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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Cruzeiros em Guarará

 

É comum chegarmos a algumas pequenas cidades das Minas Gerais e nos depararmos com cruzeiros em locais altos das cidades, que ficam voltados geralmente para a maior parte de sua área urbana. Ao olharmos atentamente podemos observar que esses símbolos da fé cristã estão direcionados muitas vezes para o lugar onde se encontra uma Igreja Matriz ou Capela. Em boa parte dos cemitérios também é possível encontrar a presença de Cruzeiros.

No passado os Cruzeiros eram erguidos como ponto de demarcação para construção de Igrejas e marco para início da povoação de um território. Muitas cidades não só em Minas Gerais, mas no Brasil em si, surgiram a partir da instalação de um Cruzeiro e uma pequena Igreja.

Nas terras que viriam a ser o Arraial e Distrito do Espírito Santo se desconhece o local onde foi erigido o 1º Cruzeiro.  Na última década de século XIX surgem relatos que havia um grande Cruzeiro na área central da Vila do Guarará. Com base em algumas poucas imagens e nos relatos orais que atravessaram o tempo, este local seria o morro localizado acima do atual Destacamento Policial da cidade, que dá uma vista privilegiada do centro de Guarará.

A área do Cruzeiro era acessada por um pequeno caminho íngreme até a década de 1970 segundo informações de alguns moradores. Depois este trilho foi tomado pela vegetação de pastagem. No final da 1ª metade da década de 1990 o antigo Cruzeiro foi transferido para um ponto mais alto da cidade, onde se encontra até hoje, e pode ser visto de diversas partes da cidade. O local escolhido foi o Morro da Torre, acessado através da Rua Feliciana Francisca Dias. Sua estrutura permanece sendo de madeira.

O 2º Cruzeiro mais antigo que se tem notícias é o de frente a Capela de Nª Sª do Rosário. Sua data de instalação é um grande mistério a ser solucionado. Acredita-se que possa ter sido nos anos ou décadas seguinte à inauguração da Capela, ocorrida em 1890. Informações recentes apontam que o antigo Cruzeiro já deteriorado pela ação do vento, sol e chuva no alto da colina, foi substituído pelo atual na década de 1940. A iniciativa se deu por um grupo de moradores do entorno.

Ainda na década de 1940, logo nos primeiros anos, foi erguido um Cruzeiro no interior do Cemitério Municipal, em sua parte mais alta. O pedido para tal ação partiu do Pároco Padre Oscar de Oliveira via ofício para o Prefeito Bertholdo Garcia Machado, que acatou tempo depois. Não temos informações se o Cruzeiro existente é o mesmo daquela época, ou se foi substituído por outro material.

O Cruzeiro mais recente é composto por duas vigas de concreto e está localizado logo atrás da Ermida (Capelinha) de São Sebastião, localizada no trevo de acesso ao Bairro Mundo Novo via BR-267. A inauguração da Capelinha ocorreu no final de 1980, mas o Cruzeiro foi colocado posteriormente em data desconhecida.

Na área rural em frente à extinta Capela de São Joaquim, antes do muro, havia um Cruzeiro de madeira e o mesmo veio a sucumbir junto com a pequena Capela em data desconhecida. Na localidade do Desengano diante à Capela de Nª Sª do Rosário demolida algumas décadas atrás, havia um cruzeiro confeccionado em madeira.

O único Cruzeiro preservado na zona rural que temos notícias está localizado em frente à Capela de Nª Sª Aparecida na fazenda Vargem Grande, no alto de uma colina há várias décadas. Sua estrutura é em madeira.

No retrospecto de nossa história, esses são os Cruzeiros identificados em nosso município. Pode ter ocorrido a existência de Cruzeiros em outras partes da cidade, tanto na área urbana, como na rural, que não sobreviveram e nem deixaram vestígios de sua existência nas localidades onde estavam situados. Havendo outras informações atualizaremos a matéria.


Cruzeiro localizado no antigo local logo acima da Escola Ferreira Marques em 1938.

O Cruzeiro em seu novo lugar no Morro da Torre.

Vista parcial do Centro e Bairro do Rosário a partir da nova localização do Cruzeiro no Morro da Torre.

Cruzeiro em frente a Capela de Nª Sª do Rosário.

Atrás da Ermida de São Sebastião (Capelinha) está localizado seu Cruzeiro.

