município a outros lugares da região.

As partidas envolvendo os times locais e os convidados da região geralmente eram acompanhadas por grande público. A interação entre o futebol e a população era expressiva em todas as camadas sociais da época em questão. O futebol era um instrumento agregador, mesmo com as rivalidades políticas já existentes no campo, onde certo time já era associado a determinado grupo político. Todas as agremiações guararenses eram amadoras.

O local onde aconteciam as partidas urbanas na década de 1930 e 1940 era mencionado como sendo um campo existente nas proximidades da Praça Raul Soares nas reportagens consultadas. Este local atualmente é o Estádio Municipal Prefeito Antero Rocha, reinaugurado em 1988 com o nome de Estádio da Colina. Na ocasião, o recinto pertencia ao Guararense Futebol Clube.

Até o momento não foram encontradas informações acerca do ano que ocorreu às primeiras partidas de futebol realizadas em nossas terras. Os registros quanto à presença do futebol por aqui são escassos, apesar da grande popularidade em todos os cantos da cidade. Sabemos que a prática do futebol era comum entre nossos jovens e adultos em tempos remotos. A falta de registros documentais e fotográficos das partidas nas primeiras décadas do século XX traz uma lacuna na história desta importante prática desportiva em Guarará. Esperamos um dia suprir esta carência com informações e registros que possam surgir após a divulgação deste texto.


Uma partida de futebol em Guarará. Registro sem data.



Imagem extraída do Jornal O Guarará em 1930.


Imagem da Sede do Cruzeiro extraída do Jornal O Guarará em 1930.

Fundação do Guararense F. C. em 1935. Texto extraído do Jornal O Guarará.


Partida do Guararense x Comercial em 1937.


Jogo entre o Guararense e  a Congregação Mariana em 1940.


quarta-feira, 9 de março de 2022

ELEIÇÕES DE 01/11/1900

 

As eleições municipais realizadas no passado possuíam características singulares daquela época onde não havia rádio e muito menos máquina de escrever. O acesso ao telefone nesta região permanecia muito limitado. O meio de comunicação mais veloz ainda era o bom e eficiente telegrama. O número de eleitores era pequeno e as mulheres ainda não tinham o direito ao voto.

A organização dos pleitos municipais era burocrática e demorada, já que todo processo era manual. As listagens contendo os nomes dos eleitores precisavam ser revistas com antecedência para corrigir os erros existentes na data de nascimento, nomes trocados ou em duplicidade. As falhas e omissões nos dados dos votantes eram comuns e exigiam bastante atenção dos presidentes de seção e mesários. Muitos erros de ortografia com relação aos nomes de filiação (pais) dos eleitores eram identificados a todo o momento nas listas e nem sempre corrigidos a tempo. Ainda havia os casos relativos a fraudes intencionais promovidas por alguns políticos visando benefício próprio ou de seu grupo no dia da votação.

Outro fator que chamava atenção, mas ainda era pouco comentado oficialmente era a presença do voto de cabresto vinculado aos coronéis da velha política municipal, que acirrava os ânimos antes e no dia da eleição. A força policial era pequena tanto na Sede (Guarará) e nos distritos de Bicas e Maripá e geralmente faziam vista grossa para beneficiar certos grupos políticos. As brigas e tumultos eram previsíveis e em certas ocasiões extrapolavam para fora do viés político daquele dia.

As eleições realizadas em 01/11/1900 foram muito disputadas e conturbadas com denúncias de compra de voto e intimidação em todos os locais de votação do município por parte dos cabos eleitorais vinculados ao Dr. Emílio Luiz Rodrigues Horta vencedor da apuração (455 votos) e ao Barão de Catas Altas (279 votos), que foram os concorrentes ao cargo de Agente Executivo Municipal para o mandato de 1901-1904. Além da escolha do Agente Executivo, houve votação para vereadores gerais e especiais (Distritos), Conselhos Distritais da Sede e Distritos e Juiz de Paz.

O resultado do pleito era confirmado por uma Junta Apuradora alguns dias depois. Após a reunião da junta, emitia-se um documento que após assinado por todos os responsáveis pela execução e acompanhamento do processo eleitoral, este era remetido ao Presidente da Câmara Municipal oficializando o resultado do escrutínio. O processo parecia ser bem organizado para os padrões daquele tempo, apesar de burocrático. O edital contendo o resultado do processo eleitoral era impresso e fixado na porta da Câmara Municipal, órgãos públicos e alguns estabelecimentos comerciais.

