Esse
cidadão português, natural da Vila do Valongo, desembarcou nas terras do
Distrito do Espírito Santo provavelmente na década de 1880 e deixou sua marca
na vida da localidade ainda quando era distrito e principalmente após a
emancipação. Sua contribuição esteve em todos os setores da vida política e
social da Vila do Espírito Santo do Guarará.
Era
um hábil comerciante. Na Praça do Divino, fundou um diversificado armazém de
secos e molhados que levava seu nome, sendo uma casa comercial de referência
para a localidade e região próxima até seu falecimento em 1917. Com o tempo,
conseguiu dotar seu comércio com os mais variados e refinados produtos para a
época. Era um lugar onde se encontrava de tudo para o cotidiano de uma casa e
até mesmo para os afazeres de fazendas e sítios.
Sempre
esteve atento às necessidades e aos movimentos que surgiam em prol da
localidade. Neste instinto de sempre colaborar, participou do movimento em prol
da emancipação do Distrito do Espírito Santo em 1890, deixando seu nome em um
abaixo-assinado que contou com mais de 300 assinaturas de pessoas de todos os
segmentos e profissões. A partir daí, passou a se destacar na vida política e
social da nova vila que surgia a partir de sua instalação em 01/02/1891.
Em
1895, esteve na presidência da corporação musical Lyra Espírito Santense, ao
que se diga, esta foi a primeira banda de música da localidade. Entre 1895 e
1897 exerceu o cargo de Presidente do Conselho Distrital de Guarará, o
equivalente à função de subprefeito na atualidade.
Após
o falecimento em 1898 do padre Manoel José Corrêa, que ocupava o cargo de
vereador e exercia a vice-presidência da Câmara nos momentos de ausência do
presidente, coube a José Duarte de Souza Marques fazer o referido comunicado de
padecimento à Diocese de Mariana por meio de telegrama.
Esteve
à frente de comissões e da presidência de diversas obras e festas religiosas
ocorridas na Vila do Guarará, em especial as festas do padroeiro, São
Sebastião, Rosário e eventos esporádicos do meio religioso. Nas discussões para
a criação da caixa escolar do Grupo Escolar de Guarará em 1914, foi eleito o
presidente da Caixa Escolar do referido estabelecimento escolar, mantendo-se no
cargo até seu falecimento. Esta mesma instituição mais tarde receberia o nome
de Grupo Escolar Ferreira Marques.
Na política, atuou como vereador por 3
legislaturas seguidas, sendo a primeira (1908-1911) eleito com 174 votos e nos
pleitos seguintes atuou como vereador suplente. Faleceu em 07 de setembro de
1917 no exercício do cargo de vereador, para o qual foi empossado em 1916. A
primeira eleição que disputou foi para vereador especial em 31/01/1892, obtendo
13 votos.
Era casado com Maria Augusta Padilha Duarte,
que faleceu em 1908 e não deixou herdeiros diretos no país, apenas em Portugal,
segundo consta em seu inventário, que não foi localizado posteriormente. O ramo de trabalho lucrativo para a época
possibilitou a aquisição de muitos bens e posses em Guarará, entre casas, ponto
comercial e um armazém de depósito.
Seu vasto espólio, composto pelos bens imóveis
e móveis (ouro, prata, jóias e objetos de valor), créditos a receber e as
mercadorias do armazém, foi liquidado para pagar as dívidas com credores e
outros débitos, inclusive as altas custas judiciais que eram comuns à época. O
andamento do inventário chegou a ser questionado pelo cônsul-geral de Portugal
em Belo Horizonte, mas sem êxito.
Sua passagem pela Vila do Espírito Santo do
Guarará deixou marcas positivas na vida da localidade naquela época e seu nome
entrou para a história desta terra.



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