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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Ensino nos séculos XIX e XX

 

Desde os primórdios da ocupação de nosso território após 1828, o ensino público era escasso e restrito a poucas pessoas no Distrito do Espírito Santo. Normalmente, os cidadãos mais afortunados e com prestígio social saiam na frente na hora de educar seus filhos (as).

As numerosas famílias compostas por pessoas simples que na grande maioria viviam no campo no decorrer de muitas décadas seguintes permaneceriam as margens do ensino público básico para seus filhos. Em algumas ocasiões, o máximo que conseguiam era alfabetizar seus filhos para saberem assinar o próprio nome e nada mais. As desigualdades nesse ponto eram chocantes.

 Habitualmente algumas pessoas mais velhas da comunidade ou professores que já não exerciam o ofício se encarregavam de auxiliar os filhos dos vizinhos menos favorecidos no contato com as primeiras letras. Essa era uma forma de mascarar o analfabetismo total existente em nossa terra entre os séculos XIX até as primeiras décadas do século XX.

A barreira do acesso ao ensino público entre os mais e os menos favorecidos prejudicou bastante o desenvolvimento da região por décadas. Quando o ensino público começou a se tornar mais acessível na virada do século XX em Guarará e seus distritos de Maripá e Bicas, as oportunidades de acesso a educação passaram a contribuir para o desenvolvimento desses locais. O território de Guarará chegou a possuir 08 escolas no total, entre as décadas de 1890, até início da década de 1920.

No passado havia distinção com as escolas possuindo cadeiras masculinas em maior número e as femininas em menor escala, tanto na área urbana, quanto no meio rural. A maioria das escolas estava situada na zona rural pelo fato de grande parte da população habitar o meio rural até a década de 1940, quando começou a ocorrer a urbanização acelerada em nossas paragens.

Conciliar o trabalho pesado desde o raiar do dia no campo com os períodos de aula nas escolas rurais em especial, era algo nada fácil para os filhos dos camponeses de nossas terras. A necessidade do cultivo da terra para a sobrevivência das numerosas famílias pobres envolvia todos os membros do grupo familiar desde muito cedo. Sobrava pouco tempo para direcionar os filhos (as) para uma educação básica.

 Para piorar o cenário as escolas rurais não ficavam perto do domicilio.  Esse tipo de situação levou a alfabetização em grande parte dos casos dos meninos que tinham mais facilidade para os deslocamentos. As meninas ficavam em casa e segundo os pais não precisavam saber ler e escrever, pois essa era uma tarefa para os homens da casa. Infelizmente era um pensamento arcaico que vigorou com solidas raízes em nossa sociedade por longas décadas. Do século XX e que causou enormes prejuízos pelo interior de nossos cantos.

Após a década de 1960 as escolas rurais começaram a perder espaço devido ao início do êxodo rural do campo para a cidade. A maioria esmagadora fechou as portas posteriormente devido a falta de alunos na zona rural. As pessoas se dirigiam para as cidades em busca de uma vida melhor para si e principalmente visando obter uma educação descente nas escolas urbanas para seus filhos (as). A evolução da educação mesmo com a superação de enormes entraves em nossas localidades sempre esbarrou na falta de estrutura e boa vontade por parte das elites e do governo para atender aos mais necessitados.

Abaixo temos exemplos de diários de alunos da escola do sexo feminino em 1903 e masculino em 1908. Ambos os recintos estavam localizados na área urbana do Distrito Sede da Vila do Espírito Santo de Guarará.






quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Matriz do Divino Espírito Santo

 

De suas origens quase nada sabemos até o momento, a não ser a data histórica de 1842, que marca o início da construção do suntuoso templo que permanece de pé na pitoresca Praça do Divino Espírito Santo na região central de Guarará, conhecida carinhosamente como Largo do Divino pelos moradores mais antigos. Importante destacar que até agora não foi encontrado qualquer documento que ateste a data do início da construção do templo atual. A informação do ano de 1842 como princípio de partida consta de relatos orais que foram sendo transmitidos ao longo dos tempos e em jornais locais (O Guarará e a Gazeta) que nunca citaram as fontes originais.

Segundo a tradição passada ao longo de quase dois séculos, havia por volta de 1830 uma pequena Capela primitiva em honra do Divino Espírito Santo nas proximidades da atual Igreja. Nesse pequeno templo eram realizadas as celebrações e sacramentos para os moradores de uma vasta região ainda pouco povoada ligada por muitos trilhos e com raras estradas de difícil acesso.

