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terça-feira, 12 de julho de 2022

Jornal O Guarará

 

Durante quase 50 anos foi o principal periódico editado na Vila do Guarará. Sua 1ª edição ocorreu no ano de 1892 através dos jornalistas Ladislau Rabello de Vasconcelos, José Octaviano Padilha e Theodolindo de Assis. Entre 1892 até sua extinção por volta de 1941/42 houve alguns períodos que o impresso deixou de circular por motivos ainda desconhecidos em cada ocasião.

A 1ª interrupção foi no final da década de 1900. Antes de ser paralisado ele pertencia a J. da Cruz & C. e seu reator era Joaquim Froes Vieira Pisco. A data de sua retomada não conseguimos identificar. Posteriormente o jornal paralisou suas atividades novamente em 11/04/1916, retornando alguns anos depois em 14/07/1919. Esta data de sua volta marca curiosamente o aniversário da imprensa no município, conforme pode ser observado em várias edições do jornal anualmente neste período supracitado.

Em 1914, O Cel. Affonso Leite adquire o Jornal O Guarará e passa a editar o mesmo até seu encerramento entre 1941/42.  O Cel. Affonso Leite era auxiliado por prestigiados redatores e colaboradores como Áureo de Assis, Serzedelo Louro, Ten. Pedro Ferreira Leite, Plínio de Freitas, Elcenor Leite, Antenor de Paula, Marcílio de Andrade e Lymirio de Oliveira, dentre outros ajudantes.

A escrita contida nas entrelinhas do jornal chamava atenção pelo trato fino com as palavras e frases bem elaboradas, numa época em que a fala e a escrita eram tidos como carro chefe na comunicação eficaz entre as pessoas. No jornal é nítida a variação ortográfica que nossa língua foi adquirindo ao longo dos anos. As expressões usadas nos textos, que hoje são estranhas a nossos padrões, eram tidas como elementos fundamentais na maioria dos jornais daqueles tempos remotos.

Boa parte de fatos relacionados à história de Guarará e sua gente passa pelas linhas deste jornal entre 1892 até 1941/42. Os registros contidos em suas páginas ajudam a compreender um pouco de como foi à vida passada neste rincão da mata mineira. Suas edições contêm muitas informações que são consideradas relevantes e históricas quando observadas com atenção no momento atual.

Seu fim inesperado e inexplicado até os dias atuais foi um duro golpe na imprensa escrita da Vila de Guarará.  Um ofício interno da Prefeitura em agosto de 1942 ainda apontava a existência do Jornal O Guarará. A circunstância que levou a seu encerramento ainda é um mistério. Esperamos um dia encontrar tal informação, seja numa edição do próprio jornal, ou em outros documentos.

Após o Jornal O Guarará parar de circular, não há notícias da existência de outro periódico de grande longevidade nos anos seguintes editado em nossas terras. Até hoje existem vários exemplares em mãos de colecionadores. Muitos jornais estão disponíveis para leitura em espaços culturais de Guarará e da região. Eles guardam um pouco da nossa história e muitas curiosidades.

O legado presente no Jornal O Guarará para a história e memória de nossa terra é imenso conforme os anos avançam. Esperamos um dia reunir o máximo possível de exemplares num só local para perpetuar a cultura e as tradições de Guarará e da região que foram divulgadas em suas páginas. È de suas linhas amareladas que estamos extraindo muitos dados históricos e às vezes curiosos da história e dos costumes vivenciados naqueles tempos de sua edição.

Jornal o Guarará em 23/08/1893


Jornal o Guarará em 19/06/1904


Jornal o Guarará em 13/02/1916


Jornal o Guarará em 14/07/1919


Jornal o Guarará em 27/05/1928


Jornal o Guarará em 14/07/1930


Jornal o Guarará em 14/04/1935


Jornal o Guarará em 23/07/1936


Jornal o Guarará em 05/12/1940


Uma das últimas edições do Jornal O Guarará em 25/05/1941. A existência de outras publicações após esta data são desconhecidas por nós.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Fonte da Rua Tiradentes

 

Esta fonte de água é tão antiga quanto à existência do Distrito do Espírito Santo. Na época distrital já havia relatos da pureza de sua água, entre as outras fontes existentes no entorno da região central do Largo do Divino.

Seu uso intensificou-se após a emancipação com o aumento da população na área urbana central. Naqueles tempos remotos não havia rede de abastecimento domiciliar na cidade. Á água obtida era através de captações direto em minas e nascentes, para onde as pessoas se dirigiam em busca de água para saciar a sede e as suas necessidades diárias em suas residências.