Em frente a Capela de Nª Sª Aparecida na Fazenda Vargem Grande temos um Cruzeiro preservado.


terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Tombamento do Obelisco

 

Através do Decreto nº 207 de 15/12/2022 foi promulgado o Tombamento Municipal do Monumento ao 1º Centenário da Independência do Brasil, o popular Obelisco, localizado na Praça do Divino. O processo iniciado em 2021 foi concluído no final de 2022. Uma vasta documentação foi reunida para embasar o processo que será encaminhado ao IEPHA-MG. O parecer do IEPHA-MG será divulgado no final de junho de 2023.

 

O reconhecimento do Obelisco como novo integrante do Patrimônio Cultural tombado de nossa cidade, é de grande valia para o resgate de nossa memória e cultura para as próximas gerações. A sua história faz parte da vida e do cenário pacato de Guarará ao longo de 100 anos. São muitas recordações vividas pela nossa gente e que são associadas ao Obelisco e seu entorno. A sua simbologia no decorrer de todo esse tempo vai muito além da estrutura física do bem ao deixar marcas indissociáveis nas relações humanas e paisagísticas.


A História de uma cidade é construída e reconstruída constantemente conforme a passagem e o registro de seus habitantes no decorrer da vida.  Daí a necessidade de resgatar os fragmentos do passado para manter as raízes e vínculos atualizados entre passado, presente e futuro. É neste ponto que o tombamento pode assegurar a preservação do passado com os olhos no presente e a mente no futuro.








sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Tradicionais Moinhos de Milho

 

Desde um passado bastante longínquo, que os moinhos coloniais de milho são locais importantes para produção de farinhas de milho, fubá e inclusive a quebra de grãos voltados para alimentação humana e de animais. Os primeiros moinhos foram instalados no Brasil por colonizadores europeus, possivelmente entre 1614-16 em São Paulo, e posteriormente se expandiram para todas as regiões do país.

Em Minas Gerais as casas de farinhas ou popularmente moinhos ganharam grande importância na vida das pequenas comunidades conforme a colonização do solo mineiro ia se expandindo. Das grandes, passando pelas medias até chegar às pequenas Fazendas, todas elas tiravam sua alimentação e parte da renda a partir do uso dos moinhos ali existentes.

Desde o inicio formal da colonização das terras do Distrito do Espírito Santo (atual cidade de Guarará) a partir de 1828, a maioria das pequenas, médias e grandes propriedades, possuíam um moinho dedicado à produção de derivados de milho, de acordo com os relatos verbais passados de geração em geração. A importância destes locais era imensa na alimentação dos escravos, dos brancos, além de fornecer sobras para alimentar pequenos animais domésticos e o rebanho bovino. O excedente da produção era comercializado entre vizinhos e núcleos urbanos nas proximidades.

Conforme o tempo ia passando e a modernidade vinha trazendo novas formas de aperfeiçoar e acelerar a produção de alimentos, os velhos e tradicionais moinhos de nossa cidade foram perdendo espaço para as máquinas de moagem elétricas existentes na área urbana a partir das décadas de 1950 e 1960.

Com o forte avanço da mecanização tecnológica na indústria alimentícia que beneficia gêneros cada vez mais acessíveis, com qualidade e rapidez, o espaço destinado aos velhos moinhos foi ficando somente na memória histórica e nos relatos das pessoas mais velhas em nossa cidade. A maioria deles foi abandonada aos poucos e virou ruínas até desaparecer lentamente do espaço físico e imaginário das pessoas.

Em certas propriedades ainda se encontram alguns poucos moinhos de porte pequeno remanescentes do período áureo da 1ª metade do século XX funcionando. A maioria localizada próxima a cursos d´água. Estes escassos lugares preservam esta importante manifestação cultural de nossa terra e região, que propicia excelentes pratos na tradicional culinária mineira, como a famosa broa de fubá, o clássico angu mineiro e a farinha torrada de fubá usada no preparo de farofa, bolo e consumida junto ao café com leite da tarde dos antigos.

Esperamos que num futuro próximo estas velhas tradições de nossa terra, hoje quase esquecidas, como o moinho de milho e seus produtos derivados, amplamente usados na culinária da população antiga, venha a ser valorizada e quem sabe, volte aos poucos a fazer parte da vida pacata de nossos sítios e fazendas através das gerações vindouras. Assim, estaremos contribuindo para a preservação de uma importante prática cultural ligada a culinária mineira e brasileira num todo que vem de vários séculos atrás.    

 

Texto editado pelo Setor de Patrimônio Histórico e Cultural de Guarará para o Ano da Mineiridade.