Os livros de registros paroquiais existentes que estão na Cúria datam de 1841 para frente, mas não é possível prever que as anotações de sacramentos e outros registros tenham sido iniciados a partir desse ano. Alguns estudos recentes sugerem que havia livros de sacramentos (batismo) a partir de 1833 no Arraial do Espírito Santo, embora eles não tenham sido localizados. Algumas transcrições que resistiram ao tempo apontam para essa possibilidade conforme apurado em anotações realizadas pelo Pe José Juvêncio de Andrade, datadas de 19/03/05.

É lamentável não só para a História, mas como para os registros históricos da Paróquia que esse preciso material tenha tido um fim não conhecido por nós. Se ele foi destruído por descuido, desgaste natural, ou se ainda permanece de forma anônima em alguma estante empoeirada de arquivo da região ainda não sabemos, mas torcemos pela última opção!

Nossa igreja perdeu muito de sua história contida em documentos que talvez nunca possa ser recuperado e ser repassado para nossos munícipes e pesquisadores. Infelizmente, muitas lacunas permanecerão sem respostas pelos próximos anos apesar de já termos encontrado um apequena luz no fim do túnel, que são os arquivos ainda não acessados da Cúria Metropolitana de São Sebastião na cidade do Rio de Janeiro.

Até 1897 a Matriz do Divino Espírito Santo era subordinada ao Bispado do Rio de Janeiro. Somente depois que passou a jurisdição da Diocese de Mariana em 1924 para a recém criada Diocese de Juiz de Fora. Há pouco tempo recebemos a informação que lá no Rio de Janeiro existem documentos relativos à Paróquia do Divino Espírito Santo que podem trazer uma luz a história de nossa igreja. Com o tempo iremos atrás desse precioso material histórico a fim de encontrar respostas que levem a um cronograma histórico do surgimento de nossa Igreja Matriz do Divino Espírito Santo que caminha em rumo de seus 200 anos de existência.

Quanto à construção da atual Matriz iniciada em 1842 podemos dizer que essa obra não teve a participação direta de Domingos Ferreira Marques seu patrono, já que ele falecera em 26/05/1841. Por outro lado, a participação e apoio na edificação da atual Matriz pode ter ficado a cargo da esposa Dona Feliciana Francisca Dias que era devota do Espírito Santo, seus filhos (as) e demais familiares. Essas são indagações que esperamos conseguir responder brevemente, assim que for possível acessar os arquivos da Cúria Metropolitana de São Sebastião no Rio de Janeiro.

Ainda estamos com a expectativa de que algum cidadão ou pesquisador tenha em seus arquivos pessoais documentos que venham a trazer esclarecimentos e respostas, quanto aos primórdios de construção da Matriz do Divino Espírito Santo do Guarará ou outros assuntos pertinentes a questão que ainda permanece oculto na história.

  Fotografia da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo na 2ª metade da década de 1920.


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

História do Navio Guarará

O conhecimento acerca da existência dessa embarcação na região Sul do País que levava o nome de Guarará já existia há bastante tempo em meus arquivos. Com o passar dos anos foi possível localizar o navio e parte de sua história que será apresentada na sequência. Mantemos o crédito a reportagem de origem listada no final da matéria.


Conheça a história do navio Guarará que “reapareceu” com a maré baixa no Pântano do Sul

Neste sábado (26), é possível ver a embarcação que afundou no Sul da Ilha em 1954 e tripulantes foram socorridos pelos manezinhos

 

Era 1954. Em uma segunda-feira de vento sul a pequena comunidade do Pântano do Sul se alvoroçou com a chegada de um enorme e iluminado navio no meio da noite. Aos gritos de socorro, a tripulação foi amparada pela comunidade manezinha. Cada família com sua pomboca nas mãos se amontoou para ver de perto o que estava acontecendo. Os resquícios do naufrágio do navio Guarará permanecem há 63 anos no mar do Sul da Ilha. Mas é só em tempos de maré baixa, como nesta semana, que é possível ver com clareza o que sobrou do navio cargueiro.