A sua remodelação ocorreu somente na década de 1940. Neste período o local de captura da água passou por mudanças e readequações no seu entorno, visando melhorar a estrutura de acesso ao local. Algumas obras de limpeza e estabilização do terreno foram promovidas ao longo do tempo pela gestão municipal.

A mudança principal foi somente em 1949 quando o local recebeu uma estrutura de concreto armado com laje, muros de contenção lateral e a colocação de ladrilhos no chão e nas paredes laterais. A chegada ao recinto recebeu uma calçada larga e nas laterais houve a construção de canteiros para alocar pequenas plantas ornamentais. Partes dos serviços foram executados pelos seguintes operários: Benjamim Amâncio, José Bessa e Francisco Manoel. O pedreiro foi José Ferreira Campos auxiliado pelo servente Manoel Jorge.

O prefeito responsável pela realização da nova infraestrutura foi Marcos de Souza Rezende, que havia assumido interinamente a Prefeitura por alguns meses no lugar do Cel. Affonso Leite. Alguns anos depois um pouco acima foi erguida a Biblioteca Municipal Rui Barbosa, inaugurada em 03/05/1952.

Atualmente esta mininha mais que centenária ainda possui uma água límpida e apropriada para consumo humano. Mesmo com o advento da água encanada acessível a todos os lares do município, ela continua prestando valorosa contribuição a nossa comunidade em pleno século XXI.


Imagem da Mininha na década de 1950 com a Biblioteca Municipal ao fundo.

Folha de pagamento de cidadãos que trabalharam na extração de areia e no encanamento da Mininha.

Documento contábil relativo a materiais usados na construção da mininha.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Tapete de Corpus Christi

Uma manifestação Católica surgida em Portugal e que posteriormente com o advento da colonização, foi introduzido nas terras brasileiras, e rapidamente se popularizou de norte a sul do país conforme a ocupação portuguesa ia ganhando espaço no interior.

Segundo a Arquidiocese de Brasília: "Seu sentido é de honrar a devoção à Santíssima Eucaristia, homenageando Nosso Senhor Jesus Cristo com a produção do caminho pelo qual ele passará, conduzido pelo bispo ou sacerdote no ostensório, fazendo memória, também, da multidão que estendia ramos e mantos para que Jesus passasse em sua entrada em Jerusalém na Semana Santa.O primeiro a passar sobre o tapete é o bispo ou padre que porta Jesus Eucarístico e somente depois outras pessoas podem pisar. Tanto é que, na procissão de entrada da Missa, todos aqueles que a compõe, passam nas laterais do tapete, reservando-o para Jesus que passará na procissão ao final da Celebração".

Em Minas Gerais a tradição dos tapetes de Corpus Crhisti são comuns desde as cidades históricas passando pelos pequenos municípios, até chegar aos médios e grandes centros urbanos. Em Guarará não temos a data exata do primeiro tapete confeccionado, mas é certo que esta tradição remonta a muitas décadas atrás.

Em 2022 este legado histórico e cultural ficou a cargo dos jovens da Crisma e de um grupo de pessoas ligadas a Paróquia do Divino Espírito Sando, com o apoio do Pároco Pe. Rodney Henriques, além de inúmeros colaboradores de nossa comunidade. Os temas  que mais chamaram atenção foi o dedicado a Nª Sª Aparecida e as Mães que Oram pelos Filhos.

Deixamos os agradecimentos a todos colaboradores e o incentivo para que esta tradição cristã possa manter-se firme e constante em nossa cidade nos anos vindouros. A preservação e manutenção de nossas tradições culturais cabe a toda comunidade. É com a união e o apoio de todos os setores de nosso município que vamos manter viva nossa memória, história e cultura para as próximas gerações, e o Tapete de Corpus Crhisti é uma delas.

 A seguir apresentamos algumas imagens do tapete de Corpus Christi em Guarará:












Fotos de Rodrigo Machado Alves em 16/06/22


quarta-feira, 8 de junho de 2022

REISADO DO DIVINO

 

O Reisado do Divino é uma manifestação tradicional de Guarará, uma vez que o Padroeiro do Município é o Divino Espírito Santo, porém deixou de acontecer por aproximadamente 30 anos, sendo resgatado no ano de 1989 pelo então Pároco Pe. Marcelo de Souza Magalhães. Após ser revista pelo sacerdote voltou a acontecer ao longo de 1989 até o final da 1ª década do século XXI, período em que foi novamente interrompida.