 



 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Livro de Protocolos 1891-1903

 

Apresentamos um dos primeiros livros administrativos abertos pelos gestores da recém-criada Vila do Guarará. Trata-se do livro de Protocolos da Intendência Municipal presidida pelo s.r. Antônio José Gomes Bastos, o 2º Barão de Catas Altas, que administrou a cidade até as eleições de 1892.

Esse livro de capa rígida, páginas amarelas, corroído por traças e pelos diferentes usos ao longo de mais de 130 anos, sobrevive ao tempo para contar um pouco das ações administrativas da década de 1890 até o ano de 1903 quando parou de receber registros. Sua abertura ocorreu em fevereiro de 1891 e o primeiro registro é de 21/03/1891.

Um fato curioso e sem explicação é que os últimos registros de protocolos são do mês de dezembro de 1894 sendo que o livro ainda permanecia com a grande maioria de suas páginas em branco. Em 1900 o livro volta a ser usado para registros de auto de praça. Um destes registros contempla o edital de venda dos bens da Estrada de Ferro Guararense para arremate público.

Os protocolos vem redigidos na maioria das ocasiões pelo sr. Luiz Pinto que era o secretário da Intendência Municipal da Vila do Guarará. Em alguns momentos observamos a redação do Barão de Catas Altas no livro e do Procurador Municipal José da Rocha Pinto.

Os assuntos registrados são dos mais variados e às vezes estranhos para nossa interpretação no tempo atual. Com o passar de um século houve muitas mudanças e evoluções quanto ao modo de vida, costumes e atividades administrativas municipais. Este livro possui um valor cultural e histórico importante na vida da cidade pelo fato de nos aproximar de um passado remoto da década de 1890 e ao mesmo instante despertar nosso interesse pela história de nossa terra ao longo do passar dos séculos.

A preservação deste valioso expoente histórico é fundamental para várias compreensões do recorte histórico em que estamos situados. Numa análise atenta podemos observar um pouco da escrita antiga com um português arcaico, que era bem diferente do que encontramos hoje. A escrita era através de caneta tinteiro na cor preta. As palavras tinham contorno e acabamento que pareciam obras de artes, principalmente nas assinaturas e elaboração de documentos importantes.

As observações relatadas são uma pequena amostra do valor histórico do livro para a memória e história de Guarará e região conforme os anos avançam. Outras pessoas ao olharem o livro de protocolos podem encontrar novos valores culturais e recortes ainda não observados em suas linhas amareladas.

Abaixo apresentamos todo o teor do Livro de Protocolos entre 1891-1903.










segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Publicações Históricas

 

No passado não era hábito das pessoas em escrever pequenos livros e textos contando a história de um lugar. Se isso veio a ocorrer, infelizmente não chegou ao conhecimento nosso até o momento. Tal situação vem a mudar a partir da década de 1980 quando começam a se destacar publicações importantes mencionando Guarará e região. O conteúdo dos livros ocupavam-se de narrativas de aventura, romance, poesia e outros temas que atraíam atenção do público naquela época.

Devido esta peculiaridade de nossa cidade e região, muito de nossos fatos históricos foram sendo perdidos ao longo do tempo sem a devida anotação para as próximas gerações. Conforme as décadas iam passando ficou cada vez mais difícil peneirar os registros escritos lá do início de nossa história de nossa povoação.

Os pouquíssimos livros existentes dão uma noção de como funcionava a cidade entre o final do século XIX e as primeiras três décadas do século XX. A obra mais antiga impressa que temos conhecimento é o pequeno almanaque do Município de Guarará editado em 1899. Ele foi produzido pelas oficinas da Tipografia da Gazeta de Guarará no final de 1898 para circular em 1899. Seu autor foi o jornalista espanhol Francisco Sequeiros Teixeira, que residia em Guarará e na ocasião editava o jornal Gazeta de Guarará.

Esse pequeno impresso de 166 páginas traz um pouco das funcionalidades da Vila do Espírito Santo do Guarará e seus distritos de Maripá e Bicas. Nele há relação das autoridades municipais, distritais, religiosas, negociantes, proprietários rurais, indústrias e profissões, contos, poesias, publicidade variada, além de outros assuntos. O português peculiar da ocasião chama bastante atenção dos leitores mais atentos.