Nestas eleições não estavam em evidência somente o cargo político e suas vantagens, mas sim toda uma rede de influência econômica e social presente na vida das pessoas que viviam nos limites do município. Os interesses políticos regionais também despertavam atenção visando estabelecer uma rede de influências na capital Belo Horizonte juntamente com outros grupos políticos de cidades próximas.

Pelo que observamos em diversos documentos municipais de despesas daqueles tempos, a população pobre e humilde não tinha grandes benefícios com as eleições municipais. As vantagens ficam nas mãos de poucas pessoas ou grupos reduzidos ligados ao governante que ocupava o poder. Não havia grandes obras de infraestrutura urbana e rural. As intervenções consistiam em limpeza de prédios públicos, ruas, praças, córregos e consertos de pontes. Aliás, o serviço de conserto e construção de pontes de madeira era o item que mais chamava atenção em todas as gestões do passado. Naquele tempo ainda não havia pontes de concreto no município e as de madeira tinham um desgaste maior devido ao transito de carros de boi e carroças levando a produção agrícola de um canto para outro.

Esta forma de divulgação do processo eleitoral municipal via edital impresso foi a mais usada até fins da década de 1920 na cidade de Guarará pelo que conseguimos apurar. A maioria dos pleitos teve seu resultado exposto seguindo este modelo de documento, que apresentamos na sequência relativo à eleição de 01/11/1900. Infelizmente nem todos os editais sobreviveram ao passar de décadas para contar um pouco da nossa história política e suas particularidades.


Edital com o resultado das eleições de 01/11/1900 em Guarará.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Cadeia de Guarará

 

Um importante ícone da história e arquitetura guararense que não existe atualmente, a não ser em nossa memória e nos registros fotográficos do passado.

O imóvel foi construído no ano de 1889 conforme inscrição contida acima da porta principal do bem. Sua escritura foi lavrada em Ouro Preto em 08/01/1891, no livro 13, fls 50 sendo os transmitentes Francisco Carneiro e sua esposa Deolinda Pinto Carneiro, que doaram o imóvel ao Estado de Minas Gerais para a implantação da Cadeia Pública de Guarará.

O local funcionou como Delegacia de Polícia e Cadeia até meados da década de 1980. Nesse período a edificação começou apresentar sérios problemas estruturais advindos de fatores diversos e precisou ser desocupada. Em 1990 passou por um processo de restauração e voltou novamente a ser utilizada somente como delegacia. Pouco tempo depois no final da década de 1990 o imóvel ficou sem uso.

Com a supressão da finalidade de delegacia e cadeia, o imóvel ficou fechado por algum tempo. Este fechamento acarretou problemas estruturais e danos ao telhado. A partir do final da 1ª década do século XXI o imóvel começou a dar sinais de que não suportaria muito tempo sem alguma intervenção. Como as intervenções por parte do poder público não vieram, o prédio da cadeia foi demolido por apresentar riscos as pessoas e veículos que passavam em frente.

Se houvesse interesse e boa vontade por parte do Estado de Minas (dono do imóvel) creio que este imóvel poderia ter sido recuperado em conjunto com a municipalidade. Diante desta infeliz situação, perdemos um importante ícone de nossa história e arquitetura de um tempo passado que não voltará. Por isso, é importante a implantação de políticas públicas municipais voltadas para a preservação de nossos bens históricos visando que os mesmos não sofram danos que os tornem irreversíveis em termos de manutenção.

Uma sociedade e um Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural atuante, seja em qual cidade for, garantem meios e condições essenciais para que a preservação da memória e história de um local não seja perdida por descaso e abandono de bens considerados históricos, mesmo que estes sejam pertencentes ao estado e ao governo federal.
 
Prédio da Cadeia após sua única restauração realizada no decorrer de 1990. A partir desta data veio a funcionar como Delegacia de Polícia. Fonte da Imagem: Antônio Carlos da Rocha.
 
 
Imóvel da Cadeia Municipal no ano de 1941 com suas estruturas em perfeito estado de conservação. Fonte da Imagem: Arquivo Municipal.
 
 
Nesta foto (entorno de 2010) o imóvel estava bastante deteriorado com o telhado afundando e partes do reboco externo soltando. Fonte da Imagem: Facebook Guarará em Fotos.
 

Mais um registro deplorável do estado de abandono da antiga Cadeia de Guarará em torno de 2010. Pouco tempo depois o imóvel seria demolido apagando parte de nossa história para sempre... Fonte da Imagem: Facebook Guarará em Fotos.
 