No decorrer de 2022 alguns paroquianos procuraram o atual pároco propondo a volta desta importante tradição imaterial de nosso município, que iniciava um mês antes das festividades em honra ao nosso padroeiro, o Divino Espírito Santo. Com o aval do Pe. Rodney Henriques, o grupo se organizou novamente tendo como proponentes: Rosane da Silva Fiochi, Antero Souza Rocha, Débora Rodrigues Bambino, entre outros. O grupo se uniu aos jovens da crisma e a diversas pessoas da comunidade que tinham habilidades com instrumentos musicais de corda para resgatar esta celebração festiva.

Com o apoio da Paróquia e Comunidade, o grupo conseguiu recursos para consertar e adquirir novos paramentos, além dos demais objetos para iniciar as apresentações.  O Reisado iniciou suas apresentações pelo Bairro São Paulo e Areal, até chegar à área central da cidade na tarde de sábado, véspera da festa de Pentecostes. O resgate desta tradição de nossa terra foi bem recebido pela comunidade por onde passava. Suas apresentações encantaram o público mais idoso, que teve a oportunidade de recordar os Reisados do passado. Aos mais novos foi à chance de conhecer de perto em sua rua o que é uma apresentação do Reisado do Espírito Santo com suas músicas e seus trajes típicos.

As origens do Reisado e da festa do Divino vêm de Portugal, onde foram instituídas pela Rainha Santa Izabel de Aragão e pelo Rei Dom Diniz, pelos fins dos anos de 1200, após contraírem matrimônio em 11/02/1281.  Com a vinda dos imigrantes, as festividades se se difundiram de norte a sul pelo Brasil, conforme a colonização ia avançando por nossas terras a partir de 1600. A presença do Reisado em Minas Gerais é uma tradição enraizada na cultura das pequenas cidades.

Em relação à Guarará, uma das hipóteses é que o surgimento do Reisado está associado à fundação da Irmandade do Divino Espírito Santo, ocorrida em 1855 e posteriormente aprovada pelo Governo da Província de Minas. O termo de compromisso da Irmandade foi publicado em 1871 pela Tipografia Perseverança de Antônio Maria Coelho da Rocha, na cidade do Rio de Janeiro. Seu conteúdo infelizmente permanece desconhecido.

A escassez de documentos históricos relativos aos primeiros anos da Igreja e as ações da Irmandade, tem dificultando a busca por respostas mais precisas acerca do surgimento do Reisado em nossas terras. Outra possibilidade a ser considerada é o fato de Dona Feliciana Francisca Dias, esposa do Capitão Domingos Ferreira Marques, que era devota do Divino Espírito Santo, tenha aberto caminhos para a realização desta celebração anos após a doação dos 40 alqueires de terra para a construção de uma Capela em honra ao mesmo em 20/07/1828. Com o tempo esperamos conseguir encontrar eventuais registros documentais que atestem a introdução das festividades do Reisado em nossa comunidade.

O Reisado do Divino é um bem cultural inventariado de nossa cidade e está registrado como Patrimônio Cultural Imaterial, na subcategoria de celebrações desde 2006.

 

DESCRIÇÃO DO RITUAL DO REISADO DO DIVINO

Os participantes percorrem as ruas e a zona rural, partindo pela manhã e retornando no final da tarde.

A bandeira vai à frente seguida pelo rei e a rainha, que são seguidos pelo encarregado da oração e o palhaço, depois os brincantes encarregados da coreografia e os instrumentistas.

Ao chegarem às casas cantam e oferece à bandeira, o encarregado da oração reza pelos moradores, pela casa, pedindo para a família a proteção do Divino Espírito Santo. Logo depois o palhaço se apresenta pedindo a oferta, seguido da apresentação da coreografia, onde os brincantes apresentam-se numa roda usando bastões. A dança é realizada do lado de fora da casa observada pelo rei e pela rainha.

Após a coreografia mais uma vez o palhaço se apresenta e realiza-se a cantoria. Após a cantoria faz-se a oração e o verso de despedida. Toda esmola recolhida é entregue na Igreja Matriz no dia da festa.

