O
prédio do Teatro Municipal é um valioso bem histórico e cultural e por isso
está incluído no Patrimônio Histórico de Guarará desde 2003. No entorno próximo
é o único exemplar do gênero que sobreviveu ao tempo e a desvalorização das
artes cênicas.
O
sólido, moderno, confortável e lindo Teatro Municipal que a Prefeitura local
acaba de construir nesta cidade, vai ser festivamente inaugurado no dia 23 do andante.
| Era o único próprio público de que se ressentia esta| cidade, que agora fica
dispondo de tudo necessário ao relativo conforto e bem-estar de sua população.
É mais um importante e útil marco que fica assinalando à fecunda administração
de que desfruta o nobre povo guararense, construído e já pago pela respectiva
verba orçamentária, despendida sem o sacrifício de outros serviços municipais.
Sabemos que não foram pequenos os esforços dos empreendedores dessa magnífica
obra educativa e recreativa Mas, sabemos também que não lhes faltou o apoio e a
boa vontade de nossa gente. Vários foram os donativos recebidos, entre os quais
é de se registrar mais uma vez a rica e artística Bandeira Nacional, oferta das
damas guararenses, e iniciativa e confecção do ilustrado corpo decente do Grupo
local; a superior cortina da boca de cena, oferecida pelo Cel. Bertholdo Garcia
Machado; o letreiro luminoso da fachada principal, dádiva do funcionalismo
federal, estadual e municipal local, e o fardamento para a corporação musical,
presente valioso do Cel. Pedro Leite. O nosso Teatro está lindamente decorado,
mobiliado, dispondo de tudo mais necessário ao fim a que se destina. Satisfaz,
com vantagens, exigências locais, e oferece aos espectadores conforto e
ambiente que devem agradar ao gosto mais exigente. Sua inauguração será ás 19
horas em ponto, com o seguinte programa, sujeito a modificações: Apoteose á
República, sendo o Hino Nacional cantado por 21 meninas, representando, cada
uma, um Estado da Federação Brasileira; discurso do Prefeito e orador oficial
da solenidade; Hino da Bandeira, por um coro de meninas; um ato variado, e a
representação da interessante comédia "Não me contes esse pedaço",
por um grupo de amadores locais. Só terão ingresso as pessoas previamente
convidadas e munidas de um cartão cujo número corresponde ao da cadeira que lhe
está designada. Por não ser possível convite geral, o mesmo espetáculo será
repetido no dia seguinte, dedicado às pessoas que, somente por falta de espaço,
não puderam ser chamadas para o ato inaugural, e as crianças das escolas
públicas, sendo os ingressos distribuídos na hora, na bilheteria do Teatro. Por
mais esse melhoramento antecipamos nossos parabéns, não ao nosso grande
Prefeito, mais ao querido povo de nossa amada terra.
Jornal
O Guarará, ANNO XXI, N.º 21 Guarará, 01 de junho de 1940
Sua
Brilhante Inauguração
Vinte e três de junho de mil novecentos e
quarenta ficou registrado em nossa historia local como uma das grandes datas
para o nosso município. É que nesse dia ficou completo o quadro de próprios
municipais necessários ao aparelhamento da boa administração e ao merecido
conforto da nossa população, e enriquecido o nosso patrimônio público com mais
um imponente prédio de valor - o Teatro Municipal — cuja inauguração foi imponente
e surpreendente, graças aos esforços, sem par, do nosso relator e a boa vontade
do nosso estimado Prefeito, Cel. Bertholdo Garcia Machado. Por iniciativa do
digno vigário, Revmo. Pe. Oscar de Oliveira, nossas principais ruas amanheceram
engalanadas, e durante o dia o movimento da nossa urbe foi desusado, havendo
vários exercícios esportivos.