Resquícios do naufrágio do navio Guarará foram registrados com o fenômeno da maré seca no dia 13 de agosto – Sami Kuball

Memória viva do Pântano do Sul e afeita de boas histórias, Zenaide de Souza, 73 anos, dona do restaurante Pedacinho de Céu, relembra com detalhes o “evento” de 1954. Ela era criança quando o grupo de “aproximadamente” 15 homens apareceu sobre a enorme embarcação preta gritando por socorro. “O navio já chegou meio de lado, cheio de água e o pessoal gritando. Todo mundo correu pra acudir. Tinha galinha nadando, geladeira, carne seca por todo lado. Os manezinhos deram comida, agasalho e também muita cachaça pra esquentar”, relembra.

De Imbituba, o navio tinha como destino o Rio de Janeiro. Lotada de carvão, a estrutura não aguentou o peso e, com uma rachadura no fundo, o comandante foi obrigado a procurar a costa mais próxima para salvar a todos. “Ninguém ficou ferido e teve uns que até chegaram a morar aqui. Mas a empresa deu toda assistência a eles depois”, conta Zenaide.

Depois do naufrágio, a empresa tentou tirar o navio do local, mas não conseguiu. Com o tempo e ação da maré, partes da embarcação se despedaçaram. De acordo com Zenaide, ele era muito maior na década de 1950. Mas desde então ninguém conhece o navio como Guarará. “O pessoal aqui só conhece ele como ‘chata’, por que a parte de trás do navio era cortada. Agora ali tem um recife, com muito peixe, marisco… O navio sempre aparece com a maré baixa, mas não lembro de ficar assim completamente descoberto”, diz.

Zenaide de Souza, dona do restaurante Pedacinho de Céu, relembra o “evento” de 1954 – Marco Santiago/ ND

Acidente nos jornais

O naufrágio do navio Guarará virou notícia nos jornais da época. De acordo com pesquisa feita pelo especialista em arqueologia subaquática Ticiano Alves para o Instituto Larus, os jornais da época mostram que o navio pertencia à Companhia Internacional de Transportes e que ele quase havia naufragado em 1940 também em Florianópolis.

Na edição de 16 de junho de 1954 do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, a matéria “Naufragou à altura do Farol dos Náufragos, em Florianópolis” mostrava que o navio Guarará deslocava 650 toneladas e que, segundo os tripulantes, “somente quando o navio singrava as águas fronteiras ao porto de Florianópolis que se notaram o rompimento dos porões”. As medidas do comandante de mudar de rota para que o navio pudesse chegar à capital catarinense não surtiram o resultado esperado e a embarcação afundou próximo ao “Farol dos Náufragos”.

Maré baixa até sábado

Durante esta semana e nos últimos dias 12 e 13 a maré seca (ou baixa) atingiu o litoral brasileiro e catarinense, rebaixando o nível do mar e relevando uma faixa de areia maior. Com o fenômeno, que envolve a influência da lua nova e do vento, navios que estavam submersos acabam “reaparecendo”, como também ocorreu na última quarta-feira em Santos (SP).

Em Florianópolis, o fenômeno da maré baixa deve permanecer até este sábado. A 100 metros da praia e a 600 metros do costão do Pântano do Sul, o navio Guarará deve reaparecer neste fim de semana. De acordo com a Epagri/Ciram, por volta das 9h e das 21h30 de sábado, o nível dos mares deverá estar baixo novamente, mas sem provocar estragos.

Na manhã deste sábado era possível enxergar parte do navio – Flávio Tin/ND

 

Crédito a fonte original:

 https://ndmais.com.br/noticias/conheca-a-historia-do-navio-guarara-que-reapareceu-com-a-mare-baixa-no-pantano-do-sul/#:~:text=Era%201954.,navio%20no%20meio%20da%20noite.&text=Os%20resqu%C3%ADcios%20do%20naufr%C3%A1gio%20do,mar%20do%20Sul%20da%20Ilha.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Comércio Villa do Guarará - 1890 a 1940


Por ser o ponto central da povoação em boa parte da região, as terras do arraial e distrito do Espírito Santo que após a emancipação recebeu a denominação de Villa do Guarará concentrou a maior fatia das atividades comerciais até início do século XX. Pelo fato das localidades de São José de Bicas e Córrego do Meio não estarem constituídos como distritos, a maior representação não só das atividades comerciais, concentravam-se todas na sede do Distrito do Espírito Santo até a emancipação e a criação dos distritos de São José de Bicas e Maripá em 1890. Daí em diante houve uma pulverização dos pontos comerciais da sede para esses novos distritos e ares rurais que cresciam em população e representatividade dentro da Villa do Guarará.