 

MÚSICAS: CALIX BENTO

Oh Deus, salve o Oratório

Oh Deus, salve o Oratório

Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus

Onde Deus fez a morada, oiá

Onde mora o Cálix Bento

Onde mora o Cálix Bento

E a Hóstia Consagrada, oiá, meu Deus

E a Hóstia Consagrada, oiá

De Jesse nasceu a vara

De Jesse nasceu a vara

Da vara nasceu a flor, oiá, meu Deus

Da vara nasceu a flor, oiá

E da flor nasceu Maria

E da flor nasceu Maria

De Maria, o Salvador, oiá, meu Deus

De Maria, o Salvador, oiá

Oh Deus, salve o Oratório

Oh Deus, salve o Oratório

Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus

Onde Deus fez a morada, oiá

Onde mora o Cálix Bento

Onde mora o Cálix Bento

E a Hóstia Consagrada, oiá, meu Deus

E a Hóstia Consagrada, oiá

De Jesse nasceu a vara

De Jesse nasceu a vara

Da vara nasceu a flor, oiá, meu Deus

Da vara nasceu a flor, oiá

E da flor nasceu Maria

E da flor nasceu Maria

De Maria, o Salvador, oiá, meu Deus

De Maria, o Salvador, oiá

Oh Deus, salve o Oratório

Oh Deus, salve o Oratório

Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus

Onde Deus fez a morada, oiá

Onde mora o Cálix Bento

Onde mora o Cálix Bento

E a Hóstia Consagrada, oiá, meu Deus

E a Hóstia Consagrada, oiá

De Jesse nasceu a vara

De Jesse nasceu a vara

Da vara nasceu a flor, oiá, meu Deus

Da vara nasceu a flor, oiá

E da flor nasceu Maria

E da flor nasceu Maria

De Maria, o Salvador, oiá, meu Deus

De Maria, o Salvador, oiá

 

Abaixo apresentamos algumas imagens das apresentações do Reisado em 2022:


***Fotos de Antero e Débora
 

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Livro de Posse de Empregados Municipais

 

Entre os diversos documentos que compõem o arquivo histórico da Prefeitura de Guarará, temos uma série de livros referentes aos primeiros anos de administração de nossa cidade recém emancipada. Os assuntos são variados e às vezes chamam atenção pelo fato de certos registros serem estranhos aos olhos da modernidade do século XXI.

Um destes livros históricos é o que registra o juramento e posse dos empregados municipais da Vila do Guarará. Este livro foi aberto em 03/02/1891 pelo 2º Barão de Catas Altas, que ocupava o cargo de Intendente Municipal (função semelhante à de prefeito) e permaneceu em uso até 08/01/1903. Apesar de estar com mais de 130 anos este livro conserva-se em bom estado e sua grafia, se comparada com outros, é bem nítida e de fácil interpretação. Trata-se de uma relíquia histórica que sobreviveu ao tempo e ao manuseio muitas vezes incorreto ao longo de sua existência.

O 1º funcionário foi nomeado no mesmo dia de abertura do livro pelo 2º Barão de Catas Altas e os demais integrantes do Conselho de Intendência que era o Dr. José Telles de Menezes, Antônio Francisco de Souza e Comendador Firmino François Alibert, que empossaram o Sr. Luiz Pinto para o cargo de Secretário da Intendência Municipal. A 2ª nomeação foi de Marcelino José Dias de Castro para o cargo de porteiro e contínuo da Intendência.

Em 03/03/1891 perante as pessoas acima listadas tomou posse como fiscal geral do município de Guarará, Cassiano Gonçalves Loyola. Ainda neste dia foram nomeados para fiscal no Distrito de São José de Bicas, Francisco José de Andrade e para fiscal do Distrito de Maripá, Lucas Abílio de Souza Ferreira.

No dia 13/03/1891 o cidadão José da Rocha Pinto recebe a nomeação como Procurador Geral da Intendência de Guarará. Posteriormente, outros funcionários são nomeados e realocados conforme os meses vão passando em razão de renúncias, substituições e outros motivos diversos relativos à administração local até o ano de 1903.

A conservação de um livro histórico como o de Juramento e Posse de Funcionários Municipais, contribui na preservação e manutenção de nossa história local e regional (Bicas e Maripá de Minas). Seu conteúdo permite conhecer como era as funções e cargos públicos na última década do século XIX e início do século XX na sede e nos distritos. Suas páginas amareladas trazem o registro da história e memória administrativa de um período importante para nossa cidade, que começava a dar seus primeiros passos na vida autônoma.

Abaixo apresentamos um pouco dos registros contidos no referido livro: