Páginas

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Teatro Municipal Parte 02

O prédio do Teatro Municipal é um valioso bem histórico e cultural e por isso está incluído no Patrimônio Histórico de Guarará desde 2003. No entorno próximo é o único exemplar do gênero que sobreviveu ao tempo e a desvalorização das artes cênicas.

O sólido, moderno, confortável e lindo Teatro Municipal que a Prefeitura local acaba de construir nesta cidade, vai ser festivamente inaugurado no dia 23 do andante. | Era o único próprio público de que se ressentia esta| cidade, que agora fica dispondo de tudo necessário ao relativo conforto e bem-estar de sua população. É mais um importante e útil marco que fica assinalando à fecunda administração de que desfruta o nobre povo guararense, construído e já pago pela respectiva verba orçamentária, despendida sem o sacrifício de outros serviços municipais. Sabemos que não foram pequenos os esforços dos empreendedores dessa magnífica obra educativa e recreativa Mas, sabemos também que não lhes faltou o apoio e a boa vontade de nossa gente. Vários foram os donativos recebidos, entre os quais é de se registrar mais uma vez a rica e artística Bandeira Nacional, oferta das damas guararenses, e iniciativa e confecção do ilustrado corpo decente do Grupo local; a superior cortina da boca de cena, oferecida pelo Cel. Bertholdo Garcia Machado; o letreiro luminoso da fachada principal, dádiva do funcionalismo federal, estadual e municipal local, e o fardamento para a corporação musical, presente valioso do Cel. Pedro Leite. O nosso Teatro está lindamente decorado, mobiliado, dispondo de tudo mais necessário ao fim a que se destina. Satisfaz, com vantagens, exigências locais, e oferece aos espectadores conforto e ambiente que devem agradar ao gosto mais exigente. Sua inauguração será ás 19 horas em ponto, com o seguinte programa, sujeito a modificações: Apoteose á República, sendo o Hino Nacional cantado por 21 meninas, representando, cada uma, um Estado da Federação Brasileira; discurso do Prefeito e orador oficial da solenidade; Hino da Bandeira, por um coro de meninas; um ato variado, e a representação da interessante comédia "Não me contes esse pedaço", por um grupo de amadores locais. Só terão ingresso as pessoas previamente convidadas e munidas de um cartão cujo número corresponde ao da cadeira que lhe está designada. Por não ser possível convite geral, o mesmo espetáculo será repetido no dia seguinte, dedicado às pessoas que, somente por falta de espaço, não puderam ser chamadas para o ato inaugural, e as crianças das escolas públicas, sendo os ingressos distribuídos na hora, na bilheteria do Teatro. Por mais esse melhoramento antecipamos nossos parabéns, não ao nosso grande Prefeito, mais ao querido povo de nossa amada terra.

Jornal O Guarará, ANNO XXI, N.º 21 Guarará, 01 de junho de 1940

 

Sua Brilhante Inauguração

 Vinte e três de junho de mil novecentos e quarenta ficou registrado em nossa historia local como uma das grandes datas para o nosso município. É que nesse dia ficou completo o quadro de próprios municipais necessários ao aparelhamento da boa administração e ao merecido conforto da nossa população, e enriquecido o nosso patrimônio público com mais um imponente prédio de valor - o Teatro Municipal — cuja inauguração foi imponente e surpreendente, graças aos esforços, sem par, do nosso relator e a boa vontade do nosso estimado Prefeito, Cel. Bertholdo Garcia Machado. Por iniciativa do digno vigário, Revmo. Pe. Oscar de Oliveira, nossas principais ruas amanheceram engalanadas, e durante o dia o movimento da nossa urbe foi desusado, havendo vários exercícios esportivos.