Às
19 horas, repleto o teatro de distintas famílias deste e dos municípios
circunvizinhos, especialmente convidados, rompeu a banda, musical "10 de
Novembro" o Hino Nacional e no palco se descortinou o empolgante quadro —
apoteose à República — estando esta e os Estados da Federação representados por
22 mimosas meninas vestidas a caráter. Findo o hino, cena aberta, aparece no
palco à prestimosa figura do Prefeito, Cel. Bertholdo Machado, que num belo
discurso declarou inaugurado o teatro, passando a palavra ao orador oficial da
solenidade. Revmo Pe. Oscar de Oliveira que, com a cultura e proficiência que
lhe são peculiares, produziu empolgante oração delirantemente aplaudida.
Seguiu-se o hasteamento da Bandeira Nacional, no palco, com o respectivo hino
entoado por 21 meninas. Foi um momento de geral comoção. Esses dois lindíssimos
quadros despertaram vivo entusiasmo e aplausos da assistência.
Teve,
então, lugar a representação de um ato variado, canto, canções, declamações,
_cena cômica e etc, no qual tomaram parte as interessantes crianças - Terezinha
e Edson Monteiro, Clidene de Araújo, Paula, Misael e Iraídes Costas, os quais
foram de grande felicidade no desempenho da representação que a cada um coube
pelo que foram todos entusiasticamente aplaudidos. Aos presentes foram
distribuídos bombons e doces variados. Um grupo de amadores organizado pelo
nosso redator, e composto das distintíssimas senhoritas, normalista Laura Alvim
Tostes, professoras Aparecida Tostes, Nivalda de Souza, Cileia Galil e Regina
de Souza, e dos ilustres cidadãos, José Monteiro da Silva, Camilo Abrahão e
Arnaud Gribel Filho, levou a cena a hilariante comédia "Não me conte esse
pedaço". O desempenho foi perfeito, não se tendo notado a mais ligeira
falha. Tão perfeito que a unanimidade dos espectadores tiveram a impressão de
estar diante de profissionais da arte dramática. Geralmente, cada qual deu
brilhante desempenho ao seu papel, de modo que não se pode fazer destaque
individual, eis que o conjunto foi deveras surpreendente. Esse mesmo espetáculo
foi repetido no dia seguinte dedicado as exmas famílias que não puderam ser
chamadas, para o ato inaugural, por falta de espaço e transcorreu como na primeira
representação. Antes dessa última representação, teve lugar a Benção do
edifício, ministrada pelo culto e incansável vigário, desta freguesia, Revm. P.
Oscar de Oliveira. Benção que foi paraninfada pelas exmas. sras. dona Olívia
Machado, Carmosina Leite, Zilda Mattêo, Aida de Assis, Luíza de Carvalho Breyer
e Julieta Varanda Rocha.
A orquestra do palco ficou a cargo dos srs.
Álvaro Gribel, João Furtado, Sebastião Pires e Moacir Barroso, e a da platéia
sob a regência de Otávio de Carvalho, fundador da corporação musical "10
de Novembro". Depois do segundo espetáculo, na Pensão Guararense, o digno
Prefeito Cel. Bertholdo Garcia Machado ofereceu ao vitorioso grupo de amadores
dramáticos, ótima ceia, da qual comparticiparam pessoas de destaque, entre as
quais J. B. de Melo e Pedro Orlando, do alto comércio do Rio de Janeiro. Aí, o
nosso redator e diretor cênico das representações, levantou um brinde de
agradecimento ao ator que não se viu em cena, mas que muito concorreu para o
bom êxito das representações, o mecânico do cenário e palco, o solícito e
incansável Ângelo Viggiano. Os nossos parabéns, os nossos aplausos, todo o
nosso entusiasmo de hoje, são para as pessoas que tomaram parte nos festejos de
tão empolgante quão surpreendente inauguração. Que a nossa gente,
principalmente a nossa mocidade se disponha a nos proporcionar momentos
agradáveis no nosso Teatro Municipal, são os votos ardentes que a todos
dirigimos.
Fonte
de informações:
Arquivo da Prefeitura de Guarará, Jornal O Guarará na ocasião da inauguração do
Teatro Municipal e blog o Guararense de Francisco Tânio de Oliveira.