No papel de desenvolvimento e expansão da rede comercial da Villa do Guarará no período compreendido temos grande representatividade dos imigrantes portugueses, italianos e sírio-libaneses em especial. Outras nacionalidades como espanhóis, franceses e alemães vem em menor destaque. Todos esses cidadãos que partiram de suas terras em busca de melhores oportunidades deixaram suas marcas inovadoras e também receberam novos aportes profissionais e culturais conforme a convivência com a gente nativa ia desenvolvendo.

Na década de 1890 o comércio na sede da Villa do Guarará ainda era muito forte e expressivo. Havia várias casas comerciais com sortimento de produtos e serviços ao ponto de se comparar com cidades muito maiores. A zona rural possuía diversos pontos comerciais sortidos ao longo das principais estradas de acesso à Extrema, Forquilha, Gameleira e Desengano.

Após a década de 1910 muitas casas comerciais foram para as proximidades da Estação de Bicas e outras cidades como Juiz de Fora que expandia fortemente sua malha comercial. Desse período em diante houve uma diminuição significativa das atividades comerciais na sede da Villa do Guarará em detrimento ao seu avanço em outros pontos. Mesmo com esse recuo, a cidade ainda apresentava pontos comerciais significativos com um variado sortimento de mercadorias e serviços que não deixavam a desejar em relação a lugares maiores.

Entre os principais comerciantes podemos destacar: José Pinto Soares, Francisco Carneiro, José Duarte de Souza Marques, Fortunato Pacheco da Silva, Emygdio Braz dos Santos, Miguel de Jorge ou George, João Abrahão, Aristides Leite Guimarães, Domingos Trefilio, Simão Moysés, Carmella Viggiano, Apolinário Camões, Elcenor Leite, Sayd Abrahim, Ângelo Viggiano, Geraldino Rocha, Necésio Silva e Sabá José Abrahão.

Abaixo listamos alguns exemplos de recibos comercias:

  

 




quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Desenvolvimento Comercio de Bicas -1890 a 1930

  

A representatividade comercial do distrito de São José de Bicas começou a ganhar espaço e prestígio a partir do final do século XIX. A localização da Estrada de Ferro Leopoldina com uma estação e oficina na sua área urbana aos poucos foi transformando a localidade num ponto de concentração de atividades comerciais. Aos poucos várias casas comerciais foram se deslocando da Villa do Guarará para as proximidades da Estação de Bicas no intuito de obter maiores ganhos financeiros e rápida liquidez de seu estoque.

O crescimento do comércio de Bicas em detrimento ao de Guarará, ou até mesmo em relação aos outros municípios como Mar de Espanha e São João Nepomuceno, está atrelado tanto a fatores logísticos como geográficos relacionados à Estrada de Ferro Leopoldina que cortava seu território com duas estações, uma em Santa Helena e a outra na sede. A localização da oficina ao lado da estação foi um dos grandes impulsos para o desenvolvimento do comércio de Bicas e da própria vila que se expandia rápido.

A facilidade para descarga e embarque de mercadorias facilitava a vida de todos os comerciantes de Bicas e entorno como Guarará e Maripá. O curto intervalo de tempo entre o desembarque e a chegada dos produtos nas casas comerciais era fator crucial para uma rápida liquidez dos estoques adquiridos, ainda mais numa época que não havia meios modernos de conservar alguns produtos por muito tempo. Todo transporte era feito por animais ou nos bondes até a proximidade do destino dos produtos.

Conforme o século XX e seus anos avançavam o prestígio e sortimento das casas comerciais era cada vez maior. Muitos comerciantes da região buscavam um espaço no movimentado trecho próximo à Estação de Bicas para desenvolver suas atividades. Assim, o local aos poucos foi atraindo atenção de portugueses, espanhóis, franceses, italianos, e sírio-libaneses. Alguns com o passar do tempo deixavam o lugar em busca de melhores oportunidades em outros locais da região.

Essa expansão das atividades comerciais proporcionou um ciclo de riqueza e progresso há muito tempo não visto nas redondezas, que culminou com a emancipação do distrito de Bicas em 07/09/1923 da Villa do Guarará. Após 1923 a localidade se manteve como importante polo comercial da região conservando famílias renomadas no ramo comercial.