Às 19 horas, repleto o teatro de distintas famílias deste e dos municípios circunvizinhos, especialmente convidados, rompeu a banda, musical "10 de Novembro" o Hino Nacional e no palco se descortinou o empolgante quadro — apoteose à República — estando esta e os Estados da Federação representados por 22 mimosas meninas vestidas a caráter. Findo o hino, cena aberta, aparece no palco à prestimosa figura do Prefeito, Cel. Bertholdo Machado, que num belo discurso declarou inaugurado o teatro, passando a palavra ao orador oficial da solenidade. Revmo Pe. Oscar de Oliveira que, com a cultura e proficiência que lhe são peculiares, produziu empolgante oração delirantemente aplaudida. Seguiu-se o hasteamento da Bandeira Nacional, no palco, com o respectivo hino entoado por 21 meninas. Foi um momento de geral comoção. Esses dois lindíssimos quadros despertaram vivo entusiasmo e aplausos da assistência.

Teve, então, lugar a representação de um ato variado, canto, canções, declamações, _cena cômica e etc, no qual tomaram parte as interessantes crianças - Terezinha e Edson Monteiro, Clidene de Araújo, Paula, Misael e Iraídes Costas, os quais foram de grande felicidade no desempenho da representação que a cada um coube pelo que foram todos entusiasticamente aplaudidos. Aos presentes foram distribuídos bombons e doces variados. Um grupo de amadores organizado pelo nosso redator, e composto das distintíssimas senhoritas, normalista Laura Alvim Tostes, professoras Aparecida Tostes, Nivalda de Souza, Cileia Galil e Regina de Souza, e dos ilustres cidadãos, José Monteiro da Silva, Camilo Abrahão e Arnaud Gribel Filho, levou a cena a hilariante comédia "Não me conte esse pedaço". O desempenho foi perfeito, não se tendo notado a mais ligeira falha. Tão perfeito que a unanimidade dos espectadores tiveram a impressão de estar diante de profissionais da arte dramática. Geralmente, cada qual deu brilhante desempenho ao seu papel, de modo que não se pode fazer destaque individual, eis que o conjunto foi deveras surpreendente. Esse mesmo espetáculo foi repetido no dia seguinte dedicado as exmas famílias que não puderam ser chamadas, para o ato inaugural, por falta de espaço e transcorreu como na primeira representação. Antes dessa última representação, teve lugar a Benção do edifício, ministrada pelo culto e incansável vigário, desta freguesia, Revm. P. Oscar de Oliveira. Benção que foi paraninfada pelas exmas. sras. dona Olívia Machado, Carmosina Leite, Zilda Mattêo, Aida de Assis, Luíza de Carvalho Breyer e Julieta Varanda Rocha.

A orquestra do palco ficou a cargo dos srs. Álvaro Gribel, João Furtado, Sebastião Pires e Moacir Barroso, e a da platéia sob a regência de Otávio de Carvalho, fundador da corporação musical "10 de Novembro". Depois do segundo espetáculo, na Pensão Guararense, o digno Prefeito Cel. Bertholdo Garcia Machado ofereceu ao vitorioso grupo de amadores dramáticos, ótima ceia, da qual comparticiparam pessoas de destaque, entre as quais J. B. de Melo e Pedro Orlando, do alto comércio do Rio de Janeiro. Aí, o nosso redator e diretor cênico das representações, levantou um brinde de agradecimento ao ator que não se viu em cena, mas que muito concorreu para o bom êxito das representações, o mecânico do cenário e palco, o solícito e incansável Ângelo Viggiano. Os nossos parabéns, os nossos aplausos, todo o nosso entusiasmo de hoje, são para as pessoas que tomaram parte nos festejos de tão empolgante quão surpreendente inauguração. Que a nossa gente, principalmente a nossa mocidade se disponha a nos proporcionar momentos agradáveis no nosso Teatro Municipal, são os votos ardentes que a todos dirigimos.

 

Fonte de informações: Arquivo da Prefeitura de Guarará, Jornal O Guarará na ocasião da inauguração do Teatro Municipal e blog o Guararense de Francisco Tânio de Oliveira.