 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Abaixo Assinado de 1890 - Emancipação

 

 Este pequeno manifesto com suas páginas amareladas pela ação do tempo e devido ao manuseio ao longo de 132 anos, guarda um pouco da desconhecida história da mobilização em prol da emancipação do antigo Distrito do Espírito Santo em 1890. Nestas linhas estão registrados os nomes de 372 cidadãos que assinaram este documento com a intenção de ver a sua terra emancipada trazendo melhorias para seus habitantes e familiares.

O abaixo-assinado foi idealizado pelo Clube Republicano do Distrito do Espírito Santo do Mar de Espanha na pessoa do saudoso Antônio José Gomes Bastos, o 2º Barão de Catas Altas. Nele são apontados os motivos para obter a emancipação como a falta de zelo por parte da Municipalidade em questões de manutenção e outras necessidades relacionadas a melhorias na vida administrativa e cotidiana do Distrito.

O pequeno livro intitulado Reportagens Históricas sobre o Município de Guarará, escrito por Sebastião Gomes Baião, filho do 2º Barão de Catas Altas em 1932, traz um pouco da história deste importante documento.

Diversos nomes que deixaram suas marcas na vida e na história de Guarará, Maripá e Bicas estão registrados para sempre nas linhas deste precioso documento histórico que sobreviveu ao tempo. Através desta petição temos a possibilidade de conhecermos um pouco do passado referente a emancipação do então Distrito do Espírito Santo que ocorreria posteriormente em 05/12/1890. Muitas questões referentes ao movimento em favor da emancipação ainda permanecem desconhecidas devido a falta de documentação. Esperamos com o tempo conseguir fontes confiáveis que permitam desvendar os fatos que desenrolaram no decorrer de 1890 e que levaram a concessão da emancipação no final daquele ano.

Aproveitamos a oportunidade para pedir as pessoas que por ventura possuam em seus arquivos e lembranças de família fotos, jornais, livros e documentos antigos referentes a Guarará e sua história (inclusive Maripá e Bicas) que possam nos enviar digitalizado através do e-mail rodrigomachado906@gmail.com. Infelizmente nossa região desconhece a sua origem e precisamos agir em busca de mudar esta realidade. Acredito que muitas pessoas de famílias antigas que vivem em nossa região tenham um pouco de informações para repassar e assim todos juntos colaboraremos para que a História da Região não fique esquecida no baú do tempo, que um dia sucumbirá para sempre… 

 

A seguir apresentamos o documento, que está no Arquivo Municipal de Guarará, na íntegra:

 





quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Ata de Posse da 1ª Câmara da Villa do Guarará

 

O documento transcrito na sequência conserva a sua ortografia original de quando foi publicado pelo Jornal a Gazeta de Notícias, na cidade do Rio de Janeiro, num sábado em 12/03/1892. O assunto que está na lateral direita da página 03 do periódico de n° 72 é a respeito da posse da 1ª Câmara Municipal eleita pelo voto popular na Vila do Guarará.

A eleição realizada no final de janeiro e início fevereiro de 1892 foi à primeira na vida política da Vila do Guarará, que foi instalada em 01/02/1891. Neste pleito foram escolhidos os vereadores gerais e distritais, conselheiros distritais e por fim o agente executivo (equivalente a prefeito na atualidade) no dia 31/01//1892. A eleição para juízes de paz da sede e dos distritos ocorreu no dia 01/02/1892. Mais adiante em 30/05/1892 foi realizada a votação para escolha do Presidente do Estado de Minas Gerais, dois senadores e quatro deputados. Como podemos observar as eleições para cargos políticos não ocorriam todas no mesmo dia e somente os homens tinham direito ao voto.

Quando uma cadeira ficava ociosa por falecimento, renúncia ou impedimento era convocado novo pleito para preenchimento do cargo declarado vago. Este tipo de eleição geralmente tinha um comparecimento menor se comparado com a anterior. Quando necessário era redigida uma ata para a organização e preparo da documentação da mesa eleitoral um dia antes do pleito para que não ocorresse imprevistos e fraudes no dia da votação. Vale ressaltar que naqueles tempos não havia Justiça Eleitoral no Brasil e os serviços eleitorais eram supervisionados de perto pelo Juiz de Paz de cada localidade.


****Abaixo transcrevemos na íntegra a 1ª Ata de Posse conforme redigida na ocasião:


Acta da sessão de posse da Camara Municipal da Villa do Guarará

Aos sete dias do mês de março, do anno de mil oito centos e noventa e dois, no paço da Camara Municipal d’esta villa do Guarará, às 12 horas do dia, presentes os intendentes barão de Cattas Altas, presidente, capitão Silvestre Henriques Furtado e Antonio Francisco de Souza o adjunto José Ribeiro de Oliveira, pelo presidente foi aberta a sessão e nomeada uma commissão para introduzir no salão os vereadores que se achavam na antesala. Regressando a commissão precedida dos vereadores João Luiz Alves Vianna, Francisco Gonçalves de Souza, Francisco José Bastos de Campos e Francisco Carneiro, foi pelo presidente da camara prestado o solenne compromisso de bem e … cumprir os deveres de seu cargo, promovendo quanto em si couber o bem estar e prosperidade do municipio. Em seguida e successivamente, foi o mesmo compromisso prestado por todos os vereadores presentes. Sendo o ex-presidente da Intendencia, actual presidente da camara, e tendo sido eleitos vereadores os Intendentes capitão Silvestre Henriques Furtado, Antonio Francisco de Souza e adjunto José Ribeiro de Oliveira, conservaram-se todos no salão, occupando os respectivos lugares.

Assim empossada a camara procedeu-se de accordo com o disposto no art. 27 da lei de 14 de setembro de 1891, à eleição do vice-presidente a qual deu o seguinte resultado: João Luiz Alves Vianna, 7 votos; José Ribeiro de Oliveira, 1 voto. Em seguida o presidente da intendencia municipal, cuja missão finda hoje, o qual o actual presidente d’esta camara, fez uma exposição relativa a passada administração, e pediu o concurso de seus colegas para a realisação das medidas que o município reclama. Por deliberação unanime da camara municipal da villa do Guarará foi expedido ao Exm. Dr. presidente do Estado o seguinte telegrama: a camara municipal da villa do Guarará em sua primeira sessão felicita a V. Ex. Pela completa e pacifica reorganisação do glorioso Estado de Minas, e reclama em nome de seus munícipes, a nomeação dos funcionários d’este foro. Foi igualmente resolvido se consignasse na acta um voto de louvor e gratidão ao patriota Dr. Cesario Alvim, pela sabia e criteriosa administração, graças a qual o Estado de Minas Gerais conserva-se unido, prospero e feliz.

Achando-se presentes os cidadãos eleitos juizes de paz pelo districto da villa do Guarará comendador Francisco Joaquim de Noronha e Silva, Emygdio Braz dos Santos e José Fernandes Dias; pelo districto de Maripá comendador Domiciano M. de Rezende e Antonio Ferreira Martins, e pelo de Bicas Torquato A. de Carvalho, José Monteiro Torres e Alvaro Fernandes Dias, e os presidentes dos diversos concelhos districtaes, sendo presidente do concelho districtal da villa do Guarará Francisco Baptista de Alvarenga, do districto de Maripá Antonio Ferreira Martins faltando com participação o presidente do concelho districtal de Bicas, Francisco Barnabé da Fonseca Barroso, que declarou acceitar o logar e tomar posse logo que possa comparecer.

Foi lido um officio do 3º juiz de paz do Maripá, Delphino da Costa Carvalho, declarando não acceitar o cargo, ficou resolvido por esta camara muncipal ao 1º immediato em votos ao 3º eleito Francisco Estevão de Oliveira para tomar posse, sendo para isso officiado.

Foram convidados pelo Sr. presidente a tomarem o compromisso do estylo de bem servir os referidos cargos, e os fizeram como consta do termo que assignaram no livro proprio.

Ficou convocada uma outra sessão para amanhã, as 11 horas. Em seguida, o vereador João Luiz Alves Vianna, pedindo a palavra. Lembrou a camara a publicaçao da presente acta em umas das folhas da Capital Federal, o que foi aprovado; em seguida. O Sr. presidente declarou que, tendo findado o mandato do conselho da intendencia municipal, findava com elle os logares dos funcionarios, para preenchimento de cujas vagas fará na próxima sessão as indicações necessárias.

Dada a hora, o Sr. presidente declara encerrada a presente sessão, do que para constar lavra a presente acta. Eu, José Ribeiro de Oliveira e Silva, secretario interino.

Barão de Cattas Altas, presidente.

João Luiz Alves Vianna, vice-presidente.

Francisco Gonçalves de Souza.

Francisco José Bastos de Campos.

Antonio Francisco de Souza.

Silvestre Henriques Furtado.

Francisco Carneiro.


Nas linhas seguintes listamos alguns documentos do pleito de 1892:

Algumas assinaturas de eleitores da 3ª Seção de Guarará em 1892.





Esta listagem acima contempla todos os eleitores inscritos na 2ª Seção de Guarará em 1892.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Linha de Bondes – Ferro Carril Guararense


A nostálgica linha de bondes movida por tração animal, que ligou as localidades de Guarará a Bicas entre 1899 até 1923 foi à sucessora da extinta Estrada de Ferro Guararense, que paralisou suas atividades em 1897. Esta foi à alternativa encontrada pelas autoridades municipais na ocasião para reaproveitar parte da infraestrutura existente e amenizar os custos com um novo meio de transporte eficiente e de baixo custo entre os dois locais naqueles tempos.