Nomes tradicionais na história de Bicas como Cel. Álvaro Fernandes Dias, Cel. Joaquim José de Souza, Francisco Bianco, Adelino Rabelo de Vasconcelos, Francisco Gazineu, Cornélio Duarte Medina, Elias Lamha, Braz Schettino, Abrahim Mansur, Francisco Baeta Neves, Ângelo Padula, Achilles Francisco de Paula, Américo Ribeiro Aziz Gabriel, José Vieira Camões, Miguel Agrelli, Domingos Amadeu, Pedro Miguel e Vicente Bianco tiveram seus pontos comerciais no entorno da Estação.

Abaixo listamos alguns exemplos de recibos comerciais de Bicas que ilustram o texto acima.

                                 
        

                                      


                                                                                                                                                                      


sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Comércio em Maripá -1890 a 1930

 

O ciclo comercial do Distrito de Maripá na data pesquisada esteve fortemente ligado à presença de famílias imigrantes vindas da Europa, em especial os italianos, portugueses e em menor número, sírio-libaneses e franceses. Estes por sua vez proporcionara uma grande contribuição ao alavancar o crescimento e desenvolvimento da localidade nos anos seguintes.

As famílias Bianco, Retto, Gianini, Matteo e Padula dentre outras de origem italiana, deixaram marcas significativas na vida do Distrito de Maripá mesmo após a transferência de suas atividades comerciais para outros lugares. Igualmente temos as famílias, Ferreira, Fonseca, Rocha, Mattos, Costa de ascendência portuguesa que ainda permanecem no local. Na sequência Farhat e Abraão representando a comunidade sírio-libanesa que tiveram fortes laços com a comunidade por um período e Alibert de origem francesa que se estabeleceu na Fazenda Monte Cristo que muito contribuiu para a instalação de imigrantes conterrâneos na região.

As atividades comerciais e afins não foram apenas o sustento perante o começo de uma nova vida por parte desses imigrantes nas terras maripaenses. Na realidade toda essa interação foi uma via de mão dupla, onde a transmissão de cultura e costumes entre os moradores nativos e imigrantes geraram ganhos enriquecedores para a comunidade no decorrer dos tempos inclusive após a partida de alguns destes imigrantes.

 Diversas variedades de produtos comercializados nas prateleiras naquela época não resistiram ao avanço do tempo e a evolução tecnológica e perderam seu espaço conforme as décadas iam avançando. O mesmo ocorre em relação a serviços prestados em casas comerciais como ferreiro e alfaiate, que o tempo aos poucos encarregou de tirar de cena sem ser notado. Grandes nomes como Francisco de Paula Retto Júnior, Bertholdo Garcia Machado, Salim Farhat, Segismundo Ferreira de Carvalho, Rodolfo Rocha e Christiano Abílio Ferreira se destacaram no passado como negociantes em Maripá.

Tanto essas famílias mencionadas e outras mais que não são citadas nesse estudo, deixaram um pouco de sua história e cultura no jeito de exercer o comércio não só em Maripá, mas como nas outras regiões para onde eles se estabeleceram com o passar do tempo. As contribuições certamente enalteceram e contribuíram para a diversificação do comércio tanto na área urbana e rural da localidade. O legado de grande parte dessas famílias ainda permanece ativo na memória e nas tradições da cidade de Maripá de Minas.

Abaixo listamos alguns exemplos de recibos comerciais que ilustram o texto acima.







                       

                                     

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Domingos Ferreira Marques e Feliciana Francisca Dias

De onde vieram e como chegaram?

Onde se estabeleceram e qual sua ocupação?

Quantos filhos e netos tiveram?

Onde faleceram?

Estes e tantos outros questionamentos atribuídos a família de Domingos Ferreira Marques e sua esposa Dona Feliciana Francisca Dias, permaneceram envoltos num mistério histórico ao longo de quase dois séculos. Período de quase completo apagão quanto aos desbravadores das terras do que viria a ser o Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha a partir de 1828 e Vila do Guarará, com a emancipação em 05/12/1890.