O outro exemplar de tamanha importância veio a surgir em 1916 e era intitulado o Município de Guarará. Era um livro editado pelo jornalista de origem italiana Roberto Capri e impresso em São Paulo. Foi produzido com autorização da Câmara Municipal que na ocasião pagou um bom valor pelo direito a 300 exemplares. Infelizmente poucos livros sobreviveram ao tempo. Pelas nossas contas são conhecidos apenas 04 exemplares atualmente.

Neste livro de poucas páginas temos belas fotos de Guarará, Maripá e Bicas, além de publicidade, informações históricas relevantes, atividades comerciais, agricultura e relação de pequenos lavradores. O autor chegou a produzir livros semelhantes em diversas cidades mineiras, que foram reunidos e lançados posteriormente em uma grande publicação contemplando boa parte do estado de Minas Gerais.

Tempos depois temos a ultima publicação conhecida a respeito de relatos sobre o Guarará antigo. Trata-se do livro Reportagens Históricas sobre o Município de Guarará, editado pelo saudoso Sebastião Gomes Baião, filho do 2º Barão de Catas Altas em 1932.

O livro conta um pouco das histórias cotidianas do passado desconhecido das terras do Espírito Santo no século XIX, além de fatos relevantes vivenciados pelo 2º Barão de Catas Altas, que foi o grande responsável pela criação da Vila do Guarará em 05/12/1890. Um dos motivos para edição do livro foi uma possível divergência entre o Redator do Jornal O Guarará em 1930 quanto a assuntos relacionados ao criador da Vila do Guarará em 1890, que no entendimento do redator abrangia outros nomes.

Estes 03 exemplares fecham a coletânea histórica sobre Guarará até a primeira metade do século XX. A partir do ano 2000 novas publicações podem ser encontradas na região e oferecem ao leitor assuntos interessantes sobre nossas cidades e antes não discutidos. 

Publicações locais produzidas com teor histórico voltam a ocorrer em 2019 onde é editado o livreto, Se Essa Rua Fosse Minha – As Ruas de Guarará, produzido pela Professora Eloíza T. Ferreira da Fonseca. No ano seguinte ocorre a publicação do livreto sobre os 111 anos da Escola Municipal Ferreira Marques e a história do Paço Municipal de Guarará.

Esperamos que estas publicações existentes até o momento possam incentivar outras pessoas a pesquisarem e escreverem sobre Guarará e a região em si, que ainda carece de muita informação histórica para melhor compreender seu povoamento e desenvolvimento, desde o século XIX até o período atual.

As publicações recentes podem ser acessadas através do seguinte endereço eletrônico:   

https://www.guarara.mg.gov.br/wp/publicacoes-historicas-e-culturais-cultura/ 








terça-feira, 18 de outubro de 2022

Impostos X Emancipação

 

Desde os tempos mais remotos da existência humana a cobrança de impostos, taxas e tributos fazem parte da vida de quase todo cidadão. Com o passar de décadas e séculos algumas cobranças evoluíram, outras se fundiram ou se criaram novas formas de taxar as pessoas.

Os motivos para as cobranças ao longo da história quase não mudavam. O ponto mais comum era que boa parte do valor arrecadado seria revertido para o bem estar das pessoas em suas cidades e vilas, algo que nem sempre se concretizava e assim gerava revoltas e descontentamentos.

Seguindo este parâmetro de comportamento no caso do Brasil no século XIX, em especial, muitas revoltas e conflitos ocorreram de norte a sul deste vasto território continental. Os constantes e às vezes vultuosos pagamentos aos governos locais e a não reversão de parte dos valores em serviços básicos geravam muitos conflitos e até mesmo era o motivo para que distritos buscassem sua emancipação da cidade sede.

O surgimento de parte de cidades a partir da segunda metade do século XIX em Minas Gerais e algumas regiões do Brasil pode ser explicado por este fator comportamental ligado a cobrança de impostos que não eram revertidos na forma esperada pela comunidade pagadora. Há controvérsias sobre o assunto e defensores deste ponto de vista. Alguns apontam que este era apenas o estopim para justificar a emancipação de um lugar. Outros defendem que a busca por uma melhor condição de vida para a população e desenvolvimento para o local requerente era o verdadeiro motivo para engajar uma campanha em prol da emancipação de um distrito em relação a sua sede.

Neste caminho podemos citar a situação vivida pelo então Distrito do Espírito Santo, que pertencia a Vila de Mar de Espanha. Alguns moradores se apoiando na questão da falta de reversão de parte dos impostos, taxas e tributos pagos começaram a se organizar em prol da emancipação do local a partir de 1889. Este cenário foi ganhando forças e adeptos até conseguir seu objetivo que era a emancipação em 05/12/1890.