 

 






















terça-feira, 26 de julho de 2022

Teatro Municipal - Parte 01

 

O Teatro Municipal de Guarará começou a ser construído em 1939 e foi inaugurado em 23/06/1940. Arquitetonicamente a construção se enquadra no estilo Art déco, e apresentam muitas das características próprias do estilo que são as estruturas austeras, onde se destaca o geometrismo mediante a combinação ou inserção de superfícies planas cortadas mecanicamente e sustentadas por suportes finos. Como historicamente também é próprio do estilo, grande é o contraste decorativo interior-exterior, apresentando o interior rico detalhamento e tratamento estético na decoração de superfície, com utilização de materiais exóticos e texturas naturais. Até o ano de 1945, na gestão de Bertholdo Garcia Machado e Coronel Affonso Leite, a edificação sediou grandes apresentações de companhias teatrais importantes e abrigou grande número de eventos sociais diversos, essa época, foi segundo os antigos moradores do município, o período em que a entidade mais atuou na área cultural.

Entre os depoimentos levantados o que mais fornece informações relevantes é o da professora aposentada Neuza de Oliveira que viveu em Guarará. As suas pinturas artísticas foram feitas por três pintores da Escola de Belas Artes de Juiz de Fora e que mais tarde ganharam prêmio na França. O pano de boca foi pintado por Arnaud Gribel, pintor local além de ser um excelente músico O Teatro era considerado o cartão de visita da cidade, pois todos que aqui vinham faziam questão de visitá-lo. Nele trabalharam companhias teatrais como a Procópio Ferreira que apresentou as peças Deus lhe pague e Não me contes esse pedaço, além de trazer diversas vedetes. As irmãs Iracema e Norma Garcia colaboraram muito conseguindo trazer elencos teatrais e conferencistas famosos para nele atuar. Uma das concertistas famosas foi Magdalena Tagliaferro que mais tarde mudou se para a França recebendo lá muitos prêmios pelo seu trabalho. Esteve nele, para cantar, Orlando Silva do Rio de Janeiro e um grande jornalista, escritor e poeta, Agripino Grieco, de Bicas, atuou um elenco teatral. Além das peças teatrais foram apresentados nele mágicos e palhaços de circos famosos como o Serrazane do Rio de Janeiro.

Aos poucos, a juventude de Guarará conseguiu apresentar algumas peças. Mais tarde serviu para ser apresentado, no prédio, o cinema exibindo ótimos filmes. O Grupo Escolar “Ferreira Marques” também contribuiu para a cultura trazendo, nas datas cívicas conferencistas que vinham de outras cidades. A decadência do teatro começou quando sua porta foi aberta para bailes carnavalescos e festas que não incluía “cultura”. (Depoimento da Neuza de Oliveira registrado em Abril de 2003, transcrito e arquivado por André Colombo, pesquisador da Fundação Cultural Chico Boticário – Rio Novo-MG).

Fonte de informações: Arquivo da Prefeitura de Guarará, Jornal O Guarará na ocasião da inauguração do Teatro Municipal e blog o Guararense de Francisco Tânio de Oliveira.

Convite de Inauguração do Teatro Municipal em 23/06/1940

Planta original do Teatro Municipal elaborada em 14/02/1939 pela construtora Pantaleoni Arcuri

Planta original do Teatro Municipal elaborada em 14/02/1939 pela construtora Pantaleoni Arcuri

Jornal O Guarará de 01/06/1940

Jornal O Guarará de 30/06/1940 - Inauguração do Teatro

Jornal O Guarará com reportagens sobre a inauguração do Teatro

Jornal O Município de Bicas de 30/06/1940

Jornal O Guarará de 23/07/1940 com programação do Teatro

Anúncio de recital no Teatro Municipal em 05/12/1940

Programação no Teatro em data desconhecida

Programação no Teatro em data desconhecida


Concerto sinfônico no Teatro em 1943