Ao longo do tempo muitas perguntas foram surgindo e as respostas não encontravam embasamento e argumentos sólidos para se concretizarem. A História do casal de sesmeiros permanecia uma incógnita para historiadores, pesquisadores e pessoas da comunidade que se interessavam pelos primórdios desta terra. Por onde se percorria não encontravam documentos relacionados à presença do casal Domingos e Feliciana nos arredores do Curato do Espírito Santo do Mar de Espanha e mesmo no entorno da região.

Esse vácuo foi se aprofundando à medida que o tempo passava e as fontes que poderiam trazer uma luz a vida do casal no arraial não eram encontradas por aqui (Guarará) e nem mesmo em Barbacena, Ouro Preto, Mariana e Belo Horizonte. Talvez os caminhos ou as indicações de fontes documentais estivessem errados, ou embasados em fatos imprecisos. Algo que veio a comprometer o rumo dos trabalhos ao longo de décadas. É verdade que muito de nossa história documental se perdeu, ou foi destruída pela ação humana e temporal em toda região. A cidade de Guarará, por exemplo, perdeu dois imensos arquivos particulares que poderiam ter estas e outras informações a respeito de seus fundadores. O Arquivo Municipal e da Paróquia local também sofreram enormes perdas devido à má conservação de papéis antigos.

A História de nossa colonização oficial a partir da concessão documentada das cartas de sesmarias em 1818 amargou pesadas derrotas para o tempo e a ação humana. As tentativas de buscar respostas para as diversas lacunas que iam surgindo foram muitas. Eu mesmo presenciei diversas ações infrutíferas nesse sentido a partir do ano 2000, algo que me motivou a entrar no hall de pesquisadores da História de Guarará e Região, anos depois através da Graduação em História.

Pesquisar e obter sucesso a algo relacionado à história, fundação e desenvolvimento desta querida e amada terra não é e, nem foi algo fácil de ser obtido. O abismo documental foi cruel com essa parte da região das Matas Mineiras ao longo de séculos. Essa é uma frase que comento com alguns pesquisadores que estudam a história destas terras de vales e montanhas. Na verdade, dói muito, mas não adianta chorar pelo que deixou de ser documentado na forma escrita, oral ou que foi perdido por descuido com o passar de décadas e de mais de um século.

Recentemente, após o contato com Jarbas Dutra Filho (1984-2021), via página do Facebook Guarará Patrimônio Histórico no segundo semestre de 2019, as coisas começaram a mudar e bons ventos começaram a trazer uma luz quanto às perguntas acima levantadas por nós e muitos outros pesquisadores e cidadãos. Após intensas conversas começamos a compartilhar as informações que cada um possuía e, este foi o caminho inicial para as buscas se intensificarem surgindo às primeiras respostas, meio que ainda perdidas e incompletas no contexto documental existente. Documentos ilegíveis, rasurados, escrita complexa, faltando partes, etc., foram alguns dos entraves encontrados nas análises a fim de começarmos a montar o quebra cabeça em torno da família Ferreira Marques e seus descendentes nestas terras.

A disposição de ambos os pesquisadores em prol de obter uma resposta para as interrogações existentes propiciaram o avanço de pesquisas inéditas quanto à família Ferreira Marques. Passando por sua provável origem entre Barbacena e Guarapiranga (atual Piranga), até chegar ao seu destino nas terras de sua sesmaria entre São João Nepomuceno e o Espírito Santo do Mar de Espanha, o caminho foi lento e complexo.

O trabalho inédito permanece em andamento em meio a dificuldades e contratempos como a perda repentina do colega Jarbas Dutra Filho, que nos deixou órfãos de muitas informações e caminhos a serem trilhados. Mesmo assim, conseguimos descobrir que Domingos Ferreira Marques nasceu em 1775 em Guarapiranga e faleceu em 26/05/1841 na sua fazenda nas proximidades do atual distrito de Roça Grande e Taruaçu pertencentes a São João Nepomuceno. O local de seu sepultamento ainda não foi identificado por nós devido à ausência de documentos. Sua esposa Feliciana Francisca Dias nasceu por volta de 1781 igualmente em Guarapiranga. Sobre ela, não foram encontradas até o momento informações acerca de sua vida e morte. Domingos e Feliciana casaram-se em 01/07/1795 na mesma localidade na Capela de São Caetano. Conforme apurado até o momento foi constatado que o casal teve 10 filhos que serão listados noutra oportunidade.

Abaixo temos um trecho do Inventário do Capitão Domingos Ferreira Marques onde é mencionado seu falecimento sem detalhes extras.