Instalada a nova vila em 01/02/1891 o cenário de cobranças de impostos, taxas, licenças e afins mantinham-se como carro chefe junto a Intendência Municipal para a manutenção das despesas e investimentos por parte do poder público nas necessidades diárias do povo. Conforme a Vila se consolidava, os interesses de grupos políticos iam surgindo aos poucos e este fator acabava prejudicando a distribuição correta e uniforme da aplicação dos recursos arrecadados nos distritos existentes. Assim, voltamos no velho ponto que norteou a emancipação nossa lá atrás e que com o passar de décadas foi uma das causas para que os Distritos de Bicas e Maripá viessem a buscar seu caminho de vida autônoma através da emancipação.

De certo a lição que podemos extrair neste pequeno texto ao olhar os livros de cobranças de impostos e taxas da Vila do Espírito Santo do Guarará, na primeira década de vida autônoma, é que o jogo de interesses sempre vai estar à frente do bem estar da comunidade. Em alguns momentos novas formas de cobranças poderão ser instituídas a qualquer instante com ou sem apoio popular.


Bloco de anotações de Impostos, Licenças e taxas de 1891, 1893 e 1896

Recibo de 1891 em nome de Manoel João Giestal do Distrito de Maripá.


Recibo de 1891 em nome de Joaquim Coelho de Faria do Distrito de Bicas.


Recibo de 1891 em nome de Fidelino Félix Pereira no Distrito Sede de Guarará.


Recibo do ano de 1893 de José Fernandes de Santana na Sede em Guarará.


Recibo do ano de 1893 de Manoel Portes Carneiro em Bicas.


Recibo do ano de 1893 de Ambrósio Bianco em Maripá.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Reflexão Histórica

 

Fugindo um pouco ao estilo de nossas matérias, apresentamos uma sequência de fotos produzidas a partir da Torre da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo em 26/09/22. As imagens de uma manhã nublada possibilitam ver as construções da área central de Guarará de outro ângulo.

O destaque fica por conta dos imóveis que possuem cobertura com telha francesa e outra parte que adota telhas cerâmicas em modelos mais recentes como a romana e portuguesa, além da galvanizada. Esta comparação permite observar que as famosas telhas curvas produzidas até parte da segunda metade do século XIX perderam seu espaço por completo nas construções mais antigas de Guarará.

Até o final da década de 1970 alguns imóveis antigos urbanos ainda possuíam as famosas telhas curvas em seus telhados. Com o avanço de novos modelos mais acessíveis e seguros, a mudança foi sendo feita sem que se notasse. Um dos motivos pode ter sido a falta das telhas curvas mesmo que usadas para reposição quando necessário. Atualmente, alguns poucos imóveis na área rural ainda possui as telhas curvas. Ranchos, paióis e moinhos são os grandes detentores deste tipo de telha na zona rural de Guarará.

Aos poucos sem percebermos uma parte do passado foi sendo perdida para sempre sem notarmos. A maioria das pessoas não se lembra de olhar para o telhado dos imóveis. A contemplação fica restrita na maior parte das vezes a parte estética das paredes, portas, janelas e varandas. Desta forma, o telhado passa despercebido por longos tempos e quando as mudanças são feitas, estas são poucos observadas pelas pessoas.

Boa parte dos acontecimentos de nossa cidade e região foram conversados e decididos embaixo dos telhados coloniais de telhas curvas e num tempo mais recente já embaixo das telhas francesas, que também começam a dar seu adeus em muitos lugares sem alarde.

E assim, uma cidade vai sofrendo transformações, às vezes lenta ou rápida, sem que boa parte de seus habitantes possam perceber, a tempo de registrar. No mesmo parâmetro caminha a história nas pequenas cidades. Sem ser notada ela vai passando junto com o tempo e os fatos que não vão sendo registrados. Eles vão ficando perdidos nos caminhos encobertos pela poeira e preocupações da vida moderna, até se apagarem das mentes frias em definitivo.  Daí a necessidade de serem feitos os anotações históricas do momento atual pensando nas gerações futuras de nossa cidade e região.

O comparativo entre telhas foi uma forma de chamar atenção para o ponto crítico e o descaso com que a história documentada em Guarará e boa parte de nossa região imediata é vista em nível geral. Precisamos evoluir na questão de preservação e na realização de registros visando informações acessíveis sobre diversos assuntos para o futuro próximo.