Os primeiros testes com o bonde de tração animal ocorreram no final de 1898 e foram conduzidos pela Câmara Municipal, com boa aceitação de acordo com publicações de periódicos da época, como a Gazeta de Guarará. Os bons resultados deram fôlego à ideia da instalação da linha de bondes pouco tempo depois. A via recebeu algumas modificações para adaptar os trilhos e a estrutura de tráfego anterior para receber os bondes. A inauguração realizou-se em 15/01/1899 com o 1º bonde saindo da Praça do Divino em direção a Estação de Bicas as 12:00 h.

A Câmara Municipal promoveu uma licitação que daria o direito de exploração do trecho para quem oferecesse o maior lance pela prestação dos serviços de bonde. O vencedor do primeiro contrato de exploração dos serviços da linha de bonde foi o Sr. Pascoal Lamoglia, que possuía uma oficina de caldeiraria e permaneceu por alguns anos a frente da função vencendo diversos certames públicos para a continuação da exploração da linha. Seu 1º contrato de cessão foi oficializado em 30/09/1898 através da Lei nº 05 com a chancela do Agente Executivo Cel. Álvaro Fernandes Dias. O curioso é que este contrato foi firmado antes do início dos testes de funcionalidade da linha.

A partir de 1904 outros cidadãos assumem a concessão da linha de bondes, dentre os quais destacamos: Antônio José da Costa Júnior, Manoel Portes da Silva e José Donato. A manutenção dos bondes e trilhos ficava a cargo da Câmara Municipal na maioria dos editais. Já a conservação dos bondes era por parte do vencedor da licitação, embora nem todos respeitassem essa questão.

A Resolução n° 207 de 18/05/1922 abriu caminho para os estudos de remodelação da Ferro Carril Guararense o que levaria ao fim do tráfego de bondes. A adaptação do seu leito para o trânsito de automóveis e congêneres seria concedida por hasta pública por um período não inferior a 10 anos e nem superior a 20 anos conforme acertado na comissão de Legislação e Redação da Câmara Municipal da Vila do Espírito Santo do Guarará.

O último contrato de concessão da Ferro Carril Guararense foi firmado nos termos do Edital de 28 de Setembro do ano corrente, sendo a proposta única feita em 25/11/1922 por Pedro Orlando. O responsável pela administração dos serviços de bondes anteriormente era o sr. Domingos Orlando desde 1917. Pouco tempo depois no segundo semestre de 1923, o tráfego da linha de bondes era oficialmente extinto pelo Agente Executivo Cap. José Vieira Camões. A intenção era para dar espaço à implantação de uma linha de ônibus ligando a Vila do Guarará a de Bicas a partir de 1924.

A linha de bondes se tornou defasada devido a vários fatores como a expansão e acessibilidade aos veículos automotores que passavam a circular em maior número na nossa região. Outro motivo foi à abertura de novas estradas de rodagem que visavam interligar e facilitar o tráfego de veículos automotores entre cidades e distritos em detrimento aos meios de transporte considerados menos ágeis. 

A ligação permanente entre os vários pontos de estradas abertos a partir de 1912 que existiam isolados entre Leopoldina e Juiz de Fora, no decorrer da década de 1920 foi mais um impulso ao crescente transporte rodoviário. Décadas depois a expansão da mobilidade rodoviária extinguiria os poucos trechos nostálgicos de ferrovia que existiam ativos na região.



Ponto final da Linha de Bondes na década de 1910. Ao fundo é possível ver a Estação de Bicas. No local onde está o bonde funciona atualmente a Prefeitura de Bicas. No passado o imóvel da fotografia pertenceu à família Farhat.


Ponto final da Linha de Bondes na parte inferior da Praça do Divino em Guarará na década de 1910. Neste registro é possível ver os trilhos com nitidez. Na imagem o bonde estava posicionado no sentido para Bicas.


Convite da Secretaria da Câmara da Villa do Espírito Santo do Guarará convidando para a solenidade de inauguração da Linha de Bondes em 15/01/1899.


Proposta feita pelo Sr. Pascoal Lamoglia para assumir a Linha de Bondes em 13/09/1898 que acabou sendo a vencedora.


O outro interessado em explorar os serviços da Linha de Bondes foi o Sr. Ladislau Rabello de Vasconcellos em 14/09/1898.