Com
o crescimento cada vez maior em relação à rapidez proporcionada pelo crescente
uso de veículos automotores, vem à tona a necessidade da abertura de estradas
direcionadas a rodagem desses veículos por toda a região, além da adaptação de
antigos leitos destinados aos veículos de tração animal para a nova finalidade.
Os
primeiros trâmites sobre o assunto começaram no decorrer de 1911, mas foi a
partir de 1912 que a ideia saiu do papel. A estrada partiria de Bicas, próximo
à divisa com Juiz de Fora, passando por Guarará até chegar a Maripá, na divisa
com o distrito de Rio Pardo (hoje Argirita), na Fazenda Santana, pertencente à
Leopoldina.
O
financiamento da nova estrada ficou a cargo da Diretoria de Viação, Obras
Públicas e Indústria do Governo de Minas. Com o tempo, devido aos custos e
dificuldades, a Câmara Municipal da Villa do Espírito Santo do Guarará contribuiu
financeiramente com a obra, já que o benefício para o município era
incalculável em termos de caminho seguro e agilidade para o deslocamento de
gêneros agrícolas, em especial o café, até a sede dos distritos e daí para a
Estação Ferroviária. Essa rodovia seria estadual.
A
execução da obra coube ao município, que executava o pagamento dos funcionários
e prestava contas ao governo estadual. O início da construção da estrada foi
autorizado pela Resolução nº 126 de 22/06/1912. Os trabalhadores responsáveis
pela abertura de novos trechos a se interligarem com os já existentes, em sua
maioria, residem no Distrito de Maripá, em razão da localização geográfica ser
mais próxima aos pontos que iniciariam as obras. (ilustrar com folha de
pagamento)
Havia
2 turmas de funcionários: uma a cargo de Joaquim Manoel Corrêa e a outra tinha
como responsável Antônio Ferreira Martins, substituído no decorrer do ano por
Sebastião Nascentes de Azevedo. Ambas tinham sua frequência controlada pelo
fiscal da Câmara Vicente da Costa Milagres. Havia um rigor por parte do Estado
para que só liberasse o dinheiro se todos os trabalhadores tivessem seus
benefícios em dia, como as férias, por exemplo. (ilustrar com ofício)
Alguns
trechos dispersos de estrada já existiam, mas sem interligação com o trajeto
proposto. Foi necessário fazer a ligação que não existia para tirar a tal
sonhada rodovia do papel. Havia muitas dificuldades de logística devido ao
grande adensamento florestal existente entre Maripá e Rio Pardo, além de
animais ferozes, peçonhentos e falta de pontes, algo que levou a constantes
atrasos. As fortes chuvas e a distância das sedes dos distritos para levar e
trazer os trabalhadores e materiais era outra barreira que exigia persistência.
As
obras fluíram no decorrer de 1912 em ritmo lento e nos anos seguintes com
interrupções ocasionais que levaram ao atraso de certos trechos. Em 1915, a
empreitada ainda não havia sido finalizada. Devido a diversas situações, a
ligação completa que pretendia fazer entre Juiz de Fora e Leopoldina ficou com
alguns pontos inacabados. Estes foram sendo realizados aleatoriamente no
decorrer dos anos seguintes.
A
realização desta importante obra rodoviária trouxe mudanças de visões no
município. Em 29/05/1913, o Cap. José Vieira Camões fez a proposta para a construção
da 1ª estrada de rodagem municipal para automóveis, abrangendo inicialmente o
percurso entre Guarará e Bicas e estendendo até Maripá na sequência. Por
motivos orçamentários, tal proposta não foi adiante, mas já abriu horizontes
favoráveis ao progresso que seria trazido pelo automóvel. Outra importante
iniciativa veio da Câmara Municipal através da Resolução nº 141, de 29/09/1914,
que estabelecia o trânsito livre para a estrada de rodagem municipal entre
Guarará e Bicas, passando pela localidade do “Areal” cujas terras pertenciam ao
Cap. Jeronymo Dias Mendes.
Apesar de todos os
esforços diante das mais variadas dificuldades que foram superadas, a nova
estrada não conseguiu unir em definitivo os pontos já existentes na rota
planejada pelo governo estadual e os municípios. Vários ajustes foram sendo
feitos na construção da rodovia ao longo do final da década de 1910 e
principalmente na década de 1920, quando a rodovia finalmente ganhou contornos
mais próximos dos que seriam vistos entre as décadas de 1930 a 1950, recebendo
grande fluxo de automóveis, caminhões e ônibus. Neste período, a rodovia passou
por dentro das localidades de Maripá, Guarará e Bicas. Com as obras de
expansão, o contorno foi alterado para passar fora das cidades e assim aumentar
a segurança e agilidade das viagens.
Entre
as décadas de 1940 e 1950, havia uma linha regular de ônibus saindo de
Leopoldina com destino a Juiz de Fora, passando pelos lugares que margeavam a
estrada. A viagem era longa devido aos desvios, pontes improvisadas e estreitas
com condições precárias, principalmente na época de chuvas que deixava o trecho
com muitos buracos e valas, além de inundações.
Foi
somente a partir da década de 1960 que foi pensada uma expansão e a prioridade
no asfaltamento completo da rodovia entre Leopoldina e Juiz de Fora, a fim de
facilitar o trânsito e a ligação entre outras partes da região com a rodovia
Rio Bahia em Leopoldina (BR-116).
Em
1965, a rodovia passou a ser denominada de BR-267, recebendo o nome de Vital
Brazil. A empresa responsável pelos serviços de terraplanagem e asfaltamento no
trecho de Guarará foi a Cruza, que montou sua sede temporária na Praça do
Divino num galpão que era usado para bailes carnavalescos.
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